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Papo de Domingo: 'Não nasci para perder, quero ganhar', afirma Elano

Treinador interino por uma semana, o ex-jogador comenta a experiência à frente do Peixe, fala sobre os pensamentos sobre o futebol e a relação com Dorival Jr.

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11 JUN 2017Por Diário do Litoral11h00
Elano assumiu o cargo de técnico interino após a demissão de Dorival Jr.Foto: Matheus Tagé/DL

Elano é um dos maiores vencedores do Santos na era pós-Pele. Pelo Peixe, o ex-meia conquistou quatro campeonatos paulistas (2011, 2012, 2015 e 2016) dois campeonatos brasileiros (2002 e 2004) e uma Copa Libertadores (2011).

Após encerrar a carreira, no fim do ano passado, passou a trabalhar como auxiliar técnico do então comandante do clube Dorival Júnior. Após a queda do treinador, ele teve sua primeira oportunidade de dirigir uma equipe profissional, apenas seis meses após ingressar na profissão. Agora, Elano coloca como meta entregar o time com duas vitórias e recuperado no Campeonato Brasileiro para o técnico Levir Culpi.

Nesta edição do Papo de Domingo, Elano fala sobre a experiência como técnico interino, a relação com ex-treinador santista Dorival Júnior e sobre o que pensa para o futuro na profissão. Confira:

Diário do Litoral - Em que momento da sua carreira você decidiu amadurecer a ideia de ser treinador? 

Elano – Desde que eu voltei para o Santos, mesmo como atleta, eu vivi algumas situações que me davam essa liberdade. Não me intrometia nas situações porque eu nunca fui intrometido,
sempre procurei respeitar a autoridade do treinador. Foram aparecendo algumas situações e eu fui gostando da coisa, aprendendo, percebendo que tinha uma situação que eu podia seguir. Aí eu parei, veio essa posição de auxiliar e criou-se essa situação de agora. Estou fazendo meu trabalho para que eu possa ajudar o Santos sempre.

Diário - Você trabalhou com os principais técnicos do Brasil na última década como Emerson Leão, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Mano Menezes. Tem algum técnico que o influenciou mais na hora de pensar o futebol, de trabalhar com a equipe?

Elano - Eu tenho grandes referências, grandes amigos. Esses treinadores citados. Acho que até esqueço de alguns porque peguei muitos treinadores bons. Lógico que você pega a autoridade de um, o lado tático de outro, a maneira brincalhona de um e de outro. Mas acho que eu tenho a minha maneira de trabalhar, a minha personalidade de ver as coisas. É dessa maneira que eu vou tentar seguir neste momento. Segunda-feira eu entrego o time para o Levir. Minha vontade e eu acredito que possa entregar o time com duas vitórias porque eu tenho um grupo muito bom. Esses meninos são especiais para mim.  

Diário - Você passou por uma situação típica de um treinador no Brasil. Assumiu um clube em um momento ruim, sem tempo para treinar, com jogos quarta e domingo. Como você está avaliando essa primeira experiência?

Elano – A partir do momento que eu parei e virei auxiliar eu sabia que, uma hora ou outra, essa situação ia acontecer. Agora ou depois, mas em algum momento da minha vida isso ia acontecer. Mas feliz porque os meninos me ajudaram também. Pude passar uma situação onde eles concordaram em fazer. E importante foi ter um grande resultado para que a gente possa ir para o segundo jogo agora, no domingo, também feliz com o resultado positivo que tivemos contra o Botafogo.  

Diário - Estruturalmente, você optou por manter o Santos no esquema do 4-3-2-1 ou 4-3-3 proposto por Dorival Júnior. Você tem preferência por esse esquema ou a escolha foi mais pela falta de tempo de trabalhar novas táticas?  

Elano – Eu fiz algumas alterações, mas não porque o que estava sendo feito estava errado. Fiz algumas alterações porque achei que, para aquele jogo, o principal momento era o resultado. Conseguimos o resultado no último minuto, mas eu acho que a equipe se comportou bem, da maneira que quisemos. Sem falar que estava sendo feito de forma certa ou errada, mas naquele momento eu precisava fazer alguma coisa daquilo que estava na minha cabeça para tentar vencer o jogo. Eu fiz, fui feliz e o resultado foi positivo para o Santos. É isso que importa.  

