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Queda no orçamento ameaça festivais tradicionais de Santos

Em um ano de orçamentos enxutos para a pasta em todas as esferas do governo, produtores independentes lutam para manter continuidade das mostras que fazem parte do calendário cultural da cidade

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16 JUL 2017Por Rafaella Martinez10h30
Prefeitura de Santos coloca de forma gratuita equipamentos culturais da Secult como teatros, centros culturais e espaços públicos à disposição para utilização nos festivaisFoto: Matheus Tagé/DL

Embora tenha ganhado um plano que irá nortear a cultura pelos próximos dez anos, a cidade de Santos ainda não estabeleceu de que forma se dará o apoio aos festivais tradicionais que fazem parte do calendário cultural. O fomento a essa manifestação é uma das metas previstas no Plano Municipal de Cultura (PMC).

Sem a garantia de aporte financeiro por parte do poder público, os produtores independentes responsáveis pelas mostras temem pela manutenção das ações diante da escassez de recursos, que ultrapassa os limites do município e se estende também pelas esferas Estadual e Federal.

É o caso, por exemplo, do Festival Santista de Teatro (FESTA). Considerado o mais antigo evento do gênero em atividade no Brasil, o FESTA corre o risco de chegar a sua 59ª edição dispondo apenas de uma emenda parlamentar de R$10 mil, encaminhada pelo ex-vereador Igor Martins.

No ano passado, o tradicional festival contou com repasse de R$65 mil da Secretaria de Cultura acrescidos de R$25 mil de emendas parlamentares dos ex-vereadores Douglas Gonçalves e Igor Martins. O aporte possibilitou a realização de mais de 40 atividades de teatro, circo, dança, música, hip hop, capoeira e literatura oferecidas gratuitamente à população durante os sete dias de evento. Para 2017, a Administração não garantiu o envio dos recursos.

Outro evento que tem a continuidade ameaçada é o Festival de Cinema de Santos (Curta Santos).

Dispondo de apenas R$20 mil, também fruto de uma emenda parlamentar do ex-vereador Igor Martins (em 2016 a emenda destinada foi de R$20 mil), um dos mais importantes festivais de audiovisual do Brasil ainda não tem sinalização de apoio por parte da Prefeitura. No ano passado, o aporte de R$80 mil do poder público permitiu a realização de uma extensa programação gratuita, totalizando a exibição de 51 filmes em 16 sessões entre as mostras competitivas e especiais, além de exposições, oficinas e atrações musicais.

Os idealizadores afirmam que, direta e indiretamente, ambos os eventos garantem o trabalho de aproximadamente 200 profissionais das mais diversas áreas.

Em nota, a Prefeitura de Santos não confirmou os valores informados pelos produtores sobre os repasses do ano passado. Destacou apenas que os equipamentos culturais da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) como teatros, centros culturais e espaços públicos são colocados à disposição para utilização nos festivais, sem custo de produção, bem como os técnicos da secretaria para a realização dos espetáculos.

Na visão do secretário de Cultura, professor Fabião, os festivais não estão contemplados no orçamento para que tenham sua independência garantida. “Hoje o dinheiro pode vir do poder público e pode vir de alguma empresa. É por isso que eles não estão no orçamento. Melhor é ter uma parceria de idealização, que é o que a gente tem hoje”, conta.

Tarrafa Literária

Considerado como o maior festival de literatura do Estado de São Paulo, a edição de 2017 da Tarrafa Literária está garantida graças a mecanismos de incentivos fiscais ligados ao Governo Federal, Estadual e Municipal, além do marketing direto.

“A Tarrafa não é um evento dependente do poder público municipal, embora exista por parte dele uma disposição em apoiar.  A Prefeitura é apenas uma parceira interessada, que reconhece a importância do evento e possibilita, por exemplo, a cessão do Teatro Guarany como um dos palcos”, afirma o idealizar do evento, José Luiz Tahan.

Ele conta que, por conta das limitações orçamentárias, este foi o ano mais difícil para conseguir realizar o evento. “O fato de o festival estar no nono ano ininterrupto é um fator positivo. Somos atingidos pela crise, mas precisamos estar em movimento”, finaliza.

 

 

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