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Prefeito de São Vicente analisa o primeiro ano de gestão

Pedro Gouvêa (PMDB) recebeu o município com situações graves relacionadas, principalmente, à saúde, educação e zeladoria

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09 DEZ 2017Por Vanessa Pimentel10h00
Pedro Gouvêa (PMDB) assumiu a cidade de São Vicente no início deste anoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

No início deste ano, Pedro Gouvêa (PMDB) assumiu a cidade de São Vicente como o novo prefeito, eleito com 50,46% dos votos válidos.

Pedro recebeu o município com situações graves relacionadas, principalmente, à saúde, educação e zeladoria, tanto que iniciou as primeiras horas de mandato com um mutirão de limpeza pelas ruas da cidade.

Gouvêa também citou, quando assumiu o mandato, que a saúde e a educação seriam as principais preocupações em seu primeiro ano de governo.

Para fazer um balanço do primeiro ano de gestão, Pedro Gouvêa recebeu a equipe do DL em seu gabinete e falou sobre os principais feitos de 2017 e o que está por vir.

Diário do Litoral - A prefeitura voltou a receber verba do Dadetur (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento de Estâncias Turísticas) porque conseguiu retirar o nome da cidade do Cadin (Cadastro de Inadimplentes). Como fez para conseguir regularizar a situação?

Pedro Gouvêa - Nós iniciamos o ano com algumas metas e todas elas passavam pelo processo de tirar o nome do Cadin e tornar a cidade saudável financeiramente para voltar a receber os recursos do Governo do Estado e Governo Federal. Toda equipe ficou muito dedicada para resolver essa pendência e a CND, que era outro impedimento para que a gente tivesse acesso aos recursos. Então, conseguimos tornar a cidade adimplente no fim do primeiro semestre e os frutos começam a aparecer agora. Voltamos a ter acesso a vários convênios, várias obras estão em andamento na cidade já com previsão de entrega para o mês de janeiro de 2018.

DL- Como será aplicada a verba do Dade?

Pedro - O DADE é um recurso que vem livre, desde que o investimento seja em obra de interesse turístico. Nós conseguimos nesse primeiro momento cerca de R$5 milhões que serão investidos em pavimentação de vias de interesse turístico e de algumas obras que também são pontos turísticos. Essas obras já estão em processo de licitação para iniciarem o mais rápido possível. Com a liberação de outros convênios retomamos a obra da Bacia do Catiapoã que estava parada e os convênios com o Ministério da Educação e com o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que trouxeram obras, também já em andamento, para quatro creches. Duas nós iremos entregar já no mês de janeiro.

DL - Quais são elas?

Pedro - Uma delas é no Rio Branco e a outra no Gleba II, as duas na Área Continental. As outras duas creches - uma no Samaritá e outra no Humaitá - serão entregues já no segundo semestre de 2018. Também dentro da educação nós avançamos em duas creches que estavam fechadas em prédios próprios da prefeitura. Elas já estão em reforma e previstas para reabrir no início de 2018.

DL – E essas, aonde ficam?

Pedro - Uma no Fátima e outra no Jóquei. Também temos 15 escolas passando por processo de licitação para o início de uma reforma. Precisamos dar uma cara nova, tornar o ambiente escolar mais atrativo para os alunos.

DL- Pode citar alguma escola como exemplo?

Pedro – Ercilia (Ercilia Nogueira Cobra) está sendo ampliada e Vera Lucia (Professora Vera Lúcia Machado Massis), que está ganhando essa roupagem nova.

DL – A obra da Avenida Alcides de Araújo está paralisada há sete anos. Tem previsão de quando será retomada?

Pedro - Hoje nós já temos um levantamento de toda a cidade e todas as vias que a gente precisa pavimentar. Para isso, precisamos buscar R$120 milhões. O DADE atende uma parcela disso, mas estamos buscando recursos no Desenvolve São Paulo, dentro do Ministério das Cidades e em outras frentes, assim como conseguimos agora da Agem, liberando uma parcela de quase R$3 milhões para fazer a pavimentação de outras ruas. Também através do Governo do Estado conseguimos um recurso do DETRAN para a redução das mortes em trânsito onde complementaremos a obra da Linha Azul. Áreas como Alcides de Araújo, Salgado Filho, Galeão Coutinho, que  tem problemas graves de pavimentação, estão inclusas em outras frentes de financiamento que estamos buscando. Mas, nós sabemos que tudo isso é gradativo, não dá para corrigir todos os problemas da cidade num único ano. Esse ano a nossa prioridade foi colocar a casa em ordem. Assumi a prefeitura com um grande problema de salário e décimo terceiro atrasado, que já corrigimos no início do ano. Temos o comprometimento de pagar em dia o salário de todo mundo para chegar no final do ano com a garantia de que, no dia 20 de dezembro, a gente está depositando o 13º do servidor sem nenhum susto.

DL - Isso é uma garantia?

Pedro - Essa garantia já foi dada pela nossa equipe. O retorno do recurso da Câmara também foi muito importante para isso. É um esforço conjunto tanto do legislativo quanto do executivo. Eles nos devolveram R$3 milhões e já tem uma programação para mais R$1,5 milhão e meio aproximadamente, ou seja, são quase R$5 milhões de esforço que a Câmara que fez para honrar o funcionalismo. Nós fecharemos esse ano com um superávit. Isso quer dizer que sobrou dinheiro? Não, mas que a gente não gastou um centavo a mais do que a gente arrecadou.

