No coração do Porto, uma casa para o circo

É ali que um ‘bando’ de artistas circenses buscam ressignificar o canal ‘circo’ (5)

4 DEZ 2017 • 10h32
‘O Bando’ busca ressignificar o canal cinco com a instalação de uma escola de arte: a Porto Circense - Rodrigo Montaldi/DL

Um abrigo munido de instalações necessárias para o embarque e o desembarque de algo. Assim, usando o mesmo significado dado para a palavra ‘Porto’, é possível definir o galpão recém-reformado quase na esquina da Avenida Almirante Cochrane com a Avenida Mário Covas, no Estuário. É ali que um ‘bando’ de artistas circenses busca ressignificar o canal ‘circo’ (5) e promover um intercâmbio cultural a partir da instalação de uma escola: a ‘Porto Circense'.

O projeto é a extensão da oficina de circo inaugurada em 2012 na Vila do Teatro, ocupação cultural em um imóvel histórico no Centro de Santos que nasceu após o fechamento da Cadeia Velha. E como a origem de boa parte da arte local passa pela Cadeia, veio também dela o palhaço que encabeça a Porto Circense: Sidney Herzog.

“Fiz parte de um projeto de capacitação em circo na Cadeia Velha e todo o meu trabalho desde então foi pautado nessa formação que recebi lá atrás, em um projeto vivo e que deu bons resultados. Acredito que isso é fundamental: a continuidade do trabalho, seja para o aperfeiçoamento pessoal ou para gerar frutos e mudar realidades por meio da arte. A Porto Circense será inaugurada tendo em seu corpo técnico muitas pessoas que chegaram à Vila como alunos”, afirma.

Exemplo de quem teve a vida impactada pela arte é o jovem Pablo Bailloni, de 19 anos, que chegou ao circo, acompanhado de um amigo, aos 14. “Hoje a arte é mais do que uma paixão: é o meu sustento e por meio dela pude conhecer lugares e pessoas extraordinárias. Como comecei cedo, quando cheguei na idade de ter que ganhar dinheiro para viver eu já dominava o circo”, conta.

A Porto Circense será equipada com todos os instrumentos necessários para o aperfeiçoamento circense: do iniciante ao mais avançado. O custa das oficinas e dos materiais para manter o espaço será compartilhado, devendo não ultrapassar o teto de R$20.

O espaço foi construído e reformado pelo empresário Mario Silva que sempre imaginou ali um lugar de fomento e fruição de arte. “Me chamaram de louco quando quis construir esse prédio, que possui uma laje muito reforçada e suporta 500 kg por metro quadrado. Mas eu sempre sonhei em fazer deste prédio um espaço cultural. Na fundação, eu enterrei alguns objetos pessoais para dar força a esse sonho e quando conheci o pessoal, senti que mesmo sendo jovens artistas, a bagunça era organizada” conta Silva, proprietário da sede do Porto Circense.

A ponte desse encontro foi o produtor cultural Raphael Neves, que conheceu Mario e firmou a parceria, que consistia em encontrar um grupo de artistas para gerir o espaço. Neves já conhecia O Bando de trabalhos anteriores. O reencontro e o convite aconteceram durante um treino na Praça Rubens Martins. 

“O prédio tem dois andares, no piso térreo, um espaço pronto para realizar eventos nos mais variados formatos, ainda tem uma área no 2º andar, que é perfeita para atividades de acrobacia aérea e muito mais” explica Bailoni.

“Lutamos sim para que a arte pública tenha verba pública para se manter, mas até que alcancemos os resultados dessa luta precisamos existir enquanto artistas. Queremos envolver toda a comunidade do entorno do galpão e todos os artistas circenses que hoje não encontram outro espaço do gênero na região para trocas. Faremos isso de uma forma que seja acessível”, pontua Herzog.