Brasil registra baixa adesão de grávidas a vacinas recomendadas

Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde no lançamento de uma campanha específica voltada a elas, em uma iniciativa da SBIm

8 MAR 2018 • 20h35
O Brasil registra baixa adesão de grávidas a vacinas recomendadas - Agência Brasil

Proteção a doenças que podem ser perigosas para mães e bebês, vacinas como as contra gripe e coqueluche registram baixa adesão entre gestantes no país. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde no lançamento de uma campanha específica voltada a elas, em uma iniciativa da SBIm ( Sociedade Brasileira de Imunizações).

Um dos indicadores mais preocupantes é o da cobertura vacinal da tríplice bacteriana, que protege contra coqueluche, difteria e tétano. É preciso tomar uma dose a cada gestação, a partir da 20ª semana.

Os dados do Ministério da Saúde mostram, porém, que apenas 38% das grávidas no Brasil tiveram essa precaução, quando o esperado seria 95%.

O baixo índice se reflete em infecções entre as crianças, já que a imunização da mãe ajuda a proteger o filho.

Dos 2.955 casos de coqueluche registrados no Brasil em 2015 (dados mais recentes), 63% aconteceram em menores de um ano. Trinta dos 35 óbitos foram de bebês de menos de três meses.

No caso da gripe (influenza), a meta é imunizar 90% das gestantes, mas apenas 79% estão protegidas no país, segundo o Ministério da Saúde.

Em São Paulo, o índice cai a 69%. Para Carla Domingues, chefe do Programa Nacional de Imunizações, a explicação é a baixa circulação da doença no estado no ano passado. "Em ano com baixa sazonalidade, as pessoas não buscam a vacina, é preciso mudar essa postura", diz.

A baixa procura preocupa porque gestantes têm mais risco de contrair formas graves da gripe, assim como mulheres que acabaram de parir ou de sofrer um aborto.

Domingues ressalta que a vacina para evitar esse risco pode ser tomada em qualquer fase da gravidez.

No caso da hepatite B, também há baixa cobertura. Embora não haja uma estatística específica para gestantes, os dados mostram que apenas 68% das mulheres de 20 a 29 anos são imunizadas contra a doença. Entre as de 30 a 39, o número cai para 38%.

Para tentar melhorar esses indicadores, serão distribuídos folhetos em postos de saúde, com a informação de que as vacinas são importantes tanto para as mães como para os seus bebês, que, no início da vida, só contam com os anticorpos transmitidos pela placenta ou pelo leite materno.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Isabella Ballalai, muitas mulheres deixam de se proteger por temores infundados de que a imunização pode fazer mal, e por falta de informação dos médicos.

Ela esclarece que as vacinas indicadas na gravidez não são feitas de vírus vivo e, portanto, não oferecem perigo. São elas as para influenza, hepatite B, dupla e tríplice bacteriana.

Já as feitas com vírus vivo, como a de febre amarela e a de sarampo, devem, em regra, ser evitadas pois, ao menos em tese, podem trazer risco para o bebê. Ainda assim, em situações de surto, elas podem ser indicadas para públicos específicos.

É o caso, por exemplo, da imunização contra febre amarela. No calendário da SBIm, ela passou de contraindicada para indicada "em situações especiais", como, por exemplo, a de uma mulher que vive em um sítio onde houve morte de macacos pela doença.

A orientação, nesse caso, é feita porque se considera que o risco de ela pegar a doença é maior do que o de o bebê contrair o vírus vacinal –pesquisas mostram que isso não ocorreu com mulheres que não sabiam estar grávidas e foram vacinadas. No geral, porém, o ideal é evitar, pois há um "risco teorico" de a transmissão para o feto ocorrer, explica Ballalai.