Sarney nega que tenha vetado Pedro Fernandes para ministério

Segundo a assessoria de imprensa dele, Sarney disse que não foi nem mesmo consultado pelo presidente Michel Temer sobre a nomeação do parlamentar

2 JAN 2018 • 21h29
Sarney disse que não foi nem mesmo consultado pelo presidente Michel Temer sobre a nomeação do parlamentar - Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-presidente José Sarney negou nesta terça-feira (2) que tenha vetado a nomeação do deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA) para o comando do Ministério do Trabalho.

Segundo a assessoria de imprensa dele, Sarney disse que não foi nem mesmo consultado pelo presidente Michel Temer sobre a nomeação do parlamentar.

Em mensagem, enviada a correligionários, Fernandes disse mais cedo que não tomará posse devido "ao embaraço" que ele poderia criar na relação entre Temer e Sarney.

Segundo a reportagem apurou, Sarney não referendou o nome do parlamentar, que é alinhado com o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB.

Sem o aval do ex-presidente, Temer pediu ao PTB que indique outro nome. Fernandes recebeu a notícia na manhã desta terça-feira (2) do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

A decisão do presidente causou desconforto na bancada do PTB na Câmara dos Deputados. "Não aceitamos outra indicação. A indicação do Pedro Fernandes é a do partido", disse o líder, Jovair Arantes (PTB-GO).

Com a recusa a Fernandes, o PTB avalia o nome do deputado federal Sérgio Moraes (RS), que não deve ser candidato na disputa eleitoral do ano que vem.

Ele chegou a ser sondado após a saída do ex-ministro Ronaldo Nogueira, mas na época recusou. Na bancada do partido, contudo, há a expectativa de que agora ele aceite.

Em 2009, Moraes causou polêmica ao dizer que estava "se lixando para a opinião pública", quando defendeu o ex-deputado federal Edmar Moreira (sem partido-MG). Ele era o relator no conselho de ética de acusação contra o mineiro de apresentar notas falsas ao justificar o uso de verba indenizatória.

O ex-ministro Ronaldo Nogueira deixou o cargo na semana passada para disputar cargo de deputados federal nas eleições do ano que vem.

No mesmo dia em que saiu da pasta, ele publicou nova portaria sobre a definição de trabalho escravo, que deixa mais rígidas as definições do que leva à punição do empregador.