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Painel da Biquinha de Anchieta completa 71 anos nesta sexta-feira

Patrimônio vicentino carrega a história da colonização portuguesa nos azulejos

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01 MAR 2018Por Da Reportagem19h38
O Painel da Biquinha de Anchieta completa 71 anos nesta sexta-feira (2)Foto: Divulgação/PMSV

Já virou uma tradição vicentina passar pela Biquinha de Anchieta e experimentar a água potável vinda do Morro dos Barbosas. Além da fonte, lá está um dos patrimônios mais valiosos da Cidade: o painel de azulejos retratando o Padre José de Anchieta catequizando os índios nativos em 1553.  A obra é dos artistas Armando e Waldemar Moral Sendin.

O painel foi encomendado peloentão prefeito Polidoro Bitencourt, em fevereiro de 1947 e entregue no dia 2 de março,após um mês de trabalho. Sendin utilizou azulejos e tintas importadas de Portugal. A qualidade é comprovada pela resistência ao tempo, já que não sofreu deterioração.

Muito antes de ser instalado, havia um paredão rústico, com data de 1850. Em 1940, foi colocada uma placa de bronze por José Antonio Zuffo. O espaço foi preenchido em 1943 por um painel de terracota em alto relevo, do artista Domingos Savorelli. Porém, foi depredada no mesmo ano.

A atual obra não é a única herança para a Cidade. No Edifício Tumiaru, o segundo mais antigo de São Vicente, há outro painel do mesmo artista.

Os artistas

O talento para as artes estão no DNA dos irmãos Sandin.  Ambos nasceram no Rio de Janeiro, mas vieram para o litoral paulista muito jovens. Moraram a maior parte do tempo em São Vicente.

Formado em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes, Waldemar Moral Sendin faleceu em 1989. Foi um dos primeiros brasileiros a dominar a técnica em cerâmica, uma novidade na época.

Seu irmão, Armando Sendin, está com 89 anos e vive em Marbella, na Espanha. É considerado um dos artistas plásticos brasileiros mais renomados na Arte Contemporânea em vida. Dedicou boa parte de sua vida aos estudos: cursou a Escola de Belas Artes de Priego, naEspanha, Filosofia na Universidade de São Paulo, fez especialização em Estética, na Universidade do Chile, e Estética na Sorbonne, como bolsista do governo francês.

“Um quadro modesto do Armando Sendin é vendido minimamente no mercado internacional por 20 mil dólares. Isso faz com que o painel da Biquinha tenha um valor absolutamente incalculável em termos de arte. É um dos primeiros feitos por ele”, completa o presidente do Instituto Histórico e Geográfico, Paulo Costa.

Apesar de ter sido colaborador no painel, seu estilo artístico é o Realismo Impressionista. Já realizou exposições em diversas galerias e museus de arte nacionais e internacionais, como o Galerie Liliane François (Paris, França),ZegriGallery (Nova Iorque, EUA) e Galeria da União Pan Americana (Washington, EUA). Além de ter quadros no Museu do Prado (Madri, Espanha) e Museu do Louvre (Paris, França).

Curiosidade

Os olhos mais atentos notam a assinatura “W. Moral e A. Moral” no painel. Apesar da fama do sobrenome Sendin, ambos usaram o sobrenome materno (Moral). Isso porque, na Espanha, é comum que o sobrenome da mãe anteceda o do pai. “Eles são de origem espanhola. Na época, havia uma condição de que os espanhóis costumavam valorizar o nome da mãe”, destaca Paulo Costa.

José de Anchieta

O jesuíta espanhol nasceu em 19 de março de 1534, na cidade Tenerife, nas Ilhas Canárias. Aos 14 anos, mudou-se para Coimbra, em Portugal, para estudar filosofia no Colégio as Artes e Humanidades. Com menos de 20 anos, aportou em Salvador (BH) com a missão de catequizar os povos indígenas.

Após três meses, partiu para a Capitania de São Vicente, onde conheceu o Padre Manuel da Nóbrega e permaneceu por 12 anos. Aprendeu a língua nativa e produziu a extensa obra “Arte de Gramática da Língua Mais usada na Costa do Brasil”, que incluía poesias, cartas, sermões e peças teatrais religiosas, publicada em Coimbra (1595).

José de Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, na cidade Reritiba (hoje, Pontal de Ubu), situada na capitania do Espírito Santo. Devido aos trabalhos prestados em favor da expansão do cristianismo nas Américas, ficou conhecido como “apóstolo do Novo Mundo” e “curador de almas e corpos”. Em 1980, foi beatificado pelo papa João Paulo II.

O Dia Nacional de Anchieta é celebrado em 9 de junho em homenagem à data de morte do padre. A comemoração foi instituída no calendário oficial do País através da lei nº 5.196, de 24 de dezembro de 1966.

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