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Padarias tradicionais de Santos estão de portas fechadas

A situação, notada pelos leitores do Diário e pelo Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Santos e Região, está se intensificando nos últimos meses

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02 DEZ 2017Por Rafaella Martinez10h00
Para SINASPAN, são vários os motivos para o aumento no número de fechamento de padarias na regiãoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O cenário tem se tornando comum: os imóveis onde antes estavam instaladas grandes e tradicionais panificadoras da cidade estão fechados ou ocupados por empresas de outros segmentos econômicos. A situação, notada pelos leitores do Diário e também pelo Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Santos e Região (Sinasplan), está se intensificando nos últimos meses.

“É um reflexo de vários fatores: o custo elevado dos valores de aluguel praticados principalmente em Santos (que concentra o maior número de empreendimentos do gênero fechados nos últimos meses) e a crise econômica financeira, que colocou todo o país em um estado de recessão”, argumento o presidente do sindicato, Dialino dos Santos.

Para ele, a competitividade no ramo também é um fator que estimulou o fechamento das unidades. “Embora a gente esteja observando um crescimento significativo no número de panificadores fechando as portas, também observamos novos negócios com propostas diferentes chegando. Os funcionários do setor estão sendo absorvidos por esses novos empreendimentos”, aponta.

No segundo semestre do ano passado, a tradicional Casa Santa Marta de Gastronomia fechou as portas na esquina da Avenida Washington Luiz com a Rua Azevedo Sodré após uma reunião entre os sócios. No local foi aberta uma grande loja de cosméticos.

Há algumas semanas, a padaria ‘Santo Trigo’ fechou as portas na Avenida Almirante Cochrane. O motivo, de acordo com o jornaleiro Roberto Kenji, teria sido o baixo retorno do investimento feito pelo proprietário após uma ampla reforma no imóvel há pouco mais de dois anos.

“Era uma padaria de luxo, que vendia muitos produtos importados. A população está cortando esses gastos em tempos de crise. É uma pena, pois além do desemprego de quem trabalhava lá dentro eu sinto impacto aqui do lado de fora (a banca de jornal onde Roberto trabalha fica ao lado da antiga panificadora). Dizem que vai virar uma farmácia”, conta.

Remédios onde antes vendia pão. Esse foi o destino de outro tradicional estabelecimento santista: a antiga panificadora Cidade de Santos, que fechou as portas há alguns anos. No local há uma farmácia popular da cidade.

Na Aparecida, uma antiga panificadora está fechada há anos nas proximidades do shopping. Unidades em outras cidades, como a tradicional Big Pão do Centro de São Vicente (substituída por uma empresa de informática) reforçam o cenário.

De acordo com os dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), uma característica do momento pelo qual passa as empresas de panificação no país foi a redução no fluxo de clientes, fator que contribuiu diretamente para o menor crescimento registrado.

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