Israel espera apoio do Brasil para explorar gás no Mediterrâneo

As áreas de interesse foram discutidas entre Bolsonaro e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, em reunião na sexta (28), no Rio. Primeiro premiê de Israel em exercício a visitar o Brasil, Netanyahu veio ao país para a posse do presidente eleito, nesta

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30 DEZ 2018Por Folhapress07h22
Netanyahu pediu ao Brasil apoio na exploração de reservas de gás natural em águas no mar Mediterrâneo.Foto: Fotos Públicas

O governo israelense espera que os primeiros resultados da aproximação com o Brasil apareçam já na visita do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a Israel no primeiro trimestre de 2019. A expectativa é que a viagem renda um primeiro acordo de parcerias entre os dois países.

As áreas de interesse foram discutidas entre Bolsonaro e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, em reunião na sexta (28), no Rio. Primeiro premiê de Israel em exercício a visitar o Brasil, Netanyahu veio ao país para a posse do presidente eleito, nesta terça (1º).

Netanyahu pediu ao Brasil apoio na exploração de reservas de gás natural em águas profundas no mar Mediterrâneo. Com descobertas recentes de reservas, o país busca investimentos estrangeiros.

A Petrobras, porém, reviu nos últimos anos sua estratégia para operações no exterior, reduzindo sua presença em outros países para focar na exploração do pré-sal na costa brasileira.

Israel tem ainda interesse de abrir no Brasil mercado para tecnologias ligadas ao fornecimento de água, ao agronegócio e para segurança pública.

Embora a dessalinização de água do mar para abastecer regiões áridas tenha ganhado destaque antes da visita, o governo israelense tenta vender também tecnologias de reciclagem de água para reúso, em especial para irrigação.

O governo israelense espera que o Brasil passe a votar de forma mais alinhada a Israel e aos EUA em organismos multilaterais. A expectativa é que, após anos de alinhamento a nações em desenvolvimento, a postura brasileira mude sob Bolsonaro, com maior proximidade aos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), entidade que reúne países desenvolvidos.

A avaliação do governo israelense é que o primeiro encontro entre Netanyahu e Bolsonaro superou expectativas e pode render trocas de investimentos entre os dois países.

O ritmo das negociações, porém, depende da situação política israelense. Diante da perda de apoio político, Netanyahu dissolveu o Parlamento na véspera do Natal e antecipou as eleições de novembro para abril. Até lá, o premiê permanece no comando, mas com poder limitado, já que não pode implantar medidas que dependam de aprovação do Parlamento.

Nos encontros na sexta, Netanyahu e Bolsonaro não economizaram na troca de afagos. O brasileiro disse que o israelense é "exemplo de patriotismo e abnegação". Este, por sua vez, chegou a se referir a Bolsonaro como mito.

Além da reunião, os dois visitaram uma sinagoga na zona sul do Rio. Netanyahu convidou Bolsonaro a visitar Israel, o que segundo o presidente eleito deve ocorrer em março.

Netanyahu fica no Rio até terça de manhã, quando vai a Brasília para a posse de Bolsonaro. No Rio, ele se encontra ainda com lideranças das comunidades judaica e cristã, em reuniões neste domingo (30).

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