Atentado com 'ambulância-bomba' mata ao menos 64 pessoas em Cabul

O Taleban assumiu a responsabilidade pela explosão, uma semana depois de reivindicar um ataque ao Hotel Intercontinental em Cabul, no qual mais de 20 pessoas foram mortas.

28 JAN 2018 • 05h25

Uma bomba escondida em uma ambulância matou ao menos 64 pessoas e feriu cerca de 151 em um ponto de controle da polícia na capital afegã, Kabul, neste sábado (27), em uma área perto de embaixadas estrangeiras e edifícios governamentais, informou o Ministério da Saúde Pública.

O Taleban assumiu a responsabilidade pela explosão, uma semana depois de reivindicar um ataque ao Hotel Intercontinental em Cabul, no qual mais de 20 pessoas foram mortas.

"É um massacre", disse Dejan Panic, coordenador da ONG italiana Emergency para o Afeganistão, que administra um hospital de trauma localizado nas proximidades.

Edifícios a centenas de metros de distância foram abalados pela força da explosão, que deixou vários corpos espalhados na rua, perto de escombros e detritos.

O porta-voz do Ministério da Saúde Pública, Wahid Majroh, confirmou o número de mortos e informou que os feridos estavam sendo levados para hospitais da cidade e mais vítimas ainda estavam sendo socorridas.
Mirwais Yasini, membro do parlamento afegão, estava próximo ao local quando a explosão ocorreu e disse que a ambulância se aproximou de um escritório do Conselho da Alta Paz e de várias embaixadas estrangeiras, e explodiu.

Ele afirmou ainda que várias pessoas ajudaram algumas feridas a caminhar quando as ambulâncias ainda atravessavam as ruas cheias de trânsito do centro da cidade para prestar os primeiros-socorros.
Nasrat Rahimi, porta-voz do Ministério do Interior, confirmou o ataque.

ESTADOS UNIDOS

O ataque deste sábado aumentará a pressão sobre o presidente Ashraf Ghani e aliados dos Estados Unidos, que expressaram uma crescente confiança de que uma nova estratégia militar -mais agressiva- conseguiu expulsar os insurgentes talebãs dos principais centros provinciais.

Os EUA intensificaram sua assistência às forças de segurança afegãs e aumentaram os ataques contra os talebãs e outros grupos terroristas, com o objetivo de quebrar um impasse e forçar os insurgentes a negociar.
No entanto, os talebãs rejeitaram as informações de que foram enfraquecidos pela nova estratégia e os últimos ataques demonstraram sua capacidade de montar ataques mortais e de alto perfil.