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Quartel de guerra em rocha preserva história

Erguido no interior de um rochedo, o Forte dos Andradas tinha como missão proteger o Porto de Santos de ataques

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08 SET 2017Por Diário do Litoral12h00
Túnel tem 200 metros de extensão e foi construído no período da Segunda Guerra Mundial, no final da década de 1930Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Quem olha o Morro do Monduba, em Guarujá, não imagina que em seu interior há um quartel construído no período da Segunda Guerra Mundial. Erguido no interior de um rochedo, o Forte dos Andradas tinha como missão proteger o Porto de Santos de ataques. Desativado, o local ainda preserva características e acervo originais. Para os amantes da história e da natureza, a base é um ótimo roteiro gratuito de passeio na Baixada Santista.

“Ele foi construído para proteger o Porto de Santos, assim como a Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande, que fica naquela ponta. Os dois foram construídos de forma estratégica”, explica o sargento Santos Silva, que atua como guia dos grupos que visitam o Forte dos Andradas. É lá também que funciona a 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro. A base terrestre fica à beira da Praia do Monduba.
Santos Silva tem 23 anos. A carreira militar era um sonho de infância. “Meus tios eram militares do Exército. Visitei quartéis quando pequeno. Veio o alistamento obrigatório e fui selecionado. Depois me profissionalizei, fiz curso e me tornei sargento”, contou. “Aqui tive contato mais próximo com a história do Forte. Eu já conhecia, mas muitos moradores do Guarujá não conhecem. É bom poder divulgar”, completou.

A Reportagem inicia a trilha que leva ao quartel no rochedo ao lado do sargento, que explica detalhes do local. O caminho é estreito, calçado e sinuoso. Placas indicam a diversidade da fauna e da flora existente naquele trecho da Mata Atlântica. A pé o percurso pode ser feito de 40 a 50 minutos. O nível de esforço é ­moderado. É aconselhado o uso de tênis e roupas confortáveis. A vista da ilha e do sol rente ao morro, logo no início, dá o tom para o que será o passeio.

Dois prédios em ruínas chamam atenção no caminho. São os antigos paióis (local onde se armazenam explosivos e munições). Após passar o Túnel do Sargento, logo se tem o acesso à base subterrânea. Uma obra de engenharia considerada avançada para a época. O espaço foi projetado em 1934, mas a construção teve início apenas em 1938 sendo concluída em 1942. O túnel, em formato de T, tem 200 metros de comprimento e é revestido em cimento ‘queimado’ com acabamento impecável.

Nas paredes, as apagadas lamparinas a diesel remetem ao cenário de quando o local servia de base para os soldados. Ao longo do túnel várias salas. O banheiro com sanitários e caixas da época, a pequena ‘usina’ de energia, o centro de operações de onde os técnicos em cartografia podiam efetuar cálculos precisos para combater os inimigos, o ambulatório com equipamentos rústicos, a cozinha com fogão a lenha, as caixas d’água feitas de latão para o armazenamento de água da chuva, as gigantes granadas de 350 quilos, uma parte da história impecavelmente preservada.

“Aqui subiam as munições. Os soldados no observatório passavam informações para aquela sala. Naquela época esse túnel não seria encontrado. E isso era importante, pois se tratava da proteção da principal porta de entrada e saída de riquezas do Brasil (o Porto de Santos). Com a tecnologia de hoje seria identificado facilmente”, destacou o sargento. O uso da base para o combate a possíveis inimigos não foi necessário. O local serviu para treinamento com operações práticas. A visita termina no observatório, no alto do morro, onde os militares tinham visão em 360º do território.

“Muitos moradores de Guarujá não sabem da história do Forte. Eu já sabia parte dela, mas nunca tive contato com os objetos que há aqui dentro. Aqui soube mais coisas e tive a certeza de que quero fazer faculdade de História”, disse o soldado Bueno. O jovem de 19 anos iniciou no Exército esse ano, após ser selecionado no alistamento obrigatório. O militar também integra a equipe de guias que orienta os ­visitantes.

A visitação à área desativada do quartel pode ser feita as terças, quartas, sextas, sábados e domingos das 9h30 às 14h30. É necessário agendamento prévio pelo telefone (13) 3354-2888, ramal 2066. O Forte dos Andradas fica na Rua Horácio Guedes, s/nº, no Guaiuba.

 

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