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Pequenos comerciantes investem menos na Páscoa

De acordo com os lojistas, a venda de ovos de Páscoa vem caindo nos últimos anos

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05 MAR 2018Por Da Reportagem09h39
De acordo com os lojistas, a venda de ovos de Páscoa vem caindo nos últimos anosFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) estima que a venda dos ovos de Páscoa deve ter um ­crescimento na ordem de 4% a 5%. Contrariando a projeção, os pequenos comerciantes da região não estão otimistas e preferem investir menos na Páscoa 2018.

De acordo com os lojistas, a venda de ovos de Páscoa vem caindo nos últimos anos. Por outro lado, itens como caixas de bombons e barras de chocolate estão sendo mais procuradas ­pelos consumidores.

“Estamos optando por realizar uma compra menor de ovos de Páscoa e colocar à venda apenas uma semana antes da data comemorativa”, explica Alessandro Marins, gerente do mercado Bolshoi. “Por outro lado, estamos trabalhando bastante com caixas de bombons, que é o nosso foco de vendas para 2018”, complementa.

O gerente de um empório especializado em chocolates acredita que as vendas deste ano serão piores que de 2017. “O pessoal não quer mais comprar ovo. Apenas caixas, barras e lembrancinhas”, comenta. De acordo com ele, há quatro anos, o empório comprava cerca de 200 caixas de ovos. Hoje, a compra diminuiu para 30 caixas.

Rogério Nery, gerente de vendas regional de uma marca de chocolates, afirma que haverá uma queda de 46 milhões de reais em vendas de ovos de Páscoa no Brasil, segundo levantamentos feitos pela marca. “Em contrapartida, a venda de caixas de bombons e outras embalagens de chocolate deve aumentar em R$ 200 milhões”, diz.

Supermercados e grandes marcas

Os supermercados Extra e Pão de Açúcar estimam, juntos, aumento de 15% nas vendas de Ovos, bomboniere e barras. De acordo com a assessoria do grupo, as grandes apostas para a Páscoa são as barras de chocolate e os itens de bomboniere.

Ricardo Reis, gerente de marketing de Chocolates Sazonais Mondelez Brasil, marca responsável pela Lacta, também está confiante. “Tivemos uma Páscoa muito boa em 2017. A marca alcançou 41% do mercado em volume de vendas. Estamos otimistas para este ano, já que a Páscoa voltou a crescer puxada pela linha regular”, informa. Segundo o gerente, a marca também está reformulando os produtos para atrair mais ­consumidores.

Trabalho temporário

A Páscoa deste ano deve empregar 9% mais trabalhadores temporários do que no ano passado. A expectativa é que pelo menos 54 mil temporários sejam contratados até abril, segundo pesquisa encomendada pela Fenaserhtt e pelo Sindeprestem (federação nacional e sindicato paulista do setor) ao Centro Nacional de Modernização Empresarial (Cenam), realizada com grandes (4%), médias (52%) e pequenas (44%) empresas de trabalho temporário no Brasil.

A maioria das vagas disponibilizadas já foi preenchida (47 mil). A indústria do chocolate, que deve ser responsável por 38% dos temporários, já contratou 17 mil em todo o Brasil e provavelmente não fará mais contratações este ano – nesta área as contrações para a Páscoa começam em setembro do ano anterior.

O comércio deve responder por 62% dos postos ­temporários e, até o momento, já preencheu cerca de 30 mil vagas, restando ainda 7 mil oportunidades no país. A remuneração pode variar entre R$ 1.100 a R$2.179 de acordo com a função. A maior parte dos contratos (33%) deverá ter duração ­acima de 91 dias, enquanto 7% dos candidatos devem ser contratados para menos de 30 dias.

Vander Morales, presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt, está otimista. “Notamos na pesquisa que 37% das empresas especializadas em temporários para o mercado de trabalho perceberam aumento na ­procura por candidatos. Apenas 19% reportaram diminuição na demanda em relação a 2017”.

De acordo com o levantamento, as empresas de trabalho temporário apontaram crescimento no preenchimento de vagas por jovens em situação de primeiro emprego (59%) e por trabalhadores na terceira idade (41%).

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