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Oposição a Trump inventou participação russa na eleição, diz Putin

Segundo o líder russo, a investigação sobre a participação russa na eleição serve apenas para prejudicar o próprio sistema democrático americano

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14 DEZ 2017Por Folhapress19h31
Segundo o líder russo, a investigação sobre a participação russa na eleição serve apenas para prejudicar o próprio sistema democrático americanoFoto: Associated Press

O presidente russo Vladimir Putin disse nesta quinta-feira (14) que as alegações de que a Rússia teria manipulado as eleições dos Estados Unidos para favorecer Donald Trump foram "inventadas" por adversários domésticos do americano.

Segundo o líder russo, a investigação sobre a participação russa na eleição serve apenas para prejudicar o próprio sistema democrático americano.

"Tudo foi inventado por pessoas que se opõe ao presidente Trump para prejudicar sua legitimidade" disse ele. "Eu fico confuso. Pessoas que fazem isso estão ferindo a situação política doméstica, incapacitando o presidente e mostrando uma falta de respeito aos eleitores que votaram nele [Trump]", afirmou em sua entrevista coletiva de final de ano.

Putin disse que os contatos entre o embaixador russo nos EUA, Sergei Kislyak, com a equipe de Trump são procedimentos de rotina. A relação entre o diplomata e a campanha é parte das investigações americanas sobre a eleição.

Ele afirmou ainda que os dois veículos russos acusados de tentar manipular eleitores americanos -o canal de TV RT e a agência Sputnik- tem uma presença mínima nos Estados Unidos. Para Purin, a decisão de Washington de obrigar os dois veículos a se registrarem como agências estrangeiras são um ataque a liberdade de imprensa.

Apesar da críticas aos Estados Unidos, o russo guardou elogios para Trump, dizendo ver "avanços" no governo do colega, em especial em sua atuação nos mercados financeiros.

Putin disse ainda que espera que Trump queira melhorar a relação com Moscou e disse que os dois podem atuar juntos contra "ameaças comuns", como o terrorismo, os problemas ambientais e as crises no Oriente Médio e na Coreia do Norte.

No caso da península coreana, Putin afirmou que os Estados Unidos devem parar de provocar a ditadura de Kim Jong-un. Para o russo, uma série de sanções americanas contra Pyongyang acabou por incentivar a ditadura norte-coreana a desenvolver armas nucleares.

"Consideramos que os dois os lados têm de parar de aumentar a situação. Temos que acabar com este espiral" disse ele, que elogiou as recentes declarações do secretário de Estado americano Rex Tillerson de que o país está aberto para dialogar com Kim.

OPOSIÇÃO

Durante a coletiva, realizada em Moscou e que durou mais de três horas, Putin abordou também assuntos internos do país, que terá eleição presidencial em 2018.

Logo após dizer que vai buscar a reeleição como candidato independente, o russo criticou a oposição que, segundo ele, não tem um projeto para o país.

"Não basta fazer barulho em praças públicas e falar sobre o regime, é importante propor algo para fazer as coisas melhorarem" disse Putin. "É claro que há muitas pessoas insatisfeitas hoje, mas quando se compara o que os líderes da oposição propõe, há uma série de problemas. É preciso propor uma agenda na qual as pessoas possam acreditar."

Putin disse também que a eleição marcada para março deve ser justa e disputada, mas afirmou que não vai permitir candidatos que possam desestabilizar o país.

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