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Pior sequência do ano testa poder de Carille contra declínio corintiano

Seu trabalho seguiu com um primeiro turno inédito na história do Brasileirão por pontos corridos e a construção da segunda maior invencibilidade de todos os tempos do clube

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14 SET 2017Por Folhapress14h30
Fábio Carille já venceu desconfianças iniciais, montou um Corinthians confiável e competitivo e soube lidar com o favoritismo na final do Campeonato PaulistaFoto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Fábio Carille já venceu desconfianças iniciais, montou um Corinthians confiável e competitivo e soube lidar com o favoritismo na final do Campeonato Paulista. Seu trabalho seguiu com um primeiro turno inédito na história do Brasileirão por pontos corridos e a construção da segunda maior invencibilidade de todos os tempos do clube. Passadas várias provações, o treinador agora enfrenta um novo desafio: administrar uma instabilidade que avança na temporada.

Na noite de quarta-feira (13), o empate em 1 a 1 com o Racing-ARG fechou uma sequência de cinco partidas com só uma vitória e outras três derrotas, números incomuns para o líder do Campeonato Brasileiro. Carille, que já viveu inúmeras situações ao lado de Tite e Mano Menezes como auxiliar técnico do Corinthians, agora assume a dianteira em momento complicado. Por enquanto, o treinador mostra convicção no trabalho e tenta oferecer tranquilidade aos jogadores e torcedores.

"Não penso em mudança", declarou depois do empate. "Nosso grupo é esse e confio muito na equipe que conquistou o Paulista, o primeiro turno e vai retomar já já. Temos que recuperar algumas coisas, repetir treinamentos para voltarmos às ideias de triangulação. Eu procuro não desesperar, não chutar copo no vestiário e sair gritando. É um grupo que trabalha demais e vamos nos reerguer juntos, nos dedicando bastante. Estou começando agora, mas não vou incendiar por causa de resultado no vestiário. Sou bem tranquilo e ciente de tudo que acontece", observou Carille.

Nos últimos 10 anos, administrar situações de tensão foram marcas importantes nos trabalhos de Mano Menezes e Tite, considerados "mestres" por quem conviveu com ambos nesse tipo de momento. Carille mescla características dos dois treinadores nesta situação: Mano quase sempre se comportava com serenidade, com semblante muito parecido em vitórias e derrotas. Já Tite gostava de reforçar convicções e evitar mudanças bruscas, sobretudo individuais.

MANUTENÇÃO

Até o momento, Fábio Carille não oferece nenhum indício de que possa fazer alterações na equipe que é exatamente a mesma desde o começo da temporada. Embora alguns titulares naturalmente tenham caído de rendimento dentro dessa sequência de cinco jogos, a conclusão da comissão técnica é que não há hoje no banco de reservas alguém capaz de mudar essa formação. O treinador, dessa forma, prefere reforçar a confiança nos principais jogadores.

Com quatro semanas praticamente livres para treinamentos desde agosto, Carille preferiu dedicar o período à recuperação física dos atletas e reforçou, em boa parte das atividades realizadas, conceitos já implantados no início da temporada em detrimento da criação de novas alternativas de jogo. A avaliação de alguns jogos, caso do zagueiro Pablo, é que o time não tem atuado com a regularidade emocional de antes.

"É concentração [o problema]. No futebol, se você dá um deslize, você erra muito dentro de jogo. Então, quando você está com um nível de concentração alto, você erra menos. [...] Talvez viemos um pouco mais relaxados no segundo tempo, erramos muito. É voltar a ter esse equilíbrio no jogo todo para que possamos manter a regularidade que nós fizemos no primeiro turno do Campeonato Brasileiro e na Sul-Americana também em alguns jogos", comentou.

"A gente joga no Corinthians, é pressão. Você fica dois, três jogos sem vencer é normal esses questionamentos. Fizemos um grande primeiro turno, ficamos 34 partidas sem perder, então, temos que nos blindar. Sabemos onde podemos chegar, fizemos por merecer tudo o que conquistamos até agora.

Vamos bem no Campeonato Brasileiro, temos a Copa Sul-Americana. É voltar a ter aquela concentração para manter aquela equipe que encantou o Brasil com um estilo de jogo diferente", citou.

O Corinthians volta aos treinos já nesta quinta-feira, mas tem pouco tempo disponível para trabalhar de olho no próximo jogo contra o Vasco, marcado para domingo. A tendência, segundo indicou Carille, é que Guilherme Arana e Marquinhos Gabriel estejam disponíveis -já o jovem Pedrinho só ficará disponível, provavelmente, a partir da semana que vem.

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