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Papo de Domingo: ‘Causa da depressão pode estar em vidas passadas’

Método busca na tese da reencarnação, respostas para os problemas atuais vivenciados pelo paciente. Abordagem amplia proposta da medicina tradicional

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12 MAR 2017Por Vanessa Pimentel11h00
Davidson Lemela fala sobre a depressão pela ótica da terapia reencarnacionistaFoto: Victória Simonato/DL

O Brasil é o país mais deprimido da América Latina, com 11,6 milhões de brasileiros sofrendo da doença atualmente. Em escala mundial, o país ocupa o quinto lugar. As informações são do relatório publicado no mês passado pela ­Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em busca da cura, portadores deste distúrbio conhecido por trazer sintomas como a tristeza, falta de ânimo, irritabilidade e solidão, pacientes de todas as idades procuram nos mais diversos tratamentos, respostas para o que sentem.

Neste Papo de Domingo o neuropsicólogo Davidson Lemela fala sobre a depressão pela ótica da terapia reencarnacionista, segmento que busca na tese das vidas passadas respostas para os problemas atuais vivenciados por cada ­paciente.

Diário do Litoral - Qual é a visão da depressão sob a ótica das Vidas Passadas?

Davidson Lemela - Quando a ciência surgiu a partir do século XVI, foi instaurado um clima de verdadeira rejeição a tudo que representasse herança com o ranço teológico medieval. A verdade pregada pelas doutrinas judaico/cristãs foi substituída pela verdade comprovada das pesquisas científicas, e tudo o que não pudesse ser medido ou testado, era rejeitado sumariamente. Assim, a reencarnação, ao longo do tempo, permaneceu relegada às práticas ocultistas, místicas ou religiosas, sem crédito algum por parte da ciência oficial. Porém, o princípio da reencarnação não pertence a nenhuma religião ou credo, é antes uma lei biológica, competindo, portanto, a própria ciência, a incumbência de comprová-la. As pesquisas científicas sobre a reencarnação conseguiram acumular um número tão grande de provas a seu favor, que qualquer teoria, por mais extravagante que fosse já teria sido aceita com a metade dessas provas. Mas, a adesão à tese reencarnacionista detém-se, principalmente, no preconceito e no orgulho. E muitos, ainda hoje, relacionam a doutrina da reencarnação a questões puramente religiosas.

DL – Em meio a tantas opções de tratamentos, qual o diferencial proposto por esta terapia?

Davidson - A abordagem através desse novo olhar, não desqualifica a proposta da medicina tradicional, porém a amplia, uma vez que acrescenta a dimensão espiritual do ser humano, quando considera as dezenas de vidas que ele já viveu no passado. Nossa personalidade vem se estruturando ao longo dos séculos, como resultado daquilo que construímos para nós, das escolhas que fizemos e decisões que tomamos. Portanto, a dor, o trauma, as fobias, as atitudes e emoções, são os reflexos de nosso mundo interior, povoado hoje de “fantasmas”. A proposta da abordagem reencarnacionista para a cura da depressão deve considerar o tratamento como um processo segundo o qual se inicia com as recordações do passado, e deve encerrar com o paciente compreendendo as conexões óbvias do passado com o presente, os padrões de comportamento arrogante e prepotente que vem se perpetuando vida após vida, aprendendo deles a se separar através do entendimento desses padrões e do quanto eles o tem tornado infeliz.

DL - Depressão, então, não seria uma doença moderna?

Davidson - Você lembra dos sete pecados capitais? Pois bem, tem um que foi criado por causa da depressão: a preguiça ou melancolia.  Eles não entendiam porque algumas pessoas ficavam dentro de casa, não queriam sair, ficavam desanimadas, se sentiam desinteressadas de tudo, não se alimentavam direito, nem dormiam.  Na época achavam que era alguma coisa do demônio.

DL - Cientificamente falando, o que é a depressão?

Davidson - Ocorre uma alteração cerebral do humor, ou seja, humor depressivo, rebaixado. Segundo a visão da medicina tradicional, a resposta de tudo tem que estar no corpo físico, então descobriram uma proteína no cérebro que se chama 5HT1A. Essa proteína é o receptor da serotonina, que é o principal hormônio envolvido no nosso humor. É possível senti-lo quando fazemos alguma atividade física, ou aquela sensação relaxante após o banho. Para a serotonina funcionar você precisa da proteína 5HT1A porque é ela que metaboliza a serotonina. A maioria dos remédios antidepressivos vai atrás dessa proteína porque alguns estudos mapearam que pessoas depressivas possuem uma carga muito alta dela no cérebro, ou seja, ela metaboliza a serotonina em excesso, a ponto do relaxamento saudável tornar-se preguiça, desânimo e ­depressão. 

DL – E como a terapia regressiva enxerga essa alteração ?

Davidson - Do ponto de vista da hipótese da reencarnação, a gente não considera a depressão como uma doença porque esse desarranjo da química cerebral não é a causa, é sintoma, então a causa está mais atrás. Nós consideramos a depressão como um distúrbio de personalidade. Então, geralmente as pessoas depressivas apresentam traços de personalidade que a gente chama de traços de personalidade pré-mórbida. Por exemplo, pessoas depressivas são muito prepotentes, elas gostam das coisas do jeito delas, não têm habilidade cognitiva e comportamental para lidar com a contrariedade, então vem o sentimento da raiva.  No fundo, todos somos assim, mas cada um lida de um jeito com as situações da vida e este é o segredo. Quanto a raiva, existem dois tipos: a heteroagressiva e a autoagressiva. O heteroagressivo é aquela pessoa que joga a raiva para fora, que explode, que briga – essa nunca vai ficar depressiva. Já o depressivo é aquela pessoa que pega a raiva que sente e engole. Ele internaliza a agressividade. Isso faz com que ele vá entrando num estado de baixa autoestima e de auto desvalorização. Aí ele começa a produzir a proteína 5HT1A, que estimula a metabolização da serotonina. Então, começam a surgir a apatia e a tristeza, que na verdade é raiva, raiva da vida e de vários fatores. A culpa ­sempre é dos outros e nunca dele mesmo. Você quer curar a depressão? Então precisa se ­modificar.

DL – O paciente chega a perder a consciência durante a sessão?

Davidson - Não, ele continua consciente o tempo todo da regressão e com domínio da situação. O método faz com que a pessoa consiga acessar a memória inconsciente através do relaxamento e algumas técnicas de indução verbal para que as histórias se descrevam. A partir da consciência, ela reflete e vê o que precisa mudar em seu comportamento. A terapia ajuda a pessoa a se tornar resiliente.

DL – Para fazer a terapia regressiva é necessário ser espírita?

Davidson - Não, mas geralmente, quando a pessoa procura esse método é porque ela acredita em reencarnação.

DL – Quantas sessões são necessárias?

Davidson - Aproximadamente seis meses a um ano, o que dá em torno de dez a 12 sessões de regressão, sempre ­quinzenais.

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