Entrada da Cidade

Quiosqueiros do Itararé sofrem com falta de estrutura

Se em Santos os quiosques lotam durante a noite, na cidade vizinha os comerciantes fecham as portas por medo de assaltos

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17 DEZ 2017Por Vanessa Pimentel10h00
Mesmo em dias de sol, a maioria dos quiosques ficam vazios em São VicenteFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Enquanto Santos parece aproveitar a onda dos quiosques de praia, São Vicente padece com a falta de incentivo em tornar o local tão atrativo quanto à cidade vizinha. A comparação entre os dois municípios foi inevitável durante as entrevistas, já que a praia é praticamente a mesma, demarcada apenas pelo termo popular “divisa”.

A diferença entre o movimento dos locais fica ainda mais visível quando anoitece: se em Santos os quiosques lotam, inclusive durante a madrugada dos finais de semana, em São Vicente os comerciantes fecham as portas, segundo eles, por medo de assaltos, falta de iluminação adequada e intensa atividade do tráfico de drogas.

Gerente de um quiosque próximo ao teleférico, Caroline Moreira conta que a venda de entorpecentes acontece até mesmo durante o dia. “Um cliente chegou a chamar a polícia, mas não veio ninguém. Ele era de São Paulo e como estava com a família, achou melhor ir embora por medo. Esse tipo de impressão prejudica o movimento nos quiosques”, diz.

Caroline explica que o fluxo de clientes em dias de semana, mesmo na temporada de verão, é fraco. Durante os finais de semana e feriados melhora, mas abaixo do esperado.

Para ela, projetos que revitalizassem o entorno dos quiosques, como a construção de parques para as crianças, reforma da quadra de futebol, instalação de duchas e mais iluminação atrairia os turistas e até mesmo os moradores dos prédios da orla, que segundo ela, não descem porque também não se sentem seguros.

“Nosso horário é das 9h às 18h, mas estenderíamos com certeza se tivesse demanda”, afirma.

Marllon Campos de Oliveira, além de ser dono de quatro quiosques que ficam ao lado da área reservada ao pouso do voo livre, é o presidente da Associação de Permissionários, Ambulantes e Lanchonetes de São Vicente.

“São Vicente, se comparada as outras cidades da Baixada Santista, tem em o alvará mais caro de todas, passa de quatro mil reais, mas não oferece a estrutura adequada para nenhum quiosqueiro. Falta iluminação, segurança, manutenção dos banheiros públicos, eventos culturais que atraiam os turistas e a própria população para os quiosques da Itararé”, cita.

Marllon é um dos únicos comerciantes que mantém o quiosque aberto 24 horas, mas para isso, paga com dinheiro do próprio bolso um segurança particular, um sistema de monitoramento com 32 câmeras, além de cuidar da limpeza do banheiro público que serve o empreendimento.

“Como a maioria dos quiosques fecham a noite e não tem policiamento, a escuridão acaba atraindo usuários de drogas. Outro problema é que eles arrombam os quiosques. Neste ano chegamos a registrar, somente em uma madrugada, quatro arrombamentos”, explica.

Para ele, sentar em um dos quiosques quando anoitece não é convidativo para muitos, visto a escuridão que pode ser observada ao passar pela Avenida Presidente Wilson. Desta forma, segundo os permissionários, os turistas e os moradores acabam indo para Santos, onde os quiosques se modernizaram e oferecem a mesma estrutura aos clientes tanto de dia quanto a noite.

É o caso do Quiosque Burgman, na altura do canal 4, no Embaré, em Santos. Há pouco mais de um ano, o comércio ganhou o público por ser o primeiro quiosque do Brasil a ter 13 bicos de chope artesenal na praia e oferecer em seu cardápio sete estilos da bebida e cinco tipos de comidas diferentes.

“Você olha em volta e percebe que muitos quiosques oferecem sempre a mesma coisa. Nós trouxemos lanches e porções diferentes daquilo que já tem por aqui, mas com preço justo e qualidade. Isso fez a diferença”, explica um dos sócios.

“Outra preocupação foi tirar aquela imagem de que comida de quiosque é suja, por isso, todas as embalagens são descartáveis e nós produzimos os hambúrgueres em uma cozinha específica. A única coisa que fazemos na cozinha do quiosque é fritar e montar os sanduíches”, esclarece.

Além do cardápio, festas temáticas, sommelier à disposição, garçons bilíngues, cardápio em braile, pet friend e três chefs de cozinha atraem diariamente cerca de 1200 clientes diários. A previsão para temporada é dobrar essa estimativa.

Os dois quiosques da Burgman empregam, direta e indiretamente, 45 pessoas.

Mas, para o sucesso do negócio, ele afirma que o apoio da prefeitura foi fundamental. “Aqui o alvará permite que a gente trabalhe 24 horas, isso é ótimo para nós e para os santistas porque cria a opção para quem procura atividades fora do horário comercial”, acredita o empreendedor.

Já em São Vicente, Marllon diz que há três anos a Administração fez restrições aos horários do atendimento noturno, o que prejudicou os comerciantes.

Prefeituras

Em relação à vigilância dos quiosques, a prefeitura de São Vicente informou que a Operação Verão irá reforçar a segurança no período de férias, bem como a presença dos Guardas Municipais que monitoram o entorno.

Além das providências oferecidas durante a temporada, afirmou que realiza atividades culturais e de lazer que visam levar as famílias para a orla da praia, o que consequentemente melhora o movimento e a segurança.

Em relação à iluminação, informou que, recentemente o serviço foi prioridade na área do Itararé, com a substituição das lâmpadas queimadas. Para as falhas na limpeza dos sanitários, por meio da Secretaria de Comércio, informou que os banheiros da orla passam por reformas, feitas em parceria com a iniciativa privada. Os sanitários contam agora com grades de ferro na porta e são abertos pelos quiosqueiros, para evitar novos atos de vandalismo.

Já o valor do alvará foi confirmado em R$ 4.183,00. Atualmente há 92 quiosques ao total, mas em funcionamento são 68. Os demais passam por processo de concessão.

Santos

Na cidade existem 60 quiosques de lanches e 15 de coco, com duas unidades em andamento. O valor anual da Taxa de Ocupação de área é de R$3.188,64. A Taxa de Licença é de R$1.227,60 por ano. Como incentivo, MEI são isentos e ME e EPP têm 50% de desconto.

Dedicação ao trabalho faz a diferença

Durante a reportagem, Marllon fez questão de mostrar o interior dos quatro quiosques que possui. Pela limpeza e organização dos alimentos, dá para perceber que ele gosta do que faz. Apesar da falta de incentivo, Marllon mantém o negócio há oito anos.

“A maioria dos meus clientes é da cidade mesmo e é por eles que trabalho. Faço eventos com o pessoal do voo livre, alugo o espaço para festas de empresas, prezo a excelência no atendimento. Não posso viver de temporada nem esperar muito do poder público, mas segurança é essencial”.

Além de diversas porções, Marllon oferece aos clientes mesa de tênis, pranchas de surf, Wi-Fi, slackline, caiaque, tudo de graça. “Nosso trabalho é oferecer um dia de lazer para uma família. São momentos importantes da vida, a gente não pode errar”, declara.

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