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San-São opõe artilheiros recuperados após troca de técnicos

Desde a chegada do treinador, Gabriel vive uma das melhores fases da carreira. Foi o responsável por 8 dos 14 gols da equipe com o novo técnico e chegou à artilharia do Brasileiro, com 12 gols.

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16 SET 2018Por Folhapress09h02
Gabriel é o artilheiro do Brasileirão com 12 gols até o momento.Foto: Facebook/Santos F.C.

Santos e São Paulo têm, aparentemente, muito pouco em comum. Os rivais que se enfrentam neste domingo (16), às 16h, na Vila Belmiro, são donos de campanhas bem distintas no Brasileiro, mas uma coisa os une: a capacidade que tiveram de recuperar seus artilheiros.

Gabriel Barbosa, 22, é a prova santista. Em má fase na Europa, voltou ao clube em janeiro. Marcou quatro gols nos quatro primeiros jogos, mas viu a relação de amor com a torcida ruir. De queridinho, passou a ser criticado. O cenário só mudou com Cuca.

Desde a chegada do treinador, Gabriel vive uma das melhores fases da carreira. Foi o responsável por 8 dos 14 gols da equipe com o novo técnico e chegou à artilharia do Brasileiro, com 12 gols.

Assim como Gabriel, Diego Souza chegou ao São Paulo em janeiro como a principal contratação da temporada. No entanto, logo começou a ser questionado pela torcida.

Em abril, em meio à má fase, recebeu proposta do Vasco, onde jogou entre 2011 e 2012, e só não voltou para o clube carioca após a intervenção do diretor executivo Raí.

Logo após o empate com o Ceará fora de casa, o dirigente voltou para São Paulo com a intenção de conversar com o jogador. Ouviu dele que estava disposto a ficar, mas que não sabia se estava dentro dos planos do técnico Diego Aguirre, contratado havia um mês, já que não vinha sendo titular.

O camisa 9, por sua vez, ouviu que o treinador uruguaio esperava dele mais intensidade em campo e que precisava que o atacante se dedicasse mais à marcação, pressionando a saída de bola.

Depois da conversa, Diego Souza atuou em 22 das 25 últimas partidas do clube na temporada. Neste período, marcou nove gols, sendo oito pelo Brasileiro -é o artilheiro do time na competição- e um pela Copa Sul-Americana.

"Quando cheguei ao São Paulo, sabia que uma grande contratação não estava jogando. Todo jogador precisa de período de adaptação. Tive uma conversa muito boa com ele. Senti que ele queria, mostrou grande nível para assumir liderança dentro de campo", afirmou Diego Aguirre.

Por parte do treinador, houve também a compressão de que não seria possível cobrar do atacante de 33 anos a mesma disposição para a marcação do colombiano Tréllez, 28.

"Conversamos olho no olho e ele foi muito homem comigo. Viu a minha postura e isso me ajudou a continuar jogando. O que mudou foi a confiança", lembrou Diego Souza.

Logo depois da conversa com Aguirre, Diego Souza recuperou a condição de titular e não ficou mais como opção no banco de reservas quando esteve à disposição para atuar.

A recuperação foi corroborada com cinco gols marcados em cinco jogos seguidos. Graças a um deles, o clube avançou para a segunda fase da Copa Sul-Americana. Os outros ajudaram o São Paulo a chegar à vice-liderança do Brasileiro na oitava rodada.

A possibilidade de uma transferência e a abertura de um canal de diálogo com o treinador também serviram como um momento decisivo para a recuperação de Gabriel.

Após uma série de partidas sem fazer gols, Cuca teve uma conversa decisiva com o atacante que, segundo ele, tinha propostas do Valencia e do futebol árabe. O treinador o convenceu a ficar no Santos e dar a volta por cima.

"A confiança você só readquire com conversas, mas primeiramente fazendo o 'bê-a-bá'. Primeiro [é necessário] pôr o coração, ter entrega e, depois, vem a parte técnica", disse o treinador à reportagem.

