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Pressionado pela UE, líder turco ameaça liberar fluxo de migrantes

O acordo prevê que, para cada novo refugiado oriundo da Turquia que tente ingressar em algum país da UE, um requerente de asilo que já está na Europa deve retornar à Turquia

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25 NOV 2016Por Folhapress18h30

Um dia depois de eurodeputados votarem em favor da suspensão das negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE), o presidente Recep Tayyip Erdogan alertou que o país poderá abrir suas fronteiras para a saída de migrantes que buscam asilo em países europeus caso continue sendo pressionado.

"Se vocês forem mais longe, estes portões fronteiriços serão abertos. Nem eu, nem meu povo, seremos afetados por estas ameaças secas. Não importa se todos vocês aprovam o voto [do Parlamento Europeu]", afirmou Erdogan em um evento em Istambul nesta sexta-feira (25).

A declaração de Erdogan eleva as tensões entre a Turquia e a União Europeia (UE) e, na prática, representa uma ameaça ao pacto firmado com o bloco para conter o fluxo de migrantes e refugiados no Mediterrâneo.

O acordo prevê que, para cada novo refugiado oriundo da Turquia que tente ingressar em algum país da UE, um requerente de asilo que já está na Europa deve retornar à Turquia.

Desde a assinatura do pacto, em março, caiu drasticamente o fluxo de migrantes e refugiados no Mediterrâneo. A Turquia abriga mais de 2 milhões de refugiados da Síria, que vive há quase seis anos uma guerra civil, e muitos deles arriscam suas vidas no Mediterrâneo em busca de asilo na Europa.

Em troca do controle migratório na Turquia, a UE se comprometeu a repassar 6 bilhões de euros (R$ 24,2 bilhões) para Ancara e abrandou suas críticas às arbitrariedades cometidas pelo governo de Erdogan contra a oposição e os veículos de comunicação do país.

A Turquia busca há décadas incorporar-se ao bloco político e econômico europeu. Porém, as negociações entre Bruxelas e Ancara foram cercadas por incertezas diante da escalada autoritária do governo Erdogan.

Na quinta (24), o Parlamento Europeu aprovou uma medida simbólica pedindo a paralisação das negociações com a Turquia para sua adesão à UE. A decisão foi tomada devido às violações recentes aos direitos humanos promovidas pelo governo turco.

Em reação a uma tentativa frustrada de golpe de Estado em julho, Erdogan tem aprisionado e detido opositores de setores como a Justiça, a educação e a imprensa, causando atrito com países europeus e os EUA.

Mais de 125 mil pessoas já foram demitidas e 37 mil estão detidas à espera de julgamento. A estratégia é considerada pelos críticos do governo como uma maneira de aproveitar o contexto político para eliminar a dissidência.

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