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Trajeto do VLT já apresenta sinais de depredação

Algumas partes do gradil branco que demarca as áreas onde a passagem de pedestres é autorizada foram arrancadas

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09 SET 2017Por Vanessa Pimentel10h00
A BR Mobilidade Baixada Santista informou, por meio de nota, que possui agentes de controle especializados para detectar inconformidades nos trilhos e arredores do VLT e mantém desta forma uma fiscalização assídua para manutenção e reposição dos gradis reFoto: Matheus Tagé/DL

Quem passa no entorno ou utiliza o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) já deve ter observado a existência de um gradil branco que demarca a área onde a passagem de pedestres é autorizada.  Porém, com um pouco mais de observação, nota-se também que alguns ­trechos já sofreram com a ­depredação e tiveram as grades arrancadas­. A Reportagem percorreu todo o trecho realizado pelo VLT ao longo das estações Porto/Barreiros. O primeiro ponto verificado sem uma parte da grade fica em frente ao número 147 da Avenida Francisco Glicério.

“A população começou a usar esse atalho para cortar caminho para ir e voltar da feira. O que me chamou atenção é que se trata de um comportamento extremamente perigoso, pois as pessoas estão disputando o espaço com os trens do VLT e não tem ninguém do poder público cuidando daquilo”, diz o munícipe Márcio Calafiori.

Aos domingos, a Avenida recebe a feira livre, por isso o movimento de transeuntes que atravessam de um lado para o outro utilizando acessos não autorizados é maior. O gradil, principalmente nesses casos, evita que as pessoas utilizem espaços próximos ao trem que ofereçam riscos.

Em São Vicente, na ciclovia localizada na Avenida Marechal Deodoro, pelo menos cinco partes da grade foram arrancadas. Mais a frente, embaixo do ­pontilhão da Avenida Antonio Emmerich, há mais sinais de depredação­.

Na Avenida Martins Fontes, a grade também foi retirada e o espaço vazio serve de passagem para quem quer pegar a ciclovia fora do acesso demarcado. Mas, o local verificado com maior número de grades faltantes foi entre as estações Mascarenhas de Moraes e Barreiros. Entre elas há pelo menos oito pontos sem grades.

Insegurança

Se a depredação oferece riscos a própria população, a falta de estrutura para que os funcionários do VLT possam trabalhar com mais segurança também preocupa.

A situação já foi relatada pelo Diário do Litoral, em junho deste ano, mas nada foi feito. Os problemas vão desde a falta de banheiros para os agentes de estação até a ausência de ­guichês blindados para a venda das passagens­.

Agentes, que preferiram não se identificar, disseram que a empresa fez uma reunião e informou que o projeto não contempla banheiro, por isso, quando há necessidade, eles ligam para um funcionário que vem até a estação para cobrir o período da ausência.  O mesmo procedimento é adotado em relação a retirada do dinheiro das ­passagens.

Cancelas

Rafael Alves Pedrosa, especialista em transportes e professor universitário, afirma que há erros no projeto do VLT quando se pensa na prevenção de ­acidentes.  

“Atualmente, não há nada que impeça um veículo de passar por um sinal vermelho em um cruzamento e bater no vagão do VLT. Por isso a implantação das cancelas nesses locais aliada a sinalização sonora precisaria ter sido pensada”, explica o especialista.

Outra falha apontada por Rafael é que o espaço determinado para os pedestres quando precisam esperar para atravessar a rua em ­cruzamentos é muito estreito e oferece risco de atropelamento, tanto pelas bicicletas da ciclovia quanto pelo trem.

“O modal é novo e as pessoas ainda estão se acostumando. É importante a divulgação de campanhas de conscientização e principalmente um treinamento envolvendo todos os órgãos especializados para lidar com emergências para que saibam como agir, caso um acidente grave aconteça”, ­explica.

EMTU

A BR Mobilidade Baixada Santista informou por meio de nota que possui agentes de controle especializados para detectar inconformidades nos trilhos e arredores do VLT e mantém desta forma uma fiscalização assídua para manutenção e reposição dos gradis regularmente.

“Ressaltamos que é de extrema importância a colaboração de todos, uma vez que são registrados casos de furto das peças do gradil e vandalismos”, diz um trecho.

Em relação às cancelas, a empresa afirma que o VLT não deve ser comparado ao antigo trem que atravessava o município de Santos e que utilizava o sistema de cancelas nos ­cruzamentos.

“Assim como em diversas cidades do mundo por onde circula, o VLT integra-se às ­características urbanas locais e ao projeto paisagístico de seu entorno”, ­justifica.

Também informa que a sinalização e a segurança para pedestres e veículos vêm sendo implantada nos cruzamentos ao longo do trecho Barreiros-Porto e que a população da Baixada vai se habituar ao novo modal com o auxílio de ações permanentes colocadas em prática pelo Consórcio BR ­Mobilidade, como já vem ocorrendo por meio de representações teatrais, faixas e ­distribuição de folhetos nos pontos com maior incidência de ocorrências­.

Quanto às melhorias para os agentes de estação, disse que a exemplo dos sistemas de VLT implantados ao redor do mundo, banheiro público não foi previsto no projeto das ­estações do VLT por se tratarem de locais de rápida circulação de usuários­.

“Em caso de necessidade, os funcionários podem utilizar os sanitários de estabelecimentos credenciados pelo Consórcio BR Mobilidade ao longo do trecho Barreiros-Porto”, explicou.

A empresa não se manifestou em relação à instalação de guichês blindados para a venda de passagens. 

Banha ameaça ação por segurança no VLT

O vereador Antônio Carlos Banha Joaquim disse no mês passado que pretende ingressar com uma ação civil pública contra a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos e a Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo caso a empresa não reveja o sistema de segurança e o conforto dos funcionários e usuários do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

Ele ainda denuncia que a EMTU anunciou o fim da primeira fase do modal, mas ainda faltam inúmeras obras relacionadas ao paisagismo, iluminação e segurança.

“Há uma total falta de respeito com a população da Baixada, principalmente de Santos e São Vicente. É inconcebível que se gastou milhões com a implantação do transporte e não se pensou na colocação de banheiros e guichês para venda de passagens. As funcionárias são obrigadas a guardar o dinheiro no bolso e viver sob risco de assaltos”, dispara o parlamentar santista. Situação que de fato aconteceu, no último dia 19, quando uma funcionária da BR Mobilidade, de 19 anos, foi assaltada à mão armada dentro da estação Barreiros, em São Vicente, enquanto vendia os bilhetes.

Um ano

Em julho do ano passado, o vereador já havia questionado o projeto através de uma representação no Ministério Público (MP) onde pedia a suspensão da circulação do VLT em Santos até que fossem adotadas, por parte da empresa, medidas de segurança para evitar acidentes envolvendo as pessoas que cruzam os trilhos.

 

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