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Praça Lúdica e contação de histórias em Praia Grande

Grupo tem como objetivo ocupar os espaços públicos ociosos e resgatar as brincadeiras infantis

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11 JUN 2017Por Rafaella Martinez10h30
No embornal, um tecido roxo guarda os materiais necessários para fazer com que o público viaje nas histórias contadas pelo artista nas praças da cidadeFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Um homem, um embornal e uma mala preta adornada com fitas coloridas. É dessa forma que começa a história de um sonho e de um sonhador: ator há 20 anos, Rogério Ramos acredita que resgatar as brincadeiras infantis e despertar sonhos em crianças e adultos é a forma mais eficaz para a construção de um futuro melhor.

E nessa busca ele junta o que tem em suas mãos - instrumentos artesanais de percussão, máscaras confeccionadas com papel jornal, uma velha farda colorida e tudo de si – e ruma para a praça mais próxima com uma missão: despertar sorrisos. Rogério é o idealizador do projeto Praça Lúdica, que tem como objetivo ocupar os espaços públicos ociosos e resgatar as brincadeiras infantis nos bairros mais afastados de ­Praia­ ­Grande.

“Comecei minha trajetória atuando em hospitais e justamente por isso eu acredito muito no poder da arte de mudar cenários e contextos. Moro em Praia Grande há sete anos e percebo que os bairros costumam ficar órfãos de apresentações culturais. Um dia eu decidi montar meu figurino, pegar a minha mala e ir para a praça contar alguns contos. E tudo mudou a partir dali: tanto na minha própria história, como a história daquela praça”, conta.

Ressignificar espaços públicos: essa é a principal missão do artista que hoje em parceria com a atriz Gigi Fernandes encabeça o projeto Praça Lúdica, que busca resgatar o uso dos espaços públicos pelas famílias, além de promover as brincadeiras manuais e de rua.

“As crianças estão deixando de brincar e isso é muito triste. A internet tem o poder de juntar pessoas distantes, mas está proporcionando um abismo entre quem está perto. Eu acredito na importância de ensinar brincando e acredito também que os jogos, a arte e as brincadeiras são instrumentos poderosos para barrar o processo de reclusão e o afastamento entre as pessoas”, conta.

Encontros na praça pública

Dez minutos é tempo mais do que suficiente para Rogério se transforme em um contador de histórias. No embornal, um tecido roxo guarda os materiais necessários para fazer com que o público acompanhe e viaje nas histórias contadas pelo artista nas praças da cidade.

“Isso é uma coroa?”, pergunta o adolescente de olhos brilhantes para Rogério, que rapidamente transforma a pergunta em uma história. “Esse é o processo que sempre acontece. Ter um boneco já é o ponto de partida para inúmeras histórias, dando vazão á imaginação de quem passa por mim. A proposta é conseguir apoio para fazer oficinas de papietagem (técnica usada para confecção de máscaras) e depois montar uma exposição com as obras das crianças”, conta Rogério, enquanto arruma um dos bonecos no banco da praça.

Para compor o trabalho, o artista se inspirou nos Griôs (griots), os contadores de histórias da África. Como as narrações do griô são cantadas na maior parte das vezes, um instrumento musical o ajuda a dar ritmo e musicalidade à narrativa. É por esse motivo que Rogério usa um violão e demais instrumentos de percussão confeccionados artesanalmente para narrar suas histórias em praça pública. Um outro complemento é fundamental para as apresentações: um casaco colorido, já um tanto quanto gasto, que ele chama carinhosamente de farda.

“A farda eu já tenho há cinco anos e não consigo me imaginar contando histórias sem ela. É como se nesse tempo ela tivesse absorvido um pouquinho de cada lugar que passei e de cada momento que eu vivi. Sei que ainda tenho muito a fazer, mas sigo meu caminho assim: ‘fardado’, de malas em mãos e embornal nas costas, fazendo o que nasci para fazer e cumprindo a minha missão social ao contar histórias”, finaliza o ­artista.

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