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Com mais treino e conhecimento, goleiros se dão bem em pênaltis neste Brasileirão

Em 13 rodadas finalizadas até a última quinta-feira, o aproveitamento de cobranças despencou em comparação aos anos anteriores

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15 JUL 2017Por Estadão Conteúdo15h00
Vanderlei já defendeu três penaltis no Brasileirão 2017Foto: Ivan Storti/SFC

A tarefa de chutar a partir de uma marca a 11 metros de distância e fazer a bola acertar o alvo de aproximadamente 18 metros quadrados virou um desafio complicado para os cobradores de pênaltis. Neste Campeonato Brasileiro, os jogadores têm sofrido com essa missão. Em 13 rodadas finalizadas até a última quinta-feira, o aproveitamento de cobranças despencou em comparação aos anos anteriores.

O Brasileirão tem decepcionado quem comemora antecipadamente quando um árbitro marca pênalti a favor do seu time. Sem contar os jogos deste fim de semana, o levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo computou 42 cobranças, 15 delas desperdiçadas. Os batedores têm acertado somente 64% dos chutes, número inferior aos cerca de 77% de aproveitamento registrado nas duas últimas edições.

Apesar de os mais de sete metros de largura e os quase 2,5 metros de altura fazerem o gol parecer espaçoso a quem acompanha à distância, os goleiros têm conseguido dificultar bastante a tarefa de quem cobra. Somente na rodada do último fim de semana, as cinco cobranças foram perdidas. Quatro delas pararam em defesas.

"Isso é falta de treino dos batedores e maior capacidade dos goleiros, que estão se preparando melhor, com imagens e informações. Batedor de pênalti precisa treinar e ter calma. Não existe esse papo de loteria", disse Evair, especialista em cobranças de penalidades quando jogava. "Uma das primeiras coisas que eu tentava saber era se o goleiro saia antes. Se saísse, ficava bem mais fácil", contou.

O goleiro Cássio, do Corinthians, parece concordar com Evair, por isso adota uma tática que poderia dificultar a vida do ex-atacante. "Eu espero até o último minuto e tento aproveitar o meu tamanho", contou o corintiano de 1,96 metro de altura. Só neste Brasileirão ele já defendeu duas cobranças em momentos decisivos. A primeira foi a de Luan, do Grêmio, na vitória corintiana por 1 a 0. A outra foi a de Lucca, quando o clube alvinegro fez 2 a 0 na Ponte Preta.

Quem está na frente de Cássio como herói é o santista Vanderlei. Foram três defesas no Brasileirão. Em outras três ocasiões os adversários chutaram ou na trave ou para fora.

A verdade é que não existe um segredo para acertar ou defender cobranças de pênaltis. Se Cássio resolve esperar, Douglas, do Avaí, prefere arriscar. "Hoje todo mundo se conhece e fica difícil esconder uma cobrança, mas cada um tem um estilo peculiar para bater na bola. Prefiro arriscar um canto, mas, se conheço o batedor, tento pular no lado que eu acredito que ele vá chutar", contou. Assim, ele pegou a cobrança de Edilson, do Grêmio, quando o Avaí surpreendeu e venceu por 2 a 0, em Porto Alegre.

Quem sofre com tudo isso são os batedores. Fred, especialista na jogada, admite que a dificuldade para continuar com bons retrospectos. "Eu acerto 70% ou 80% das cobranças, mas os goleiros estão melhores", disse o atacante do Atlético Mineiro, que bateu um pênalti contra o Santos e parou nas mãos de Vanderlei.

Menos mal para Fred que o Atlético Mineiro também tem um pegador de pênaltis. No mesmo jogo, Victor defendeu a cobrança de Kayke. "A gente não pode tirar o mérito de uma defesa de pênalti, que é um lance extremamente difícil para o goleiro. Tive a felicidade de defender um pênalti, o Vanderlei também defendeu. Isso mostra que os goleiros estão cada vez mais preparados. Não pode só colocar a responsabilidade nos batedores".

Evair dá um conselho. "É mais fácil olhar para a bola, escolher um canto e chutar forte, mas a chance de acerto é maior se você olhar para o goleiro. Não precisa ficar olhando para a bola. Ela ficará parada, quem se mexe é o goleiro", ensinou.

Ele sai em defesa dos cobradores da atualidade, lembrando que os goleiros hoje têm acesso às informações dos batedores. De fato, a tecnologia tem sido bastante utilizada para que os goleiros consigam ter mais chances de evitar ou diminuir a quantidade de gols de pênaltis.

Os principais clubes do Brasil contam com uma espécie de olheiros que buscam informações, alimentam a base de dados dos departamentos de análise de desempenho sobre os adversários e passam para a comissão técnica e jogadores. Com a globalização, raramente um goleiro de time grande irá a campo sem saber a forma com que os cobradores de pênaltis da equipe adversária chutam.

HENRIQUE DOURADO - O atacante Henrique Dourado, do Fluminense, é o maior responsável pelo aproveitamento de pênaltis no Brasileirão não estar ainda menor neste ano. O artilheiro da competição marcou cinco dos nove gols em cobranças de penalidade e contou que estuda os goleiros adversários para manter seu alto índice.

"Os clubes possuem um departamento de análise de desempenho, que faz as observações pontuais e fundamentais. Assim como eu recebo material dos goleiros, sei que eles também têm o meu", afirmou o jogador.

Henrique Dourado preferiu manter o segredo de seu alto aproveitamento em pênaltis, mas disse que treinar com bons goleiros é fundamental. "Tanto o batedor que acerta tem os seus méritos, como o goleiro que defende também", disse. "Gol de pênalti vale igual a gol do meio de campo, de cabeça, driblando todo o time. Tem de ter preparo e treino".

 

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