Santos joga mal na altitude do Peru e perde em estreia na Libertadores

O time brasileiro se excedeu na cautela no primeiro tempo, em razão da altitude de 3.400 metros, e esteve perto de levar uma goleada

Comentar
Compartilhar
01 MAR 2018Por Estadão Conteúdo21h23
Copete pouco criou no ataque santistaFoto: Associated Press

Apesar do embalo recente, o Santos estreou com derrota na Copa Libertadores. Com dificuldades na altitude de Cuzco, no Peru, o time de Jair Ventura foi batido pelo Real Garcilaso por 2 a 0, na noite desta quinta-feira, no encerramento da primeira rodada do Grupo F. Pela primeira vez desde que voltou ao clube, Gabriel passou em branco.

Numa atuação abaixo do esperado, no estádio Inca Garcilaso de la Vega, o time brasileiro se excedeu na cautela no primeiro tempo, em razão da altitude de 3.400 metros, e esteve perto de levar uma goleada, não fosse a falta de pontaria do rival e as boas defesas de Vanderlei.

Na segunda etapa, os brasileiros melhoraram e até tiveram oportunidades para ao menos empatar. Mas também sofreram perigos na defesa, diante da apatia do seu meio-campo e das fracas atuações de Gabriel e Vecchio. Nos instantes finais, o rival peruano buscou o segundo gol, num belo chute de Alfredo Ramúa.

Com o resultado, o Real Garcilaso despontou na liderança do Grupo F da Libertadores, com três pontos. O uruguaio Nacional e o argentino Estudiantes, que empataram na estreia, exibem um ponto cada. E o Santos ocupa o quarto e último lugar da chave, sem pontos.

O jogo

O Santos entrou em campo nesta quinta vindo de uma série de três vitórias seguidas, o que garantia ao técnico Jair Ventura seu melhor momento na equipe desde sua chegada, na primeira semana do ano. Nada disso, porém, se viu no primeiro tempo em Cuzco.

O Santos foi completamente dominado pelo Real Garcilaso nos primeiros 45 minutos de jogo. Exibindo certa cautela, em razão da altitude da cidade peruana, o time raramente passou do meio-campo, sofreu perigo constante em sua defesa e saiu de campo no "lucro" no intervalo, com a derrota parcial por 1 a 0.

Na etapa inicial, a equipe da casa teve oportunidade de golear, principalmente após abrir o placar logo aos 7 minutos. Após cruzamento da esquerda, Vidales aproveitou vacilo de Daniel Guedes na marcação e completou na área para o gol.

A melhor chance de empate dos brasileiros veio na sequência, aos 15. Gabriel Barbosa, o Gabigol, perdeu grande chance, cara a cara com o zagueiro, quando o goleiro já estava fora da jogada. O defensor tirou a bola em cima da linha, diante do fraco chute do atacante.

Na sequência, o Real Garcilaso acumulou chances perdidas. Não saiu de campo no intervalo com maior vantagem no placar porque falhava nas finalizações ou porque Vanderlei salvava o Santos debaixo da trave.

Depois dos sustos, o Santos voltou melhor para o segundo tempo. Tomando mais iniciativa, ocupava o meio-campo e buscava o ataque com mais frequência. Ao mesmo tempo, o Real Garcilaso recuava, demonstrando certo cansaço após a correria da etapa inicial.

E, ganhando espaço, o time brasileiro quase empatou aos oito minutos. Vecchio, que vinha apagado em campo, desperdiçou chance incrível. Na jogada, Gabriel acionou Sasha, que disparou pela direita e cruzou rasteiro para o argentino. Mas o meia encheu o pé e, da marca do pênalti, mandou por cima do travessão.

Gabigol também teve a sua chance. Aos 21, ele completou, de primeira, levantamento na área. Finalizou para fora. Preocupado, Jair Ventura tratou de fazer mudanças. Trocou o lateral Jean Mota pelo atacante Arthur Gomes - Copete acabou sendo recuado para cobrir a lateral. E sacou Vecchio por Vitor Bueno.

Depois, o treinador apostou na juventude de Rodrygo que, aos 17 anos, se tornou o jogador mais jovem a defender o Santos na Libertadores. Nenhuma mudança, porém, afetou o ritmo de jogo do time brasileiro, ainda abaixo do esperado e sem conseguir acompanhar os anfitriões.

Como consequência, o Real Garcilaso selou a vitória com um belo gol aos 43 minutos do segundo tempo. Alfredo Ramúa acertou forte chute da intermediária e confirmou a vitória dos donos da casa. A bola ainda carimbou o travessão, quicou dentro do gol e saiu, diante da festa dos anfitriões.

O Santos volta a campo pela Libertadores no dia 15, contra o Nacional, em casa. No fim de semana, o time fará o clássico com o Corinthians, domingo, no Pacaembu, pela 10ª rodada do Campeonato Paulista.

FICHA TÉCNICA:

REAL GARCILASO 2 X 0 SANTOS

REAL GARCILASO - Diego Morales; Arismendi, Lampros Kontogiannis, Gustavo Dulanto e Iván Santillán; Luis García (Archimbaud), Julio Landauri (Cóssio), Luis Álvarez e Jhonny Vidales (Fernando Pérez); Alfredo Ramúa e Franco. Técnico: Oscar Ibáñez.

SANTOS - Vanderlei; Daniel Guedes, Lucas Veríssimo, David Braz e Jean Mota (Arthur Gomes); Alison, Renato e Vecchio (Vitor Bueno); Eduardo Sasha (Rodrygo), Copete e Gabriel Barbosa. Técnico: Jair Ventura.

GOLS - Vidales, aos 7 minutos do primeiro tempo. Alfredo Ramúa, aos 43 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Vecchio, Dulanto, Lucas Veríssimo, Vitor Bueno.

ÁRBITRO - Gery Vargas (Bolívia).

RENDA E PÚBLICO - Não disponíveis.

LOCAL - Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cuzco (Peru).

Colunas

Contraponto