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Rodrigo Caio critica Aguirre e diz ter perdido fanatismo pelo São Paulo

O Tricolor chegou a levar o título simbólico do primeiro turno, mas encerrou a competição em quinto, já sob o comando de André Jardine

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04 DEZ 2018Por Folhapress21h40
Rodrigo Caio associou a queda de rendimento do São Paulo no Brasileirão a uma falha na gestãoFoto: Divulgação/SPFC

O zagueiro Rodrigo Caio, 25, associou a queda de rendimento do São Paulo no Campeonato Brasileiro a uma falha na gestão do elenco por parte do técnico uruguaio Diego Aguirre, demitido no início de novembro.

"Quando você monta um time para ser campeão, precisa dar atenção para todos. Essa é a grande dificuldade, é a diferença dos treinadores de alto nível. É olhar no olho do cara e ver que ele comprou sua briga, sua ideia de jogo", disse ao programa "No Ar com André Henning", do Esporte Interativo.

O São Paulo chegou a levar o título simbólico do primeiro turno, mas encerrou a competição em quinto, já sob o comando de André Jardine. Rodrigo Caio ficou ausente da disputa durante três meses, devido a uma lesão no pé esquerdo.

Recuperado, o zagueiro ficou sem espaço frente aos concorrentes da posição -Arboleda, Anderson Martins e Bruno Alves- e teve apenas três chances, atuando como lateral-direito.

"Faltou comunicação, diálogo. Eu tive uma conversa com o Aguirre, mas ele não falava comigo, não me dava um retorno, não falava o que precisava melhorar. Ele revezava os três zagueiros, mas eu não tinha chance", afirmou.

O zagueiro disse que o ápice do desgaste com o técnico ocorreu às vésperas do duelo com o Atlético-PR pela 30ª rodada. Em um treino tático, Aguirre preteriu Rodrigo Caio para escalar Anderson Martins, que sequer iria jogar, por ter sido expulso no jogo anterior, contra o Internacional, e, portanto, estar suspenso.

A dupla de zaga titular contra os atleticanos foi formado por Bruno Alves e Arboleda, que não treinou ao longo da semana por estar a serviço da seleção do Equador. Aguirre ainda ponderou improvisar Rodrigo novamente, que se recusou a jogar fora de sua posição.

"Eu não vou ajudar como lateral, vou atrapalhar. Se todos os laterais machucarem, eu jogo. Mas tem o Araruna no banco, que sempre jogou de lateral e vai dar conta do recado", revelou ter dito em reunião com o Aguirre, Raí, executivo de futebol do clube, e Lugano, superintendente de relações institucionais.

No São Paulo desde os 12 anos, Rodrigo Caio é alvo de críticas recorrentes da torcida. Ele argumenta que, por ter sido porta-voz da equipe em momentos difíceis, acabou responsabilizado pelos fracassos do clube, que, na última década, só conquistou a Sul-Americana, em 2012, e conviveu com risco de rebaixamento no Brasileiro.

"Se eu estou no elenco todos esses anos, é porque aguentei a bronca e fiz por merecer. Eu coloco dessa forma, porque muitos não aguentaram a pressão", disse Rodrigo Caio, que ainda citou o meia Maicon, muito criticado em sua passagem pelo São Paulo, mas multicampeão e ídolo no Grêmio.

São-paulino de infância, o zagueiro ainda disse ter perdido o fanatismo que nutria pelo clube, tal como seu pai. "Eu perdi um pouco dessa paixão, por tudo o que aconteceu. Lógico, sempre vou amar o São Paulo, se eu estiver aqui ou não. Mas, se eu for o culpado, espero que o clube ganhe muitos títulos quando eu sair."

Rodrigo Caio tem contrato com o time tricolor até 2021 e é frequentemente especulado pelo futebol europeu. Ele afirmou ter recusado proposta do Real Sociedad (ESP) em janeiro, por ter um projeto de ir à Copa do Mundo da Rússia, mas acabou não sendo convocado pela seleção brasileira.

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