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“Já Perdemos quase 1 bilhão na Saúde”

RECURSOS. Jornalista e consultor em gestão pública, Rodolfo Amaral faz duras críticas ao Governo Estadual

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16 JUL 2017Por Carlos Ratton11h30
Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Numa postagem via redes sociais esta semana, o jornalista e consultor em gestão pública Rodolfo Amaral fez questão de desconstruir um discurso que há anos vem sendo propagado por membros do Executivo e Legislativo Santista: que o Município é penalizado na saúde por atender cidadãos das cidades vizinhas. “Não se justificam as reclamações da Prefeitura de Santos de, ao receber pacientes de fora, teria o atendimento comprometido. Em Bertioga houve um crescimento de internações de mais 2,23%; em Guarujá, de (2,28%); em Praia Grande (7,45%); e, em São Vicente, de (8,85%). Santos caiu o número de internações”. Confira a entrevista:

Diário do Litoral -  Santos atende um volume grande, mas recebe por isso?
Rodolfo Amaral -
  A chamada média e alta complexidade está nos hospitais de Santos. Portanto, Santos não está sendo penalizado e nem está fazendo favor algum em receber pacientes de fora porque recebe um teto maior do que as demais cidades da região. A legislação exige que os municípios destinem no mínimo 15% do orçamento à área da Saúde. Santos, em média, destina 19%. A média brasileira é 24%. São Vicente já chegou a destinar 35%. Ou seja, o esforço dos municípios da Baixada é maior do que o de Santos, que tem 61% de sua população com plano de saúde particular. No ponto de vista de internações hospitalares, o santista depende menos dos hospitais. Esse discurso que, por causa da crise, as prefeituras estão enviando pacientes para Santos, é mentira.  

Diário – E a atenção básica?
Amaral –
Até podemos atender muita gente porque temos policlínicas espalhadas por todos os bairros e o cidadão que trabalha no Município ou está em trânsito as utiliza. Mas há, inclusive, uma grande injustiça. O Guilherme Álvaro acaba atendendo mais pessoas de Santos e São Vicente por conta da localização, em detrimento as demais cidades da Baixada.

Diário – O senhor fez um levantamento também sobre as 17 regionais de Saúde do Estado e se surpreendeu com a diminuição de atendimentos
Amaral –
Fiz uma comparação entre janeiro a maio do ano passado com o mesmo período deste ano, porque o Governo do Estado começou a propagar que fez investimentos no Hospital de Itanhaém e dos Estivadores. Detectei que nos cinco primeiros meses deste ano, nossa região obteve o segundo pior resultado do Estado em internações, com uma queda de 9,15% no número de pacientes internados. A redução de 2.872 internações foi provocada por Santos, com diminuição de 1.346%, sendo 933 casos sob gestão municipal e 413 sob a tutela do Estado.

Diário – Qual nossa colocação?
Amaral -
Só fomos um pouquinho melhor do que a Regional de Saúde de Araçatuba, onde a queda alcançou 9,62%. Na média estadual o índice de redução de internações ficou limitado a 0,75%. Excluindo Cubatão, onde o hospital local ficou fechado neste período, a maior queda ocorreu em Santos (-9,33%), seguido de Itanhaém (-5,42%). Ganhamos um novo hospital (Estivadores), mas diminuímos as internações. O Guilherme Álvaro também fez 413 internações a menos.

Diário – E o hospital regional de Itanhaém?
Amaral –
A queda foi de 5,52%.      

Diário – O senhor acredita que há um equívoco com relação à busca de recursos?
Amaral –
O prefeito de Santos esteve buscando mais recursos para os Estivadores enquanto existe um hospital parado em Cubatão, outro em Mongaguá e um terceiro em Peruíbe. Ora, qual é a prioridade do Governo do Estado? Beneficiar amigos ou a população? O Governo de São Paulo tem um dívida enorme com a região e precisa investir mais na saúde da Baixada. Somos 4% da população, da economia e dos eleitores do Estado e na hora de dividir a verba da saúde somos 1,5%. O governador e o secretário Davi Uip tem que descer a serra e explicar isso. O Governo do Estado deve, no mínimo, R$ 459 milhões para a região.

Diário – O Estado apresenta números de investimentos?
Amaral –
Sim e absolutamente sem nexo e no patamar do deboche. Informa que investiu R$ 420 milhões nos hospitais e é mentira, foram R$ 333 milhões. Divulga que foram R$ 100 milhões nos filantrópicos e eu faço consultoria em dois deles e não vi esse dinheiro chegar. É preciso acabar com esse discurso. Todos os deputados e prefeitos têm os dados levantados por mim, extraídos de documentos públicos. De 2007 até hoje, perdemos quase um bilhão (988 milhões) na área da Saúde. Quantas pessoas não morreram por falta de uma ação regional. Quero ver a coragem dos representantes de pedir explicações públicas do Governo do Estado. Nossa região está em xeque na área da Saúde.

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