‘O Governo não conseguiu desatar os gargalos do estado’, diz Luiz Marinho

O atual presidente estadual do Partido dos Trabalhadores esteve na região como pré-candidato ao Governo do Estado de São Paulo

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28 FEV 2018Por Carlos Ratton08h30
'Com o orçamento da Educação, dá para se fazer o mínimo o dobro do que está sendo feito', afirmouFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A frase é do ex-ministro do Trabalho e Emprego e da Previdência Social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atual presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Marinho, que esteve na região como pré-candidato ao Governo do Estado de São Paulo.

Diário – Quais serão suas prioridades?
Luiz Marinho –
O Estado está sendo governado há 25 anos por uma única matriz ideológica que é a do PSDB. Se você for em qualquer região e perguntar se os gargalos foram resolvidos, vai descobrir que nenhum foi. Eles (PSDB) gostam de falar de planejamento e gestão e não fazem nada.

Diário – Dá um exemplo.
Marinho –
Saneamento básico. Como o estado mais rico da Federação e existir locais em que o esgoto é jogado em rios, nascentes, represas e mar? Como conviver com crise hídrica em pleno 2018? Porque em mais de duas décadas não se construiu reservatórios suficientes? Todo ano chove. Precisamos conter boa parte dela para não faltar.  

Diário – É necessária a transposição do Rio Itapanhaú em Bertioga?
Marinho –
A Sabesp tem que funcionar e se preocupar em sanar o desperdício na rede, fornecimento de água e tratamento de esgoto. Não tem que se preocupar com suas ações na Bolsa de Nova Iorque.    

Diário – Dá para continuar convivendo com a travessia das balsas?
Marinho –
Em 1926 já se falava na necessidade do túnel. A Dersa e o DER são subordinados a mesma secretaria, mas um trabalhou no projeto da ponte, quando o José Serra inaugurou a maquete, e o outro trabalhou o túnel. Já se gastou em projetos cerca de R$ 60 milhões e não saímos do papel. O edital informava que a obra iria começar em 2013 e terminar em três anos e meio. Onde estão o planejamento e a gestão? A cada dois anos se renovam as velhas propostas e não se sai do lugar.        

Diário – Tem como pagar melhor os professores?
Marinho –
Lógico que tem. As escolas tem cara de prisão, os professores não recebem capacitação e nem a valorização necessárias. Não conseguiram fechar escolas por conta da pressão dos alunos e resolveram, de forma sorrateira, fechar salas de aula. Com o orçamento da Educação, dá para se fazer o mínimo o dobro do que está sendo feito.

Diário – O jornalista e consultor Rodolfo Amaral afirma que a Baixada deixou de receber, nos últimos oito anos, R$ 53,6 bilhões. Tem como rever isso?
Marinho –
Existe uma forma inadequada de relação entre o Estado e os municípios paulistas. As decisões do governador são monocráticas e impositivas. Não existe interação e as regiões metropolitanas não são valorizadas, impossibilitando a implantação de políticas públicas diferenciadas para cada uma delas. É preciso democratizar para decidir.

Diário – O Hospital Guilherme Álvaro tem problemas estruturais e administrativos. O dos Estivadores não funciona de forma plena. Tratamento e remédios só após utilizar o Judiciário. A saúde poderia ser melhor?
Marinho –
É preciso reestruturar toda a rede de saúde do Estado, pensando nos hospitais de retaguarda.

Diário – Nossos policiais estão em terceiro lugar do País com menores salários. Cerca de 81 mil vivem de ‘bicos’.
Marinho –
O Estado de São Paulo paga mal, não investe e o dinheiro não sobra. Volto a insistir que está faltando gestão. É preciso interagir com as corporações policiais e capacitar as polícias militar e civil. É preciso tirar a integração do papel. As guardas municipais podem ser armadas e servir como auxílio às policiais.

Diário – João Dória/Gilberto Kassab, Márcio França/Celso Russomano. Te assusta?
Marinho –
Eu adoraria que todos fossem pré-candidatos a governador e não um vice do outro. Russomano querer ser deputado federal. Dória se vangloria de ser um gestor, mas nem praças consegue limpar. Essa eleição está aberta.

 

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