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O autoconhecimento é a arma de Gislene contra o câncer

Vicentina mudou radicalmente os hábitos e a forma de enxergar o mundo para combater a doença

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14 OUT 2016Por Daniela Origuela08h00
A fé é uma das companheiras mais importantes de Gislene Geronimo na luta contra o câncer de mamaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Quando descobriu o câncer de mama, Gislene Geronimo, 46 anos, gerenciava uma empresa. Era uma mulher independente, que não saia do salão de beleza e tinha a vida voltada para o cumprimento de metas e objetivos. 

As palavras do médico tiveram o efeito de um balde de água fria que a fez acordar de um sonho e entrar em uma realidade na qual teria como principal aliada a força interio,  ainda desconhecida. Há três anos mudou radicalmente seus hábitos e a forma de enxergar o mundo ao redor, iniciando uma batalha diária contra a doença.  

“Para mim era importante o salão de beleza. Tinha o cabelo da Beyonce e a pele de pêssego. Onde chegava chamava atenção com o meu salto alto. Quando o médico falou esquece tudo porque vai ter que cuidar de você isso me afetou. Foi um dos primeiros enfrentamentos. Quando descobri o nódulo o coração bateu diferente dentro do peito e passei a enxergar na rua as mulheres que tinha o mesmo problema e andavam com lenço na cabeça, sem sobrancelha e com o olhar para baixo. Muitas amparadas em casa pela solidariedade da família ou pela própria solidão”, relatou Gislene. 

O diagnóstico do câncer veio após uma cirurgia de redução de mama. Sentiu que os seios estavam tomando uma forma diferente e procurou o médico. No início a descoberta foi difícil e foram necessários outros exames para a confirmação da doença. Iniciou imediatamente a quimioterapia, que foi seguida de radioterapia e mastectomia das mamas, feita opcionalmente. 

“Depois da radio optei pela mastectomia bilateral pelo histórico e o médico achou relevante a cirurgia. Minha mãe teve câncer de mama e entrou em remissão. Posso considerar que está curada, pois já fazem 10 anos”, destacou Gislene, que encontrou em um clínica multidisciplinar particular o apoio para lidar com as consequências psicológicas e físicas que a doença provoca. 

Foi do marido Cícero que encontrou o principal apoio para enfrentar a doença. “Faço parte de uma família de um homem só, o Cícero. Existem pessoas que criam um mundo próprio para enfrentar as batalhas. Ele é assim”, destacou.

Em novembro do ano passado, já com o câncer em remissão (onde há ausência de sinais, mas não a cura) Gislene teve uma recidiva grave. As sessões de quimioterapia voltaram a fazer parte de sua rotina. Apenas com 25% de chances de responder positivamente ao tratamento, ela teve uma boa notícia.

“Fui para uma viagem em Israel  no estágio mais grave da doença, mas a médica liberou para ir pois disse que poderia fazer a diferença. Estive perto da fé daquele povo. Ficamos lá por 17 dias. Retornamos e fui refazer os exames e o resultado deu abaixo do índice, dos 25% de chance que tinha. Respondo positivamente ao tratamento. Sinto isso no corpo”, destacou. 

Aliás a fé é uma das companheiras mais importantes de Gislene na luta contra o câncer. “Tenho uma fé, porque religião todo mundo tem. Creio em Deus. Quando a gente está no limite da vida, a gente é capaz de sonhar alto. É preciso acreditar”, afirmou. 

Autoconhecimento

Gislene disse que antes de descobrir a doença vivia numa espécie de capa que a impedia de conhecer o seu interior. A terapia e a forma de enxergar as coisas mais simples da vida, como pisar na grama, por exemplo, a tornaram uma nova mulher. 

“Era muito vaidosa e consumista. Depois que a ‘casca’ caiu percebi que a pessoa que eu era ficou chocada porque não sabia que tinha alma. Tive acompanhamento psicológico e psiquiátrico para lidar com isso. Comecei a dar atenção ao meu problema emocional. Eu achava que a alma era apenas o cérebro, mas a alma é a minha essência, sou eu. Não somos só corpo somos alma e espírito. E o câncer tem relação com tudo isso”, destacou. 

Como o tempo é um grande aliado na luta contra o câncer, Gislene utiliza a história de Alice no País das Maravilhas. “O coelho vive a todo momento mostrando o relógio para Alice, mas ele não pode falar o porquê. Existe um tempo determinado para as coisas. O diagnóstico precoce é o caminho mais curto para a cura”, destacou. 

Projeto ‘Ama Mama’ está nos planos de Gislene

Gislene, que é atriz e locutora, escreveu um projeto a qual pretende apresentar aos prefeitos da Região, em especial ao de São Vicente, cidade onde mora. O ‘Ama Mama’, nome provisório, tem como objetivo oferecer às mulheres tratamentos alternativos que o Sistema Único de Saúde (SUS) muitas vezes não cobre ou é deficitário. 
Ela também criou um site, o Gislene Gerônimo Mais, que em breve estará liberado, para contar a sua experiência e conversar com pessoas que passam pelo mesmo problema. 

“Preciso apenas de um espaço onde possa ser aplicada a fisioterapia com a técnica do cone, que é voltada para pessoas com linfedema. Já há voluntários com disposição para se doar a causa. E não é só isso, um espaço onde a mulher possa ter informação e possa se autoconhecer. Acho até que os municípios poderiam implantar um marco com o símbolo do Outubro Rosa para que as mulheres toda vez que olhem para ele lembrem que o autoexame da mama, depois da puberdade, todos os meses após a menstruação é fundamental para o diagnóstico precoce”, destacou.

 

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