Portador de paralisia cerebral, Israel Stroh tinha o sonho de viajar pelo mundo e ver de pertinho o que lhe fascina na vida: esportes. Não à toa ingressou em jornalismo na Universidade Metodista, em São Bernardo, e depositou na profissão a chance de realizá-lo. Formado em 2009, trabalhou em diversos veículos de comunicação, como Globoesporte, Lance! e Portal Terra, e realizou matérias no Brasil. O desejo de conhecer outros países, no entanto, ficara de lado.
Em 2011, então, ele decidiu mudar os planos de sua vida e abandonou a profissão. Praticante de tênis de mesa desde os 14 de anos de idade, Israel viu na modalidade a chance de realizar seus sonhos. Bingo! Após adquirir bons resultados em campeonatos nacionais, ele foi convocado para a Seleção Brasileira Paralímpica de tênis de mesa e hoje viaja pelo mundo como uma das esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro, em setembro.
Se antes ele buscava bons personagens para a sua matéria, hoje ele é o personagem. Há duas semanas, em Lasko, na Eslovênia, Israel conquistou a medalha de bronze por equipes, ao lado de Paulo Salmin, companheiro de seleção brasileira. Logo em seguida, mais um bom resultado. Desta vez na Eslováquia, na etapa mais alta do Circuito Mundial. Ele ficou com o terceiro lugar no individual e repetiu a dose por equipes, levando mais uma medalha de bronze.
“Acho que me credencio como um dos candidatos a medalha, mas sei que a parada é dura. Estarão só os 15 melhores do mundo no Rio e cada jogo será muito duro e decisivo. Mas acredito que o importante é seguir bem cada etapa e chegar lá confiante”, disse em entrevista ao Diário do Litoral.
De fato a parada promete ser complicada ao brasileiro. Isso por que terá de bater grandes potências do esporte, como o inglês William Bailley, número 1 do mundo, e os ucranianos Maxym Nikolenko e Mykhailo Popov, que vêm logo atrás. Jean Paul Montanus, da Holanda, e Yan Shuo, da China, também estarão no duro caminho em busca de um lugar no pódio.
Quem também promete dar trabalho ao canarinho é a tão conhecida ansiedade. Esta é a primeira vez que o atleta participa de uma Paralimpíadas e terá pela frente o público brasileiro, que promete lotar os ginásios. Os jogos serão realizados no Pavilhão 3 do Riocentro. A instalação, que fica localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tem em sua quadra central uma capacidade para 5.000 pessoas.
“A ansiedade existe, mas, em termos práticos, significa pular etapas. Tenho que aproveitar o dia a dia de treinos, extrair o melhor nessas competições atuais pra chegar bem lá. Tudo na sua hora. Competir em casa pra mim serve como um estímulo. É uma das coisas que me empurram pra frente nos treinamentos para que eu possa ter melhores desempenhos”, afirmou.
Israel desembarcará em outros dois países antes do início dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. A primeira parada é na Espanha para uma sessão de treinos, enquanto a segunda será realizada na China, berço do esporte. Aquele sonho hoje é realidade. Bom para o esporte. Bom para o Brasil. Ainda melhor para Israel.
