Banner Codevida

Pesquisa mostra Macri forte, mas sob pressão por resultados

60% dos entrevistados creem que os problemas da Argentina hoje estão ainda relacionados à herança da gestão kirchnerista

Comentar
Compartilhar
15 NOV 2017Por Folhapress00h30
Pesquisa de opinião mostra um aumento na aprovação do presidente argentino, Mauricio MacriFoto: Associated Press

A primeira pesquisa de opinião pública depois das eleições legislativas do último dia 22 de outubro mostra um aumento na aprovação do presidente argentino, Mauricio Macri, que aparece com 58% de imagem positiva. No pleito, a aliança do mandatário (Mudemos) aumentou o número de postos no Congresso, apesar de não obter maioria.

"Os próximos doze meses serão decisivos para Macri, porque os fatores que o mantêm em alta estarão colocados à prova", afirma Juan Germano, diretor do instituto Isonomía, um dos mais confiáveis do país.

Isso se reflete nos números da pesquisa. Apesar da alta aprovação, Macri não está cumprindo as expectativas para 22% dos eleitores e, para outros 44%, não está cumprindo, mas é porque precisa de mais tempo. Para complementar o quadro, 60% dos entrevistados creem que os problemas da Argentina hoje estão ainda relacionados à herança da gestão kirchnerista e não a falhas do presidente.

"A herança do governo anterior como justificativa para a demora da arrancada econômica serviu ao governo nesses últimos dois anos e a pesquisa mostra que as pessoas ainda têm paciência para esperar um pouco mais para que as coisas melhorem de fato. Mas o governo precisa dar respostas nos próximos meses", explica Germano.

E acrescenta: "é como se as pessoas tivessem comprado um 'drone', que não sabem bem porque não funciona, mas acham que é preciso tempo para aprender a maneja-lo, ou seja, não estão inteiramente satisfeitas, mas não acham que já seja o caso de comprar um novo, ou seja, apostar em outra força política", explica.

Os números indicam que o governo ultrapassou seu momento mais difícil, os meses entre abril e agosto de 2016, quando a inflação subiu (chegou a 40%) -agora vem baixando sutilmente, com alguns repiques. A pesquisa aponta que a maioria dos argentinos acredita na retomada econômica: 55% creem que o país vai estar melhor em um ano, 10%, que estará igual, e 28%, que vai piorar.

Do ponto de vista político, a pesquisa indica que um dos principais desafios de Macri é desconstruir o discurso da oposição, que diz que ele governa para os ricos -60% dos entrevistados confirmaram que pensam isso do presidente.

Para Germano, o modo como o mandatário e os que cuidam de sua imagem tentam desmontar essa ideia é colocando em jogo a popular governadora da Província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal.
A aliada de Macri vem de uma família de classe média baixa, e é a primeira governadora mulher de um tradicional reduto peronista e carente em termos socio-economicos.

Em dois anos de gestão, Vidal aumentou sua popularidade, hoje por cima da do próprio Macri, com 65%. Enquanto o discurso do presidente é pragmático e voltado para as medidas econômicas, Vidal o complementa, tocando seus eleitores pelo lado emocional -como fez recentemente num programa de televisão em que respondeu de forma explosiva a críticas de um apresentador kirchnerista, que depois se desculpou publicamente.

Outro dos desafios de Macri é que os líderes peronistas mais populares hoje estão com imagem positiva alta -Sergio Massa, um peronista anti-kirchnerista, tem 55%, o governador de Salta, Juan Manuel Urtubey, um peronista moderado, com 35%, e a própria Cristina Kirchner, com 39%.

Com relação à Cristina, uma curiosidade, 60% dos que se declararam seus eleitores dizem que sabem que em sua gestão (2007-2015) houve corrupção, mas que isso é menos importante do que a ajuda social que ela brindou aos mais pobres. "Cristina gera tudo, menos indiferença", diz Germano.

Para a sorte de Macri, por ora nenhum dos três estendeu a mão para aliar-se ao outro, e o peronismo fragmentado coloca o atual mandatário em boa posição para reeleger-se em 2019.

Na semana passada, durante sua viagem aos EUA, Macri mencionou a possibilidade de concorrer à reeleição pela primeira vez.

Nova geração

Uma das novidades da pesquisa é o número alto de argentinos que não se vê vinculado a nenhum partido ou ideologia política: 50%. "É um eleitorado mais pragmático", diz Germano.

Outros números ajudam a entender isso, 37% dos eleitores nasceram depois de 1983, ou seja, não viveu a última ditadura militar (1976-1983), enquanto 54% nasceram depois da morte de Juan Domingo Perón, em 1974.

Isso não significa que o peronismo e a recordação do passado militar deixaram de ser fatores importantes, mas que, pelo menos entre os eleitores mais jovens, essas referências vão deixando de ter tanta importância.

Colunas

Contraponto