Internamente, funcionários do clube atribuem a recuperação do jogador exclusivamente ao técnico.

O trabalho psicológico foi iniciado quando o treinador deixou Gabriel pela primeira vez no banco de reservas em sua segunda passagem pelo clube, no empate em 1 a 1 com o Ceará, em 8 de agosto.

Ser preterido pelo jovem Yuri Alberto, 17, o fez entender que era necessário mudar.

"Ele respondeu bem. Ficou no banco e deu para ter ideia da melhora sem ele, ou se fazia falta. Saiu um peso dele", disse Cuca na ocasião.

Nas partidas seguintes, marcou contra Atlético-MG e Cruzeiro e foi presenteado com a chance de, pela primeira vez, ser o capitão santista.

A transformação do atacante passou, também, por uma renovação tática da equipe. Apesar da boa relação com Jair Ventura, hoje no Corinthians, Gabriel falava abertamente sentir dificuldades com o posicionamento exigido pelo antigo treinador.

Cuca mudou completamente as exigências sobre a equipe para Gabriel deslanchar.

O time passou a marcar de maneira mais incisiva a saída de bola. Com mais roubadas no ataque, o atacante passou a ser mais acionado.

O técnico mudou também a sua disposição tática. Começou a jogar no 4-4-2, esquema que fez com que Gabriel não precisasse mais reter a bola sozinho na frente. Com Carlos Sánchez e Rodrygo no meio e ao lado de Derlis González, seu futebol cresceu.

"Ele não tinha força e nem espaço jogando de costas para o gol, enfiado lá na frente. Ele não é pivô, não é referência. Ele ia na ponta, fazia a jogada da linha de fundo e cruzava para ele mesmo? Corrigimos isso", afirmou Cuca.

A retomada também teve ajuda do departamento médico. O jogador atuou por boa parte do primeiro semestre com dores no púbis, considerada por especialistas como uma das mais incômodas.

"Hoje ele está curado, mas mantém um programa de alongamentos e fortalecimento. Foi feita uma reeducação muscular, um grande trabalho da fisioterapia", disse o médico do clube Carlo Alba.

Com a recuperação do atacante, o Santos subiu na tabela de classificação. O clube deixou a zona de rebaixamento -ocupava a 17ª posição- e passou a sonhar com uma vaga na próxima Libertadores. O time iniciou a rodada na oitava colocação com 31 pontos -dez a menos do que o sexto, que hoje teria vaga no torneio sul-americano.

Neste período, fez oito dos 12 gols que tem no Brasileiro.

Neste domingo, Gabriel e Diego Souza devem ser titulares em uma Vila Belmiro lotada. O Santos vendeu os 11.500 ingressos colocados à venda.

A equipe do técnico Cuca ainda não poderá contar com zagueiro Lucas Veríssimo, em recuperação de lesão muscular. O atacante Felippe Cardoso, recém-contratado da Ponte Preta, ficará como opção no banco de reservas.

O São Paulo ainda tem dúvidas para a lateral direita. Bruno Peres trata de um estiramento no adutor da coxa direita, enquanto Régis cumpre suspensão. Araruna ou Hudson, improvisado, são os favoritos para a vaga.

Everton, recuperado de estiramento na coxa esquerda; Arboleda, que retornou da seleção; e Rodrigo Caio, recuperado de trauma no joelho direito, estarão à disposição.

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Robson Bambu, Gustavo Henrique e Dodô; Alison, Carlos Sánchez e Diego Pituca; Derlis González, Gabigol e Rodrygo. T.: Cuca

SÃO PAULO
Sidão; Araruna (Liziero), Bruno Alves (Arboleda), Anderson Martins e Reinaldo; Jucilei, Hudson e Nenê; Rojas, Everton e Diego Souza. T.: Diego Aguirre

Estádio: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Horário: 16h deste domingo
Juiz: Ricardo Marques Ribeiro (MG)
TV: Globo

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