Entrada da Cidade

Promotoria vai apurar agressão da GCM a padre Julio Lancellotti

Câmeras de vigilância registraram a ação da guarda, que forçou a entrada no local. A Promotoria vai apurar se a guarda descumpriu decreto municipal que proíbe que objetos pessoais sejam apreendidos em ações de zeladoria

Comentar
Compartilhar
15 SET 2018Por Folhapress14h05
O padre Julio Lancellotti foi agredido em ação da GCM.Foto: Facebook/Padre Julio Lancellotti

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para investigar agressões feitas nesta sexta-feira (14) pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo, sob gestão de Bruno Covas (PSDB), contra o padre Julio Lancellotti e moradores de rua na Mooca, na zona leste da capital paulista.

Segundo documento assinado pelos promotores Eduardo Valerio e Bruno Simonetti, a Promotoria apura se houve truculência na ação da GCM no centro comunitário na rua Siqueira Bueno.

O padre e dezenas de pessoas tentaram se abrigar no local após confronto entre a GCM e os moradores de rua. 

"Começaram [durante a zeladoria] a retirar coisas dos moradores de rua, inclusive materiais recicláveis, que eles vendem para poder sobreviver", afirmou o religioso.

Moradores de rua jogaram pedras contra os guardas, que revidaram com spray de pimenta, armas de choque e balas de borracha. "Me deram socos na barriga, empurraram com escudos, atiraram spray de pimenta no rosto, além de me chamarem de padre de merda", disse Lancellotti.

Câmeras de vigilância registraram a ação da guarda, que forçou a entrada no local. A Promotoria vai apurar se a guarda descumpriu decreto municipal que proíbe que objetos pessoais sejam apreendidos em ações de zeladoria, além da invasão truculenta de um equipamento da rede socioassistencial.

A GCM determinou a apuração "rigorosa" dos fatos. Afirmou que, durante o embate, um guarda levou uma pedrada na cabeça e outros dois se feriram levemente. Acrescentou que a determinação da prefeitura é a de que "não sejam retirados pertences de moradores em situação de rua".

"Lamentamos que a violência diariamente sofrida pelos moradores de rua se volte agora contra entidades e pessoas que tentam devolver o mínimo de dignidade a esses irmãos", afirmou a Arquidiocese de São Paulo.

Colunas

Contraponto