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Papa apoia acordos de paz e pede que se abandone o 'desejo de vingança'

Antes do encontro privado com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, Francisco chamou a atenção para o fato de estar visitando o país 'num momento importante de sua história'

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07 SET 2017Por Folhapress22h01
Papa Francisco durante discurso na ColômbiaFoto: Associated Press

O papa Francisco iniciou o dia nesta quinta-feira (7) visitando o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na Casa de Nariño, sede do governo local.

No discurso que deu do lado de fora, antes do encontro privado com o mandatário, para um público composto de políticos, chefes militares, vítimas do conflito e crianças, o papa chamou a atenção para o fato de estar visitando o país "num momento importante de sua história".

Porém, ao referir-se especificamente à paz buscada com as guerrilhas as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), com quem já foi aprovado um acordo, e com o ELN (Exército de Liberação Nacional), em negociação era preciso ter paciência e persistência.

"A busca da paz é um trabalho contínuo e sempre em aberto. É preciso deixar de lado os sentimentos de curto prazo, como o da vingança, para atingir o objetivo principal." A frase soou como um recado para aqueles que atacam os acordos porque creem que as anistias são injustas e que aqueles que cometeram crimes devem ser punidos com prisão -os tratados preveem apenas penas reparatórias.

"É muito o tempo passado no ódio e na vingança. A solidão de estarem sempre enfrentados já se contam por décadas e cheira a cem anos. Não queremos que qualquer tipo de violência restrinja ou anule nem uma vida a mais. Vim até aqui dizer isso a vocês e reafirmar que não estão sozinhos neste esforço."

Protocolo

Como é de costume, Francisco descumpriu o protocolo quando algumas crianças, portadoras da síndrome de Down, saltaram de suas cadeiras e correram para abraça-lo. O papa pediu que os seguranças deixassem que todas viessem e as abençoou calmamente, demorando o início da cerimônia. Depois, as mencionou em seu discurso.

"Nossa mensagem de paz passa por considerar que todos são importantes. E essas crianças que quebraram o protocolo hoje, transformando essa cerimônia em algo mais humano, mostram isso, que todas as vidas humanas são importantes."

O papa Francisco encerrou seu discurso voltando a falar da luta contra a violência armada. Assim como já haviam feito em outras ocasiões o próprio Santos e o líder das Farc, Rodrigo "Timotchenko" Londoño, o papa usou uma frase do discurso de aceitação do Nobel por parte do escritor local Gabriel García Márquez (1927-2014), em 1982, no qual este dizia que sonhava com "uma nova e arrasadora utopia de vida, onde ninguém possa decidir por outros até a forma de se morrer, onde o amor seja verdadeiro e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham por fim e para sempre uma segunda oportunidade sobre a terra."

Depois, o papa apareceu num balcão que dá para a Plaza Bolívar e falou às mais de 25 mil pessoas, segundo a organização, que estavam ali. Muitos haviam vindo de vários Departamentos do país. "Pelo barulho que escuto, sinto que nessa praça há muitos jovens, porque só jovens fazem essa bagunça", disse, sendo muito aplaudido. Acrescentou que os jovens também eram responsáveis pela paz. "Que as dificuldades não os oprimam, que a violência não os derrube, porque o mal não pode vencer".

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