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‘Estamos em um estado de exceção’, diz palhaço preso em festival infantil

Ele apresentava a peça ‘Licença Pr’eu Passar’ no Calçadão e foi preso pelo Polícia Militar após fazer algumas críticas em cena

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05 SET 2017Por Rafaella Martinez09h02
Momento da prisão do palhaço Tico BonitoFoto: Divulgação

Uma apresentação do Festival de Teatro de Cascavel no Calçadão virou caso de polícia em 2015. O palhaço Tico Bonito, que apresentava a peça ‘Licença Pr’eu Passar’ no Calçadão foi preso pelo Polícia Militar após fazer algumas críticas em cena.

“Durante o espetáculo eu escolho duas pessoas da plateia para serem os ‘seguranças’ de uma suposta besta fera que vou soltar, que nada mais é do que uma bichinho de pelúcia. No dia em que tudo aconteceu um dos seguranças viu um carro da polícia passar e disse que aqueles eram os verdadeiros seguranças. Eu respondi, em cena, que eles só protegiam as casas nobres do Centro e que eram seguranças particulares do Beto Richa (governador do Paraná), pagos com dinheiro do povo. O carro deu ré e sem diálogo eles me deram voz de prisão e me arrastaram para a delegacia,  onde fui informado que responderia por desacato e resistência”, conta o artista Leonides Quadra.

A cena foi gravada por dezenas de pessoas que acompanhavam a apresentação. Nas imagens é possível ver que a roda onde Tico se apresentava estava repleta de crianças, que ficaram assustadas com a forma como o palhaço foi arrastado até a viatura.

“No momento da prisão eu estava bem lúcido e não me assustei, pois não tinha noção da repercussão que isso estava tendo. Quando assisti ao vídeo e vi a quantidade de visualizações foi o primeiro momento onde senti medo, sensação que só piorou nos dias seguintes. Recebi ligações e ameaças veladas e tudo só parou quando pedi que os policiais não fossem punidos”, conta.

O inquérito foi encerrado e Leonides foi inocentado das acusações. Agora ele pede na justiça indenização pela ocorrência em praça pública. “A arte tem uma ligação histórica com o governo e mesmo que meu espetáculo tenha poucas críticas à PM, ele não ignora a situação que a população enfrenta. Estamos vivendo um estado de exceção e temo que a situação piore. Não podemos expor o que enfrentamos. Não temos liberdade de expressão na arte. São tempos difíceis”, finaliza.

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