Mosquitos impõem toque de recolher em São Vicente

Em bandos, eles invadem as casas, os carros, pernas de fora, tornozelos e até os ouvidos, justamente no período propício para o descanso: à noite

Cinco da tarde. Esta é a hora que começa o terror, segundo os moradores de São Vicente. Desta vez, a violência dos ataques não está isolada nos bairros distantes do Centro e acomete a cidade inteira. Em bandos, eles invadem as casas, os carros, pernas de fora, tornozelos e até os ouvidos, justamente no período propício para o descanso: à noite.

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“Quando chega às cinco horas da tarde ninguém mais sai e fico desesperado para fechar a casa com medo que eles entrem. É um horror”, desabafa André Soares.

Morador do bairro Catiapoã há 37 anos, ele afirma que é a primeira vez que invasões dessa proporção acontecem por ali. Os meliantes, porém, são antigos conhecidos da população: os mosquitos.

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Paulo Sérgio de Oliveira reside no local há mais tempo, 50 anos, e confirma que jamais viu nada parecido. “Do lado do canal dá para ver as nuvens de mosquitos, não dá para andar sem ser atacado e em todo lugar o povo está falando disso. É uma praga que invadiu a cidade toda”, acredita.

A situação está mexendo com o bolso dos munícipes também. Eduardo Teixeira fez as contas. De acordo com ele, cada inseticida custa em torno de R$9 e vão pelo menos oito por mês, ou seja, R$72. Além disso, passou a ser artigo essencial na compra do mês o repelente de pele e o espiral, usado para afastar os mosquitos de dentro de casa. Os custos somados passam de R$100 mensais.

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“Eu tenho duas crianças e fico preocupado se esses produtos podem fazer mal para eles, mas se a gente não usa, não tem como ficar dentro de casa e tem o risco da dengue. Dos muitos mosquitos que matamos aqui, vários deles tinham as patas listradas”, explica ao citar a característica do Aedes Aegypti, transmissor da doença.

A rede social Facebook também foi usada para relatar a infestação de mosquitos em São Vicente. Ao reclamar da situação em sua página pessoal e classificar os insetos como “absurdamente grandes e famintos”, Martha Benassi recebeu diversos comentários confirmando a situação em outros bairros: Centro, Gonzaguinha, Vila Cascatinha, Vila Valença, Jóquei, entre outros.

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Poluição dos canais pode influenciar proliferação

São Vicente é cortada por diversos canais como o da Avenida Penedo, Sá Catarina de Moraes, Alcides da Araújo, Linha Vermelha e Itararé (durante a visita da Reportagem foi possível verificar, além da água parada, muito lixo). O DL questionou o biólogo Pedro Trasmonte para saber se essas condições poderiam influenciar a infestação dos mosquitos.

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Ele explica que neste período é comum o surgimento deles, “principalmente porque até a semana passada ficamos mais de um mês sem chuva e na primeira garoa que deu, eles aproveitaram o máximo pra se reproduzir”.

Em relação aos canais, Pedro diz que é preciso recuperar a mata ciliar (cobertura vegetal nativa) dos rios da cidade que estão encanados no meio dos bairros, como o do Catiopoã e Jóquei.

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“Os mosquitos, principalmente os pernilongos, conhecidos como Culicídeos, se reproduzem em qualquer poça de água e não têm predador porque os predadores precisam de um ecossistema mais equilibrado para se reproduzir. Por exemplo, a libélula é um predador de mosquitos, só que a larva dela precisa de água extremamente limpa para se reproduzir, aí acontece o desequilíbrio”, analisa.

Ele sugere que uma forma de controlar a situação de maneira natural seria a recuperação dos cursos d’água que atravessam a cidade com o plantio de mata ciliar, despoluição e drenagem. “Dessa forma os predadores naturais serão atraídos de volta e o ecossistema reequilibrado. Isso melhoraria a qualidade de vida de toda a cidade”, afirma.

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Quanto ao papel da população, um fator importante na proliferação dos insetos também tem a ver com o lixo e entulho jogados pela rua. “Qualquer coisa que as pessoas tenham jogadas no quintal ou que se acumule nos bairros, na menor garoa vai servir de criadouro”, alerta Pedro.

Prefeitura

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A Prefeitura de São Vicente informou, por meio do Departamento de Controle de Doenças Vetoriais, que os pernilongos são do gênero culex, por isso não podem ser combatidos com a técnica fumacê.

Com relação à limpeza dos canais, explicou que os esforços, no momento, concentram-se na obtenção de liberação de uma área para despejo do material retirado junto aos órgãos competentes, atendendo às exigências da legislação ambiental e solicitações dos munícipes. Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas vem cumprindo cronograma de serviços e realizando mutirões de benfeitoria em vários pontos da Cidade.