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Orlandini coloca consolidação do tecido social como legado

Prefeito destaca que procurou valorizar o coletivo e ressalta conquistas na área do saneamento básico

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25 DEZ 2016Por Bruno Gutierrez11h02
Orlandini disse que trabalhou em parceria com a Sabesp para ampliar a rede de esgoto da cidade e que é contra pavimentar um bairro sem que tenha saneamentoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A poucos dias de encerrar o terceiro mandato à frente da Prefeitura de Bertioga - o segundo consecutivo - Mauro Orlandini colocou a consolidação do tecido social como o grande legado de sua administração.

Em entrevista ao Diário do Litoral, o prefeito realizou um balanço da gestão e falou sobre o futuro após deixar o Paço.

“Eu acho que a gente conseguiu consolidar, pelo menos, parte da nossa proposta maior que vem desde 1993, quando fui prefeito a primeira vez. Desde lá eu já tinha a tarefa de consolidar um tecido social. Isso é mais importante que obras físicas. Vim pra Bertioga em 79. Naquela época a cidade tinha quatro mil habitantes. Hoje nós estamos por volta de quase 60 mil. Esse pessoal chegou  com costumes, origens, vaidades e interesses diferentes. Naquele momento tínhamos que preparar o futuro da cidade. Sempre apostei nas possibilidades coletivas. Fazer uma orquestra, time de futebol. Tudo que fosse coletivo para diminuir essa visão, esse interesse individual. Não acredito em projetos individuais, projeto tem que ser coletivo”, disse.

Para exemplificar, o chefe do Executivo disse que um desfile em homenagem ao aniversário da cidade, que costuma durar 50 minutos, em Bertioga durou 3 horas, debaixo de chuva.

“Faço uma leitura de que a comunidade participa porque está se sentindo minimamente atendida em suas necessidades. Seja na parte da educação, de possibilidade de cursos, até melhora na qualidade do ensino. Melhoramos 35% no Ideb. Isso significa que tem o resultado. Eu apostei que a partir do momento que a menina tocasse piano, dançasse balé, isso interferiria na qualidade do ensino. Embora não seja essa a leitura do Tribunal de Contas, mas temos a consciência de que oferecemos uma proposta diferente e que deu bom resultado. Pudemos fazer algumas obras, mas a mais estruturante foi a obra de trabalhar as pessoas. As pessoas estão mais serenas, mais confiantes. Hoje temos uma sociedade em Bertioga mais calma, mais tranquila, com mais esperança de ter uma qualidade de vida cada vez melhor”, completou.

Saneamento

Outro ponto destacado por Mauro Orlandini foi a melhora no saneamento básico. Segundo ele, a cidade avançou bastante na questão, principalmente em pontos como o Centro e Indaiá.

“Bertioga é uma cidade praticamente toda com ruas de terra. Cada vez que chove temos problemas seríssimos com barro, inundações e esses problemas só serão minimizados a partir do momento em que tivermos as ruas pavimentadas. Na nossa leitura, as ruas só podem ser pavimentadas se o bairro tiver uma rede de esgoto aterrada. Trabalhamos em parceria com a Sabesp para que pudesse ter uma boa parte de Bertioga com o esgoto já preparado. A gente solicitou o financiamento para fazer pavimentação em dois trechos de Bertioga, um no Centro e um no Indaiá, que tem uma população densa. Esses dois projetos vingaram. Estamos terminando o projeto de pavimentação de 50 ruas. Isso dará uma qualidade de vida para as pessoas, valorização dos imóveis. Ao mesmo tempo vai diminuir a tarefa da Prefeitura porque não é fácil nem barato, toda vez que chove, passar máquina, aterrar”. avaliou.

Entre outras conquistas, o prefeito ressaltou a construção de creches, escolas, a ampliação do hospital municipal e a criação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em parceria com o Governo Federal.

Frustração

Já como ponto frustrante, o chefe do Executivo colocou a construção de um teatro. Orlandini destacou que encaminhou um pedido para que o Sesc construa e gerencie o equipamento.

Orlandini também falou sobre a falta da revisão do Plano Diretor, que é do final da década de 90.

“A gente tem assistido uma constante mutação de regras, de leis. Acabou de ser resolvido a questão do gerenciamento costeiro. Isso começamos a conversar, eu era prefeito a primeira vez. Para se ter uma ideia da demora nisso. No meio do caminho apareceu outra legislação que a cidade tem que ter o Plano Diretor de Resíduos Sólidos. Quando você trabalha esse plano, aparece outra dizendo que agora tem que ter o Plano de Saneamento Regional. Tenho que resolver o saneamento de Bertioga e respeitar o regional. Tem vários objetos que apareceram e inibiram a gente de concluir o Plano Diretor de Bertioga. Deveria ter feito? Deveria. Até na condição de arquiteto, urbanista, planejador, mas sempre com responsabilidade. Vou fazer um plano agora e daqui a um dia tem o regional que fala o contrário?”, ­explicou.

Futuro

Para o prefeito, Bertioga é uma filha. Ele garantiu torcer para que o prefeito eleito, Caio Matheus (PSDB), faça um bom governo e se dispôs a ajudar no que puder.

“Bertioga é como se fosse uma filha para mim. Bertioga tem 24 anos de governo, dos quais eu sou prefeito doze. Minha relação com a cidade é muito maior do que o cargo. Claro que tenho gratidão, orgulho, mas a minha relação de querer ver bem a cidade, que dê certo, é muito maior. Falei pro Caio isso. Você é meu genro e eu tenho que te ajudar a fazer a minha filha feliz”, comentou.

Fora da Administração, o desejo de Orlandini é descansar e se dedicar a família

“Olhar para mim um pouco, para a minha família. Estou devendo para a minha família. Foram anos de dedicação exclusiva. Eu não sei o que vai acontecer, nunca fui de planejar. Darei um tempo para mim, rever minha vida. Tenho sorte de ter uma esposa maravilhosa que tomou conta da casa, educou praticamente sozinha nossos filhos. Eu sempre estou fora, envolvido em projetos e quem zelou, cuidou e educou foi ela. A Cecília foi uma guerreira. Agora preciso retribuir um pouco”, concluiu.

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