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Caso Rhodia: ‘Herança tóxica' sem destino

Técnico ambiental garante que não existe solução, pelo menos a curto prazo, para destinação de resíduos

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03 DEZ 201211h51

A decisão do governo da Bahia em determinar que a empresa de soluções ambientais Cetrel Lumina suspenda o transporte e a queima de material tóxico enviado de Cubatão à Camaçari, pela Rhodia, sob argumento da necessidade de novos testes para confirmar a segurança da operação pode ser um sinal de problemas para a multinacional francesa. 

Esta semana, o técnico ambiental e coordenador da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO) – órgão que reúne ex-funcionários da empresa francesa - Jeffer Castelo Branco, garante que não existe solução, pelo menos a curto prazo, para acabar com a contaminação por hexaclorobenzeno (HCB) e as demais substâncias químicas, herança deixada pela Rhodia no Polo Industrial de Cubatão e imediações, nas últimas décadas. 

“Desde 2004, a Rhodia vem tentando levar os resíduos para a Bahia  porque o governo de lá utiliza a legislação federal, que é mais flexível. A empresa não está conseguindo queimar os resíduos em São Paulo e quer transferir o problema para Camaçari”.
 
O técnico explica que a queima não é a melhor tecnologia para eliminar o produto do meio ambiente, pois produz um residual de 90% que permanece no solo.
 
Jeffer Castelo Branco, garante que não existe solução para acabar com a contaminação por hexaclorobenzeno (Foto: Luiz Torres/DL)
 
Pressão da Bahia é grande
 
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado baiano, a suspensão atende à solicitação do grupo de deputados, vereadores e ambientalistas que se reuniram com o secretário da pasta, Eugênio Spengler. A autorização na Bahia foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
 
O Inema e a Companhia de Tecnologia do Estado de São Paulo (Cetesb) tinham autorizado a Rhodia a transferir para Camaçari 760 toneladas por ano das cerca de 5 mil toneladas de material contaminado que, há décadas, a Rhodia mantém armazenada no terreno de Cubatão, onde, até 1993, funcionava sua fábrica. 

Outras 33 mil toneladas de material semelhante permanecem à espera de uma solução definitiva armazenados em um terreno de São Vicente. 

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