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Protesto interrompe Ademario e prestação de contas do governo é esvaziada

Prefeito de Cubatão faria apresentação referente ao primeiro semestre do governo

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05 JUL 2017Por Diário do Litoral22h15
Uma confusão encerrou a atividade que terminou esvaziadaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O Bloco Cultural de Cubatão estava lotado. Secretários e vereadores nas primeiras cadeiras. A Banda Marcial de Cubatão abre a solenidade, que marcaria hoje (5) a prestação de contas do primeiro semestre do governo do prefeito Ademario Oliveira (PSDB). As primeiras palavras do chefe do Executivo foram interrompidas pelo protesto de grupos de servidores municipais, ex-funcionários da Companhia Cubatense de Urbanização e Saneamento (Cursan) e de moradores da Vila Esperança. Uma confusão encerrou a atividade que terminou esvaziada.

“A questão das férias é do governo passado e serão pagas”, afirmou o prefeito em meio às vaias e gritos de ‘prefeito caloteiro’. Ele passava o segundo slide da apresentação, que falava da arrecadação municipal, quando um grupo foi tomou a frente do palco com faixas e cartazes de protesto. O chefe do Executivo tentou retomar a fala, mas sem sucesso.

O vice-prefeito Pedro de Sá pediu calma aos manifestantes e interrompeu a atividade por 15 minutos. “Temos que manter a calma. Estamos em uma democracia. Vocês podem apresentar as demandas. Muitas respostas que buscam estão nesta apresentação. Não conseguimos pagar o acordo das férias devido à baixa arrecadação, mas estamos cumprindo com o restante. Tem muita gente na fila também”, disse.

A Polícia Militar acompanhou o protesto de longe. Após os 15 minutos dados pelo vice-prefeito, novamente a organização do evento tentou retomar a apresentação, mas não houve sucesso. Foi registrado um pequeno tumulto entre manifestantes e apoiadores do governo. A atividade foi encerrada após gás de pimenta ser lançado no auditório. A origem do produto, que causou mal estar no público presente, não foi identificada.

Manifestação

O protesto do grupo de servidores públicos municipais foi referente ao descumprimento do acordo que previa o pagamento da primeira parcela das férias em atraso desde julho do ano passado para o último dia 30. Alegando inviabilidade financeira, a prefeitura emitiu nota informando que o repasse será feito no próximo dia 15. O parcelamento em três vezes do benefício foi um dos itens aprovados pela categoria para o término da greve realizada entre março e maio. A paralisação, que durou 39 dias, foi considerada a mais longa da história do município.

Os ex-funcionários da Cursan protestaram na atividade de ontem contra as demissões de 540 trabalhadores da empresa de economia mista, que encerrou as atividades. Segundo a presidente do Sindilimpeza, Paloma dos Santos, a prefeitura ainda não pagou as rescisões. “Não pagaram ninguém. As homologações pararam. Não cumpriram os acordos e não falam com ninguém. Usaram o nosso dinheiro, que foi descontado, e não nos pagaram. Há trabalhadoras em licença maternidade em situação difícil que não estão recebendo. Pagaram apenas o salário de abril. Independente que os atrasos são da administração anterior, os trabalhadores têm que receber”, afirmou.

Reintegração

Outro grupo presente na atividade do governo cubatense era de moradores do Sítio Novo, um núcleo do bairro Vila Esperança. Cerca de 30 famílias foram notificadas nesta quarta-feira (5) para deixarem suas casas em 48 horas devido à ação de reintegração de posse.

“Recebemos hoje a notificação para sair em 48 horas. Tenho dois filhos pequenos para criar e estou desempregado há dois anos para onde vou? Na eleição eles foram lá pedir votos e disseram que não mexeriam com ninguém, que nós não iriamos sair. Mandaram até pedra para asfaltar a rua”, afirmou o morador Fernando da Silva Santiago, de 20 anos.

A mesma notificação recebeu Karla de Oliveira Arruda, de 35 anos. “Faz um tempo que tenho o meu barraco lá. Não tenho família aqui, não tenho ninguém. Estou desesperada não sei para onde ir. Estou desempregada, não tem trabalho”, afirmou.

O presidente da Associação Unidos por Moradia e Desenvolvimento Social, Adriano Gomes, disse que está acompanhado as famílias e que nesta quinta-feira (6) haverá uma reunião na prefeitura para tratar o assunto.

“Ficamos sabendo dessa ação da Polícia Militar e da Prefeitura na segunda-feira e avisamos os moradores, que receberam as notificações hoje. São um pouco mais de 30 famílias. Eles têm direito a ser assistidos no contexto social. A prefeitura alega que eles estão em área de invasão e não tem critério habitacional. Fizemos um mapeamento e Cubatão tem hoje mais de cinco mil famílias nessas condições”, destacou.

Gomes ressaltou que outras 130 famílias da Vila dos Pescadores também foram notificadas. “Já tem processo na Defensoria Pública e inquéritos civis públicos no Ministério Público de Cubatão. Conseguimos 120 dias de congelamento da reintegração. Esperamos conseguir esses mesmos 120 dias para os moradores da Vila Esperança para que possa ampliar o diálogo”.

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