Diário - Você tem uma reação eufórica após o gol do Victor Ferraz na vitória contra o Botafogo. Foi um sentimento de alívio? Sofre mais estando no banco de reservas do que em campo?

Elano –
Sofre, mas você tem que ter um pouco de calma. Em todo jogo eu me mantive bem sereno e tranquilo para tomar as decisões e em todo momento eu procurei buscar o gol. Todas as minhas substituições foram, exatamente, para tentar fazer gol. A equipe do Botafogo é muito boa. Mas quando sai o gol aos 50 minutos, a minha primeira experiência... Aquilo ali sou eu! Não estava fazendo tipo (risos). Aquilo ali sou eu. Comemorei do jeito que eu achei, acho válido, e o importante é o resultado. A comemoração, sempre que seja saudável, é boa.  

Diário - Você pensa em realizar algum curso preparatório? Ir para a Europa buscar aprimoramento?  

Elano –
Tenho, sim, um planejamento. Tem um curso que eu faço online e pretendo fazer o curso da CBF também. Buscar algumas coisas sempre é importante. Buscar aprimorar, evoluir. Porque não é simples ser treinador. Estou vivendo isso nesta semana e é muito difícil tomar decisões. Você pensa uma coisa e no dia seguinte acontece outra. Que nem, eu achei que o Lucas Lima estaria liberado para poder viajar, para poder jogar. Aí nós temos que dar uma segurada com risco de acontecer alguma coisa. Pensei uma coisa ontem, cheguei aqui hoje para treinar e tive que preparar outra situação. Mas acho que é bom. Você vai evoluindo, vai crescendo e o futebol que me dá esse prazer.

Diário - Você tem uma grande ligação com o Santos. Aceitaria treinar
um clube rival ou acha difícil por essa ligação?  

Elano –
Não tem nem como eu afirmar isso para você porque eu nem comecei a trabalhar. Eu sou funcionário do Santos, serei treinador até domingo e vou continuar o meu trabalho. Eu espero que eu possa, um dia, não sair do Santos, mas uma carreira de treinador nós sabemos que, a partir do momento que você decide ser treinador, tem que ser um treinador para a vida, para o mundo. Mas o meu projeto e meu querer é continuar sempre aqui dentro do clube.  

Diário - Muito se especulou sobre a relação entre você e o ex-técnico do Santos, Dorival Júnior, até cogitaram que a relação entre vocês poderia estar estremecida. Como é a sua relação com o Dorival? Chegou a conversar com ele após a demissão?  

Elano –
Mandei mensagem para ele agradecendo. Meu relacionamento com o Dorival sempre foi muito positivo, nunca tive problema com ele e nem com ninguém. Acho que aqui dentro do clube, então, todas as pessoas tiveram problema comigo por causa da minha sinceridade. As pessoas falam muitas coisas sem saber. Tem que pegar alguém para culpado ou achar um bode expiatório. Nunca fiz nada dentro do clube sem que o Dorival soubesse. Eu nunca sentei para tomar um café com o presidente sem que o Dorival não soubesse e o que eu estivesse conversando. Se sai alguma coisa, confesso que é uma injustiça muito grande. Sem falar que eu nunca participei e nunca fui comunicado da saída ou da entrada de alguém. Fico muito triste com essa situação porque acho que é uma ofensa para mim como ser humano, pai de três filhas, poder ouvir uma situação tão desagradável como essa. Porque eu jamais faria isso contra alguém.

Diário - Após a saída do Santos, Dorival deu muitas entrevistas e citou que o problema do Santos é que existe muita fofoca. Tem pessoas mais preocupadas com eias próprias do que com o bem do clube. Qual sua opinião sobre isso?  

