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‘Choque de gestão’ é a meta de Ademario no Paço Municipal

Prefeito eleito pede paciência à população; tucano diz que vai ‘enxugar a máquina’ e firmar parcerias

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13 OUT 2016Por Daniela Origuela10h30
Ademario Oliveira (PSDB) disse que a prioridade, no início de seu governo, será concentrar esforços para restabelecer o atendimento no Hospital Municipal

Ele chegou a Cubatão aos 10 anos de idade com os pais. Saíram de Riachão do Jacuípe, no sertão da Bahia, em busca de uma vida melhor no início da década de 1980. Filho de uma família de sete irmãos, Ademario Oliveira (PSDB), de 43 anos, foi eleito prefeito com 28.455 mil votos no último dia 2 e terá a missão de comandar a cidade que escolheu para viver pelos próximos quatro anos. Para retomar o desenvolvimento do município, que passa por grave crise financeira, o tucano pretende enxugar a máquina pública, fomentar o empreendedorismo e atrair empresas do setor secundário para resgatar o polo industrial.

“Precisamos dar um toque de gestão e precisa ser feito por qualificação técnica. Menos políticos e mais pessoas técnicas ocupando cargos, inclusive o servidor de carreira. Tem servidor de carreira com mestrado e doutorado que podem nos ajudar muito no resgate e na reconstrução de Cubatão. Fazer uma união de esforços para reconstruir a cidade que está literalmente falida com hospital fechado, empresas públicas que não pagam, servidores inativos sem receber e os ativos com seus benefícios cortados. A população vai ter que ter paciência”, afirmou Ademario.

A paciência que o prefeito eleito pede à população se refere as condições que pegará a cidade e ao momento econômico do país, que não favorece os investimentos a curto prazo.

“Temos uma lista de pessoas que possam compor. A tendência é reduzir secretarias e enxugar a máquina. Fazer um reforma administrativa. A cidade não tem recursos. É uma cidade relativamente rica, mas com população pobre. Um contraste horrível. Se tem o polo industrial, que a cidade a vida inteira foi refém, porém em processo de desindustrialização e a má condução da política econômica pelo Governo Federal que assola os estados e municípios. Não temos a alternativa do IPTU, por exemplo, que não é a nossa fonte maior. O orçamento para o ano que vem já perde drasticamente repasse do ICMS”, destacou.

Ademario disse que a prioridade, no início de seu governo, será concentrar esforços para restabelecer o atendimento no Hospital Municipal. “Saúde é a nossa prioridade número um. O hospital e a maternidade continuam fechados. Temos que enxugar contratos, cortando na carne e reduzindo cargos comissionados. Fazendo uma readequação das finanças do município para tentar reabrir o hospital. Essa passa a ser a nossa prioridade”, afirmou. 

O prefeito eleito disse que pretende recorrer ao Governo do Estado, mas que pode enfrentar limitações. “A parceria com o Governo do Estado é permanente. Do ponto de vista do hospital, você não pode obrigar que o Estado repasse recursos que não estão previstos na peça orçamentária. Não vai pedir dois três milhões porque ele tem o mesmo planejamento que os municípios. A gente vai recorrer ao Estado, mas dentro dos limites que ele possa nos ajudar”.

Empreendedorismo

Entre as alternativas para impulsionar a economia e, consequentemente, elevar a arrecadação do município, Ademario disse que pretende firmar parcerias para estimular o empreendedorismo, principalmente nos bairros, e a instalação de empresas de atividade secundária – que trabalham com a matéria prima produzida no polo industrial da cidade. 

“O município pode ser parceiro do polo industrial. Tem que trazer novas empresas. Do ponto de vista logístico e geográfico estamos bem localizados. Temos as indústrias de base, que podem atrair uma nova linha de empresas que aproveitem o produto. Do ponto de vista local e institucional, o município pode ofertar alguns incentivos fiscais como ISS e IPTU. Dá para discutir isso. E também investir em um tripé que emprega mais de 48% que é o microeemprendendor individual. Buscar uma qualificação junto ao Sebrae para que a pessoa empreenda. O Sebrae pode dar uma força nesse estímulo para que o munícipe que quer empreender se prepare, potencializando o comércio dos bairros”, afirmou Ademario. 

Sobre o processo de transição de governo, Ademario, que até o final dezembro ocupará o cargo de vereador na Câmara Municipal, disse que ainda não conversou com a atual Administração. “O grande problema da transição é que você não tem uma legislação que regulamente. Somos reféns da boa vontade da atual prefeito. A assessoria dela – e não ela - entrou em contato dizendo que seria marcada uma audiência, mas que foi cancelada sem justificar os motivos. Estamos aguardando o convite oficial dela para que iniciemos a transição”.

Segundo prefeito nordestino eleito pelo voto direto em Cubatão

Ademario Oliveira é o segundo nordestino eleito prefeito por meio do voto direto, em Cubatão. Os outros dois foram nomeados chefes do Executivo durante o regime militar, nos anos de 1969 e 1971, respectivamente. A cidade considerada proporcionalmente a mais nordestina da Baixada Santista. A chegada dos migrantes se deu principalmente durante a construção da Via Anchieta e a instalação do polo industrial.

“Vim com os meus pais no início da década de 1980. São Paulo era o estado das oportunidades. Eles vieram para trabalhar. Nós éramos do sertão da Bahia. Eles vieram para o 31 de Março onde a minha tia morava, perto da rodoviária, e, da casa da minha tia fomos para o morro do Pica-Pau e para a Vila Natal, onde estamos até hoje”, disse Ademario, que também é o prefeito eleito mais jovem da cidade.

História

O primeiro nordestino a chegar ao Paço Municipal de Cubatão foi Abel Tenório de Oliveira, natural de Palmeiras dos Índios, Alagoas, que foi eleito em 1961. Seu mandato foi marcado pela extensão e alargamento da Avenida Nove de Abril e a colocação de cascalho em quase todas as ruas da cidade. Ele foi assassinado no dia 24 de maio de 1964 em frente ao Esporte Clube Cubatão, onde recebia uma homenagem. Um dos motivos apontados para a sua morte teria sido vingança política. 

Os outros dois prefeitos nordestinos nomeados durante o regime militar foram Aurélio Araujo, natural de Campina Grande, na Paraíba, e Zadir Castelo Branco, de Recife, Pernambuco.

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