Débitos prefeituras

'É preciso que os pais denunciem a exclusão'

Advogado revela que lutar pelo filho autista e a inclusão de todas as crianças especiais é sua razão de viver

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11 FEV 2018Por Carlos Ratton17h40
Cahuê Alonso Talarico, advogado.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Advogado, professor e presidente da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santos, Cahuê Alonso Talarico, pai de um autista, revela que lutar pelo filho e a inclusão de todas as crianças especiais é sua razão de viver. Confira a entrevista:

Diário – A batalha é árdua?
Cahuê Talarico – Sim, principalmente para que as crianças com deficiência sejam efetivamente incluídas nas escolas particulares que, geralmente, não atendem por conta da questão financeira. Não querem gastar com reformas que permitam acessibilidade arquitetônica. Não querem colocar rampas, balcões mais baixos, eliminar degraus e outras coisas básicas. A inclusão também não ocorre nas escolas públicas.

Diário – As barreiras físicas acabam sendo também psicológicas?
Talarico – Sim. Para quem vive a realidade do deficiente, você não proporcionar acessibilidade física já dá entender ou simboliza que o cadeirante, por exemplo, não é benvindo na escola. No mínimo, deixa claro que se o deficiente quiser estudar terá que aceitar a situação e se virar. 

Diário – Isso ocorre em vários locais.
Talarico – Temos denúncias até de universidades em que o cadeirante está sendo carregado por conta de elevador quebrado. Outras com sérios problemas de acessibilidade. Estamos pensando em levar tudo para o Ministério Público Federal. 

Diário – Com relação às escolas, o que você está fazendo?
Talarico – Enviando questionário para todas. Depois, vamos verificar in loco se o que elas respondem faz sentido. É um trabalho da OAB em parceria com o Ministério Público que poderá, ou não, judicializar a questão em caso de ­resistência.   

Diário – Qual será o passo seguinte?
Talarico – Vamos dar um prazo para as adaptações necessárias com cronograma de obras. Com relação à barreira atitudinal, dependemos dos pais. É preciso também saber se o material didático também é inclusivo. Precisamos ter certeza que o aluno não está sendo prejudicado. É preciso que os pais denunciem a exclusão. Não pode ter medo. Só chega denúncia de escola pública, particular não chega. 

Diário – Quanto tempo você acredita que ainda vai demorar para que as pessoas se conscientizem? 
Talarico – A lei de inclusão existe, mas não vivemos  uma sociedade inclusiva. A exclusão é uma realidade em todos os locais, infelizmente. Os cinemas não são adaptados totalmente. Um autista, por exemplo, não consegue assistir o filme, principalmente o quem tem mais sensibilidade auditiva e visual. Temos uma parceria com o Grupo Acolhe Autismo e o que promove a Sessão Azul, mas as sessões ainda não abrangem todos. O deficiente auditivo, por exemplo, não conta com legenda ou a janelinha de libras. Também não tem autodescrição para o deficiente visual. 

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