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Trump diz que discutiu criação de unidade de cibersegurança com Putin

A declaração foi dada no momento em que os Estados Unidos investigam uma possível intervenção de Moscou no pleito presidencial de 2016

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10 JUL 2017Por Folhapress00h30
Trump disse que discutiu a criação de uma unidade de cibersegurança com PutinFoto: Associated Press

O presidente Donald Trump disse, neste domingo (9), que discutiu com o colega russo, Vladimir Putin, na reunião da última sexta (7), a criação de uma "unidade de cibersegurança" para vigiar a possível interferência de hackers em eleições e "outras coisas negativas".

A declaração, no momento em que os Estados Unidos investigam a intervenção de Moscou no pleito presidencial de 2016, revoltou democratas e republicanos críticos a Trump.
"Eu acho que o Vladimir Putin pode ser de grande ajuda neste esforço, já que é ele que está hackeando", disse o senador republicano John McCain ao programa "Face the Nation", da rede CBS.

O também senador republicano Marco Rubio, que disputou a candidatura do partido à Presidência com Trump em 2016, disse que "uma parceria com Putin em uma 'unidade de cibersegurança' é como uma parceria com [o ditador sírio Bashar al Assad] em uma 'unidade de armas químicas'".

Outro republicano crítico a Trump, o senador Lindsey Graham, afirmou ao programa "Meet the Press", da NBC, que essa não era a ideia mais idiota que ele já tinha ouvido, mas que "chegava bem perto". "[Trump] está ferindo sua Presidência ao não admitir o fato que Putin é um cara mau", disse.

Ao falar pela primeira vez sobre o encontro com Putin, Trump disse ter "pressionado fortemente" o presidente Putin duas vezes sobre se houve interferência de Moscou nas eleições.

"Ele [Putin] negou veementemente. Eu já dei minha opinião", escreveu o presidente na manhã deste domingo.

Após o encontro, os dois governos deram versões diferentes para a conversa. Enquanto Putin disse, no sábado (8), ter sentido que Trump aceitou sua explicação de que seu governo não se envolveu no pleito, assessores do presidente americano tinham dito à CNN que ele não comprou a versão do líder russo de que não houve interferência.

Na véspera da reunião, numa coletiva de imprensa com o presidente polonês, Andrzej Duda, Trump havia afirmado que a Rússia "poderia muito bem" ter interferido nas eleições. "Mas eu também acho que podem ter sido outros países, então não vou ser específico. Ninguém sabe ao certo", disse.

Em um relatório tornado público em janeiro, a CIA (inteligência americana), o FBI (polícia federal) e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional já mostravam que serviços de inteligência russos tinham invadido vários sistemas de computadores ligados a partidos políticos americanos.

O FBI e o Congresso conduzem investigações sobre a interferência russa e sobre a possível ligação de membros da equipe de campanha de Trump com Moscou.

Nos posts desta manhã, o presidente disse que não discutiu com Putin sobre as sanções americanas contra seu país: "Nada vai ser feito até que os problemas da Ucrânia e da Síria sejam resolvidos".

Mas Trump também celebrou o cessar-fogo na região sudoeste da Síria, acordado com a Rússia.

"Negociamos um cessar-fogo em partes da Síria, que vai salvar vida. Agora é hora de avançar e trabalhar de forma construtiva com a Rússia!", escreveu.

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