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Após relatório da PF, Temer diz que 'facínoras roubam do país a verdade'

O documento, contudo, não cita diretamente nem a Polícia Federal nem o corretor de valores Lúcio Funaro

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12 SET 2017Por Folhapress15h30
O presidente Michel Temer disse que 'facínoras roubam do país a verdade'Foto: Agência Brasil

O presidente Michel Temer reagiu nesta terça-feira (12) a relatório da Polícia Federal que aponta que o peemedebista tinha poder de decisão no chamado "quadrilhão do PMDB".

Em nota divulgada aos veículos de imprensa, o Palácio do Planalto critica "facínoras" que "roubam do país a verdade" e diz que "bandidos constroem versões 'por ouvir dizer'" com o objetivo de garantir a própria impunidade ou "alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes".

"Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas", afirma o texto.

O documento, contudo, não cita diretamente nem a Polícia Federal nem o corretor de valores Lúcio Funaro, segundo o qual o peemedebista teria autorizado caixa 2 para a campanha de Gabriel Chalita, em 2012.

O presidente também afirma que garantias individuais estão sendo "violentadas diuturnamente sem que haja a mínima reação".

"Chega-se ao ponto de se tentar condenar pessoas sem sequer ouvi-las. Portanto, sem se concluir investigação, sem se apurar a verdade, sem verificar a existência de provas reais. E, quando há testemunhos, ignora-se toda a coerência de fatos e das histórias narradas por criminosos renitentes e persistentes", disse.

O peemedebista afirma que "muda-se o passado sob a força de falsos testemunhos" e que o país tem assistido, nas últimas semanas, a uma ameaça ao estado democrático de direito no país.

"Vazamentos apresentam conclusões que transformam em crimes ações que foram respaldas em lei: o sistema de contribuição empresarial a campanhas políticas era perfeitamente legal, fiscalizado e sob instrumentos de controle da Justiça Eleitoral. Desvios devem ser condenados, mas não se podem criminalizar aquelas ações corretas protegidas pelas garantias constitucionais", disse.

Segundo a conclusão da investigação feita pela Polícia Federal, há indícios de que o presidente tenha recebido vantagens de R$ 31,5 milhões. Ele nega.

O relatório servirá para embasar provável nova denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot, contra Temer.

O inquérito, conhecido como "quadrilhão do PMDB", tem ainda como alvos os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) e os ex-deputados Eduardo Cunha (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Henrique Alves (AL) -os três últimos presos devido a diferentes investigações-, todos do PMDB.

Leia a íntegra da nota do Planalto:

"O Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça. Nas últimas semanas, o Brasil vem assistindo exatamente o contrário.

Garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente, sem que haja a mínima reação. Chega-se ao ponto de se tentar condenar pessoas sem sequer ouvi-las. Portanto, sem se concluir investigação, sem se apurar a verdade, sem verificar a existência de provas reais. E, quando há testemunhos, ignora-se toda a coerência de fatos e das histórias narradas por criminosos renitentes e persistentes. Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões "por ouvir dizer" a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes. Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas.

Muda-se o passado sob a força de falsos testemunhos. Vazamentos apresentam conclusões que transformam em crimes ações que foram respaldas em lei: o sistema de contribuição empresarial a campanhas políticas era perfeitamente legal, fiscalizado e sob instrumentos de controle da Justiça Eleitoral. Desvios devem ser condenados, mas não se podem criminalizar aquelas ações corretas protegidas pelas garantias constitucionais".

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