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Preocupada com eleições, Merkel quer coibir notícias falsas nas redes sociais

Softwares como os "bots" são capazes de imitar o comportamento humano na internet, postando mensagens e curtindo notícias postadas

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25 NOV 2016Por Agência Brasil00h30
Merkel pediu um debate sobre o poder de notícias falsasFoto: Associated Press

Indicando um aumento da pressão da Alemanha contra as redes sociais, que Berlim quer tratar como veículos de comunicação e não mais empresas de internet, a chanceler alemã Angela Merkel atacou os "bots", programas criados para viralizar notícias falsas e influenciar a opinião pública, em seu primeiro discurso no Parlamento depois de anunciar no domingo sua intenção de concorrer à reeleição.

Merkel pediu um debate sobre o poder de notícias falsas e como esses programas podem manipular o povo. "Para atingir e inspirar as pessoas, precisamos lidar com esse fenômeno e -onde for necessário- regulamentá-lo", disse a chanceler na quarta-feira (23).

O papel que redes sociais como Facebook e Twitter desempenham na difusão de informação falsa ou maliciosa se tornou alvo de Merkel após a surpresa da eleição do republicano Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos.

Softwares como os "bots" são capazes de imitar o comportamento humano na internet, postando mensagens e curtindo notícias postadas. Alguns analistas apontam que a proliferação de notícias falsas teve peso decisivo na virada da eleição americana a favor de Trump.

Na Alemanha, onde Merkel vem sendo atacada pela extrema direita por sua política de portas abertas aos refugiados, aumenta a preocupação sobre a influência que notícias falsas podem exercer sobre os eleitores.

A chefe de Estado alemã chegou a convocar o professor Simon Hegelich, professor de estatística da ciência política, para se dirigir ao comitê executivo de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU). "Merkel está muito interessada no assunto dos 'bots', notícias falsas e discurso de ódio na internet e está muito bem informada", disse Hegelich.

Embora todos os partidos políticos alemães tenham dito que não usarão "bots" na campanha, o fato de eles serem em grande parte anônimos dificulta o trabalho de descobrir quem responde por eles. Hegelich não descarta a possibilidade de eles serem usados para desacreditar partidos ou políticos.

O responsável por segurança interior no país se mostrou preocupado com uma potencial interferência russa nas eleições alemãs com a difusão de notícias falsas. Elas têm, aliás, se tornado um modelo de negócios lucrativo. Nos Estados Unidos, blogueiros sem filiação partidária descobriram que podiam ganhar muito dinheiro replicando notícias falsas e sensacionalistas.

Algoritmos no Facebook, por exemplo, também são capazes de determinar que tipo de conteúdo aparece nas páginas de seus usuários, criando o efeito de "câmara ecoica", em que todas as postagens refletem a opinião do usuário.

Reagindo a fortes críticas por fracassar ao tentar limitar a enxurrada de notícias falsas às vésperas da eleição americana, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, divulgou estratégias para lidar com esses artigos e outros tipos de trote. Entre as medidas, está facilitar a maneira de denunciar conteúdo falso e tentativas de colaboração com organizações independentes e jornalistas para a checagem de fatos. Também há a intenção de acrescentar uma advertência a conteúdo suspeito.

O ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, disse na semana passada que iria monitorar mais de perto a forma como o Facebook reage a notícias falsas, mas disse também que medidas legais são limitadas. Ele também disse que a rede social deve ser legalmente responsável pela remoção desse conteúdo. Já Merkel chegou a propor um código de conduta para as redes sociais.

Thomas Jarzombek, o porta-voz da CDU para política digital, disse que mais transparência é necessária e pediu o apoio de jornalistas da mídia tradicional para denunciar notícias falsas e gerar debates mais informados.

Fechando o cerco contra as redes sociais, a Alemanha espera que a União Europeia siga seus passos, propondo que o bloco tente multar as redes sociais por postagens que violem a lei europeia contra a veiculação de discursos de ódio.

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