Santos

Papo de Domingo: '65% dos aprendizes contribuem para o sustento da família'

Em tempos de crise econômica, o papel da instituição é ainda mais importante: um levantamento recente feito com os aprendizes apontou que 30% dos jovens são responsáveis integralmente pelo sustento de suas famílias

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15 ABR 2018Por Rafaella Martinez13h50

À frente do CAMPS há dois anos, o advogado e empresário Elias Júnior, de 35 anos, foi reeleito como presidente da entidade para o biênio 2018-2020. Quando assumiu a instituição, em 2016, tinha um importante desafio: melhorar e ampliar o atendimento aos jovens aprendizes, sem deixar de lado a história e a tradição da entidade.

Em tempos de crise econômica, o papel da instituição é ainda mais importante: um levantamento recente feito com os aprendizes apontou que 30% dos jovens são responsáveis integralmente pelo sustento de suas famílias e outros 35% possuem apenas um membro da família empregado no mercado formal e também contribui consideravelmente para o orçamento familiar. 

Neste papo de domingo, o advogado Elias Júnior - que divide os afazeres do seu escritório com a presidência do CAMPS – fala mais sobre o trabalho desenvolvido pela entidade. Confira:

Diário do Litoral - Qual a importância do CAMPS para a Cidade?
Elias Júnior – O CAMPS já praticava o que prevê a Lei da Aprendizagem antes mesmo da legislação existir. Tenho lido as atas da fundação do CAMPS e o material dos primeiros anos de existência, e cada vez mais me identifico com o ideal dos fundadores. Há 50 anos, eles pensaram num projeto para tirar os jovens das ruas com a ferramenta do trabalho. E as pessoas que passam por aqui consideram o programa fundamental em suas vidas. Têm uma gratidão enorme por esse projeto. A entidade consegue atingir o objetivo, que é mostrar que o trabalho dignifica o ser humano.

Por isso, o CAMPS me traz um sentimento de gratidão enorme, de poder dedicar uma parte do meu tempo para um programa tão importante, como voluntário, e ajudar a transformar a vida de pessoas.
 
Diário do Litoral – Uma recente pesquisa apontou que 30% dos jovens do CAMPS são responsáveis pelo sustento de suas famílias. O número aponta uma importância do trabalho desenvolvido pela entidade, certo?
Elias Júnior – O mapeamento inédito foi feito ano passado e apontou que 30% dos jovens estão com os pais desempregados e são as únicas fontes de renda das famílias. Além disso, outros 35% possuem apenas um membro da família trabalhando no mercado formal e contribuem consideravelmente para o sustento de uma casa onde moram em média cinco pessoas. Podemos garantir então que 65% dos jovens do CAMPS entre 15 e 17 anos contribuem fundamentalmente com a renda da casa. O que era para ser um complemento se tornou renda sólida em tempos de crise econômica. Isso só reforça a importância da instituição na formação desses jovens.

Diário do Litoral – Há o mapeamento de onde vivem esses jovens?
Elias Júnior – A principal seleção do CAMPS é a partir do critério socioeconômico. Trabalhamos essencialmente com jovens em situação de vulnerabilidade e hoje 90% dos nossos aprendizes moram nos Morros e na Zona Noroeste, recebendo um salário mínimo ou R$ 650,00 quando trabalham no esquema hora/atividade. Já passaram mais de 100 mil jovens

Diário do Litoral - Quais as principais melhorias e mudanças conseguiu implementar na sua gestão?
Elias Júnior - Melhoramos todos os serviços de atendimento direto aos jovem. Na alimentação, tenho o maior orgulho em dizer que hoje oferecemos refeição de primeira linha aos jovens, balanceada e de qualidade. A solenidade de formatura, que representa uma conquista para muitos eles e mostra que eles são capazes, foi valorizada e incrementada. Conseguimos aumentar o número de vagas para os interessados em ingressar no CAMPS. Melhoramos a capacitação dos jovens, que já entram nos quadros da empresas com habilidades diferentes. Ampliamos o atendimento odontológico para os jovens e seus familiares. E toda a identidade visual do CAMPS foi mudada, ficou mais moderna e ajudou a fortalecer o institucional da entidade. 

Diário do Litoral – E em relação aos espaços já existentes?
Elias Júnior – Otimizamos todos, tendo visto o aumento do número de beneficiados, de 600 para 900, e adaptamos esses locais em novas salas de aula. Colocamos novo mobiliário, com tecnologia e projetores, para que as aulas sejam mais ­dinâmicas.
Também aprovamos os projetos para a construção da nova sede, um novo edifício, com seis andares, que abrigará salas de aula, departamento administrativo e um centro poliesportivo.
 
Diário do Litoral - Nos últimos meses, algumas ferramentas fizeram o CAMPS se aproximar ainda mais dos jovens, fale um pouco delas.
Elias Júnior - Melhoramos a nossa comunicação via redes sociais, através do Facebook, e isso tem sido muito importante para podermos dialogar melhor com o jovens, ter uma interação e participação deles. E vendo esse resultado positivo, decidimos criar o MinutoCAMPS, um canal no Youtube onde eles participam e ficam por dentro das novidades, além de modernizar o nosso site para deixá-lo mais atrativo.
 
Diário do Litoral - Quais os desafios para 2018?
Elias Júnior - Os desafios agora são tirar do papel o projeto da nova sede, e chegar a 3 mil vagas a curto prazo e a 5 mil a médio prazo. Nossa ideia é transformar o CAMPS em um grande centro de treinamento, qualificando esses jovens prontos para a revolução digital que estamos vivendo. É diversificar a atuação e inserir a tecnologia na vida desse jovem, dentro desse contexto do primeiro emprego.

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