Elano – No Brasil é assim. Nosso País é assim. Em todo lugar, toda situação que vivemos onde tem muita gente e gera amor e paixão, como um clube de futebol, essas coisas acontecem. Lógico que tem pessoas que pensam mais no seu do que no próximo. Mas, assim, tem que tentar filtrar isso da melhor maneira e continuar o trabalho. Eu tenho meus relacionamentos de amizade com todos aqui dentro do Santos. Não é todo mundo que vai na minha casa, mas eu respeito cada um. Eu acredito que desde que ele veio para o clube ele sabia que era assim. Já havia trabalhado. Mas o Dorival é uma boa pessoa, um ser humano fantástico. Eu parei minha carreira para poder trabalhar com ele. Só dessa decisão minha não tem cabimento alguém falar alguma coisa que eu fui contra algo do Dorival ou que ele saiu por uma discussão minha, que não existiu. Encerrei minha carreira para trabalhar com ele. Ele foi demitido e eu não sou o treinador do Santos. Eu continuo como auxiliar. Posso afirmar para você até dezembro ou até dezembro de 2018. Eu tenho alguns projetos e não pretendo pular etapas. Então, acho que é uma injustiça muito grande algumas situações que acontecem.  

Diário - Já conversou com o técnico Levir Culpi? Se sim, como foi esse contato inicial?  

Elano –
Já. Ele me deixou bem à vontade para que eu tocasse o time no jogo do Botafogo, e agora no domingo também me deu total liberdade para que eu seguisse. Então, vou tocar com minha linha de raciocínio aquilo que eu acho que nós possamos fazer no Paraná para trazer uma vitória. Estou batendo nisso e vendendo para que os moleques possam ir junto comigo e conseguir a vitória porque precisamos do resultado.

Diário - Acredita já estar pronto para assumir a função de treinador ou acredita que ainda exista alguma etapa a ser vencida?

Elano – Ainda não. Tem muitas coisas úteis que eu sei. Nesse curto tempo, eu tenho certeza que eu vou procurar fazer tudo aquilo que imagino. Mas a sequência é muito dificultosa. São situações criadas dentro do momento que, às vezes, você precisa dar uma pausa. Se eu me tornar um treinador agora, eu vou pular algumas etapas. E pulando essas etapas eu acho que pode me trazer algum tipo de prejuízo. Então não pretendo, neste momento, seguir assim, não.

Diário - Santos de 2002 ou Santos de 2011?

Elano –
O de 2002 por causa do momento, não por causa da qualidade. O momento de 2002 era mais dificultoso. Era um momento onde foi o primeiro título de todo mundo. Então, 2002, por esse momento.  

Diário - Emerson Leão ou Vanderlei Luxemburgo?  

Elano –
Os dois. Um porque no momento que precisava ser como o Leão é. E o Luxemburgo pela parte tática, pelo fato de algumas situações em que eu aprendi muito com ele. Não que eu não tenha aprendido com o Leão. Mas são dois treinadores de filosofias diferentes e que trazem muita coisa boa para gente.

Diário - Robinho ou Neymar?  

Elano – Robinho ou Neymar? Cada um no seu tempo. No início de carreira, o Robinho sai na frente. Depois, na sequência, é o Neymar.

Diário - Cristiano Ronaldo ou Messi?

Elano –
Neymar (risos).  

Diário - O que falta para esse elenco do Santos ganhar um título de grande expressão?  

Elano –
Ganhar os jogos importantes que nós temos pela frente. Nós temos condições de ganhar as competições. Estávamos conversando ali falando de crise. Mas qual crise? Nós tivemos duas derrotas no Campeonato Brasileiro, mas nós terminamos líder do grupo na Libertadores, nos classificamos. Nos classificamos na Copa do Brasil. É bom revermos algumas situações, tem alguns detalhes para serem acertados, procuramos acertar dentro do dia a dia para que possamos conquistar esses títulos importantes. Sempre brinco com a rapaziada e digo ‘eu não nasci para perder, eu quero ganhar. E não quero ganhar só jogos, quero conquistar’. E acredito que a torcida do Santos me respeita e gosta de mim porque eu sou assim, e eles sabem que isso é verdadeiro. Enquanto eu tiver aqui dentro, vou buscar e lutar para que isso aconteça porque o Santos merece sempre conquistar títulos.  

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