DL – Já sabe o valor do superávit?

Pedro - Ainda não temos o fechamento, mas assim que fecharmos, vamos passar para a imprensa. Mas, os números já mostram isso. Nós assumimos uma prefeitura com 60% da folha comprometida no seu orçamento do limite prudencial. Nós temos que chegar até dezembro em 54% e tenho certeza que a gente vai conseguir isso. É um esforço de todo o grupo de trabalho, de todos os secretários, em especial a equipe da Fazenda, da Administração, da paciência dos servidores conosco porque entenderam esse momento. Esse ano a gente não deu um reajuste salarial e o servidor já está há dois anos sem ter reajuste. Tem uma perda salarial grande e nós temos consciência disso, mas não adianta a gente dar e não conseguir cumprir. Nós estamos pagando férias que os servidores não recebiam desde 2014.

DL – A prefeitura anunciou que o Parque Bitaru ganhará uma nova cara em 2018 e contará com mudanças no Centro de Convenções e no Teatro. Como serão essas obras?

Pedro - A parte estrutural do teatro a gente não vai mexer e o acesso à rodoviária será feito pela parte da frente do prédio. Na lateral ficarão os ônibus e nos fundos a GCM (Guarda Municipal). Como essa estrutura já existe e só teremos adaptações eu consigo resolver a situação daquele complexo com R$300 mil reais. Em relação à prazo, se tudo der certo, até a primeira quinzena de fevereiro a obra está pronta.

DL - E o que vai acontecer com o prédio que hoje abriga a rodoviária?

Pedro – Há um planejamento de reativar o mercado municipal, é um sonho meu.

DL – E em relação à retomada das obras do Conjunto Habitacional Parque Bitaru?

Pedro - Nós estamos já em licitação e acho que até o próximo dia 12 a gente recebe as propostas para poder retomar as obras do Bitaru, mas ainda sem prazo de entrega.

DL - Depois de mais dez anos de espera, o Conjunto Primavera Penedo foi entregue.

Pedro - Nos esforçamos o máximo para fazer o nosso papel de facilitador e dessa forma conseguimos entregar. Foi muito importante porque recebemos ali quase 500 pessoas e isso vai desafogando o déficit habitacional que há no município. Temos outras previsões para conjuntos, como o do Rio Branco, que precisa ser retomado,  e o Catarina de Moraes, que também estamos trabalhando para entregar já no começo do ano.

DL - A atual gestão já demonstrou que tem vontade de trazer para a cidade uma unidade do Poupatempo. Alguma novidade em relação a isso?

Pedro - Eu estou trabalhando para isso. Havendo uma possibilidade, quero trazê-lo para o Centro de Convenções porque temos uma área ali dentro que daria para abrigar o Poupatempo e também uma base da Polícia Militar.

DL - A cidade anunciou a volta dos shows na praia. Qual a expectativa para essa temporada?

Pedro - Temos quatro aspectos importantíssimos quando a gente traz os shows de volta. O primeiro deles é que não tem custo nenhum para a prefeitura. O segundo é explorar o potencial turístico da cidade. O terceiro é o desenvolvimento econômico do comércio e o quarto é a autoestima. Mesmo em crise, mesmo com todas as dificuldades, você está dando para a cidade um atrativo. E temos também a 36º edição da encenação, de 19 a 25 de janeiro. Esse ano o tema central é “Santo De Casa Faz Milagre”, onde será mostrado pessoas nascidas aqui que fizeram sucesso pelo mundo. Um deles é o padre André de Soveral, nascido em São Vicente e canonizado recentemente num ato do Papa.

DL - A cidade conseguiu trazer o Ambulatório Médico de Especialidades (AME +). Já tem a previsão de inauguração?

Pedro – Começo de 2018 porque a obra já está avançada. Para nós, é uma conquista importantíssima. Nos esforçamos, junto com o deputado estadual Caio França, para trazer o Ame Mais e conseguimos.

DL – Outra conquista foi a reabertura do hospital do Humaitá. Há projeto de ampliação para os serviços oferecidos lá?

Pedro - Queremos ampliar, mas não podemos fazer determinadas coisas e depois não dar continuidade. A ampliação será feita à medida que a gente tem folego. Quero levar uma UTI para dar respaldo ao hospital, mas tudo isso será gradativo. Já entramos com um pedido no Ministério da Saúde para poder ampliar os repasses de custeio. Quero incrementar também o atendimento da saúde básica do município. Em 2018 a Secretaria de Saúde estará fazendo de tudo para melhorar a qualidade no atendimento das unidades básicas  e do Hospital Municipal.

DL – Há novos projetos para os jovens, assim como a Etecri?

Pedro - Eu acredito que quando a gente discute segurança, por mais que o Estado tenha a sua responsabilidade, os prefeitos também precisam fazer a sua parte. Em São Vicente a gente tinha números de violência enormes. Quando programas como Jepom e Tripulantes do Futuro foram implantados, esses números despencaram e isso não foi à toa. É que você colocou essa molecada que não tinha perspectiva dentro do mercado de trabalho e inseriu dentro da sociedade. Quando a gente foi atrás da Etecri foi exatamente porque precisávamos de um programa que fosse ao encontro de atender o jovem. No aniversário da cidade, teremos a oportunidade de inaugurar um terceiro polo que vai ser o de TV e Rádio. Lá eles vão trabalhar junto com a TV e Radio Primeira. Também implantamos a UNIVESP e somos a única cidade que tem dois polos, com 400 vagas.

 

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