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Hillary e Trump cantam vitoria após debate; especialistas veem empate

Os especialistas discutiam se ele o debate foi mesmo o mais sórdido da história

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10 OUT 2016Por Folhapress13h00
Hillary e Trump cantam vitoria após debateFoto: Agência Lusa

Depois do segundo debate da atual campanha presidencial americana, neste domingo (9), especialistas discutiam se ele foi mesmo o mais sórdido da história, como classificou parte da imprensa, devido a predominância de ataques pessoais entre os candidatos, Hillary Clinton e Donald Trump.

Enquanto isso, as duas campanhas cantavam vitória.

Para um dos maiores defensores de Trump, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o desempenho do bilionário enterra de vez a hipótese de que ele poderia desistir da disputa, como pediram líderes do Partido Republicano indignados com os comentários sexistas de seu candidato revelados em um vídeo de 2005.

Ele aposta que o debate provocará uma virada na campanha a favor de Trump, a menos de um mês da eleição marcada para 8 de novembro. "O momento da campanha vai mudar assim, de uma vez", previu, estalando os dedos.

"Eu diria que foi a maior vitória na história dos debates presidenciais, porque ela não teve respostas para as perguntas mais importantes feitas por Donald Trump, particularmente os 33 mil e-mails que ela destruiu depois de receber uma intimação do Congresso", disse Giuliani à reportagem. "Ela se negou a responder, dançou para longe delas. Destruir 33 mil e-mails depois de receber uma intimação representa um crime federal, e eu já fui procurador. Quando ele disse no debate que ela poderia ir para a cadeia por isso, ninguém riu, porque todos sabem que é a verdade."

Giuliani se referia a polêmica envolvendo o uso de uma conta pessoal de e-mail por Hillary quando ela era secretária de Estado (2009-2013).

No outro lado do tumulto formado na saída do debate, o chefe de campanha de Hillary, Joel Benenson, também comemorava. "Trump foi agressivo, tentou ser ameaçador e foi incoerente. Os eleitores que ainda estão formando sua opinião querem ouvir ideias concretas. Ela foi a única que apresentou uma visão positiva", disse Benenson à reportagem, hesitando em reconhecer que este debate foi mais difícil para Hillary que o primeiro, do qual ela foi considerada a vencedora pela ampla maioria dos analistas. "Não sei se foi mais difícil. Ela e uma debatedora muito forte e se conecta muito bem com as pessoas neste tipo de debate, eu só gostaria que tivesse havido mais perguntas da plateia".

Peter Kastor, professor de história presidencial da Universidade Washington, em Saint Louis, instituição que sediou o confronto, acha que os dois debates talvez tenham sido os mais sórdidos já travados na corrida à Casa Branca, mas certamente foram os mais "amargos".

"Grande parte disso se deve ao estilo político de Donald Trump, ele e agressivo, faz provocações. O que ficou claro no debate e que são duas pessoas que não se suportam e que se sentem desrespeitados pelo outro. Suas críticas são extremamente pessoais. O mais impressionante e que eles não foram capazes sequer de um aperto de mãos no começo do debate", disse. Para Kastor, a sensação era de um empate entre os dois. Ao contrário do primeiro debate, acredita, desta vez não houve um "claro perdedor".

"No primeiro debate Hillary foi muito mais bem-sucedida em estabelecer os termos e o tom da conversa. Isso foi menos evidente neste debate. Além disso, ambos os candidatos foram capazes de passar sua mensagem a sua base de apoio", afirmou. Diante da queda livre em que Trump parecia ter mergulhado após o mais recente escândalo, seu desempenho acima das expectativas pode ser considerado um triunfo.

"Nas últimas 48 horas ouvimos pessoas dizendo que o Partido Republicano iria achar um jeito de substituir Trump, que ele desistiria da disputa ou mesmo que nem apareceria para o debate, e nada disso aconteceu.

Se uma das funções deste debate era estabilizar sua campanha, provavelmente ele foi bem-sucedido."

A corrida eleitoral estava empatada até o primeiro debate, quando Hillary levou a melhor e começou a subir nas pesquisas, abrindo uma vantagem de 4,6 pontos sobre Trump na véspera do segundo confronto, de acordo com a média do site RealClearPolitics. Uma das grandes questões para decifrar o mapa eleitoral era a reação dos chamados eleitores independentes, que não tem identificação automática com nenhum dos dois partidos. Numa campanha tão polarizada, o percentual de indecisos chegou a bater na casa dos 20%, o maior percentual dos últimos anos, o que tornou os eleitores independentes um fator ainda mais crucial que em outras eleições.

"Este debate provavelmente não mudou muito a opinião dos independentes, mas provavelmente Trump evitou a completa desintegração de sua candidatura, o que pelas circunstâncias foi um pequeno milagre", disse outro professor da Universidade Washington, o cientista político Steven Smith. "As opiniões desfavoráveis aos dois candidatos permanecem muito altas, e se o segundo debate teve algum efeito, acho que foi de aumentar a antipatia a ambos".

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