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Lixo eletrônico tem segunda chance em centro de reciclagem em Santos

Aparelhos deixam de poluir meio ambiente ao serem reformados e destinados para cursos de capacitação

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15 JUL 2017Por Vanessa Pimentel11h00
Centro de reciclagem consegue reciclar em torno de 12 toneladas/mês de eletrônicos e abriga sete funcionáriosFoto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral

Há seis anos, um galpão com muros verdes na Avenida Conselheiro Nébias, 85, em Santos,  anuncia - já pela cor da tinta - o serviço que oferece: ali funciona um Centro de Reciclagem de Lixo Eletrônico. É, portanto, amigo do meio ambiente. Porém, o espaço só começou a ser mais procurado após a lei Recicla Santos ter entrado em vigor, no último dia 2. “Para quem trabalha no setor de reciclagem, essa lei renova a esperança, mas vamos ver se ela realmente vai funcionar”, pondera Francisco Antônio Nogueira da Silva, o “Chicão”, no meio em que trabalha.

A ideia de trabalhar com o setor não nasceu pronta. “No início a minha proposta era abrir uma cooperativa de recicláveis, mas não deu certo porque precisava de muita gente. Então comecei a pesquisar o que poderia fazer que ainda fosse relacionado ao meio ambiente. Essa pesquisa durou um ano, até que achei o Cedir, um projeto da USP que cuida do descarte do lixo eletrônico. Entrei em contato, fui conhecer e um mundo novo se abriu para mim”, conta Chico.

Ele explica que o Cedir (Centro de Descarte e Reúso de Gestão Ambiental) é um projeto pioneiro de uma professora da Universidade de São Paulo, inaugurado em 2009, e tem como objetivo a reciclagem de materiais eletrônicos. Depois de conhecer a iniciativa, decidiu implantá-la em Santos.

Com o projeto mais palpável, Chico procurou o irmão que faz parte da Fundação Settaport (Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo), e através dele conseguiu patrocinadores para implantar a ideia.

“Alugamos esse galpão e começamos a divulgar o serviço. O Settaport avisava as empresas e nós fazíamos a divulgação porta a porta. Foi assim que começamos”, explica.

Atualmente, o centro de reciclagem de lixo eletrônico gera emprego para sete funcionários registrados e um temporário e por mês consegue reciclar em torno de 12 toneladas de materiais eletrônicos. Porém, segundo Francisco, o desejo com a nova lei em Santos é que a meta mensal chegue a 15 toneladas e por ano, 200. “Em seis anos, deixamos de enviar ao aterro sanitário 600 toneladas de lixo”, orgulha-se.

Rotina

Por dia, o centro recebe em torno de oito ligações de agendamento para retirada de material, que é feita de graça. De acordo com Francisco, 80% das ligações vêm de Santos, mas eles retiram material de qualquer cidade da Baixada Santista. As empresas que doam materiais em grande quantidade recebem um certificado ambiental pela promoção do descarte correto.

Ao chegar, o material é pesado e triado: o que pode ser reaproveitado, em especial os computadores, vai para as mãos do técnico em informática Flávio Sant’ana. O que não serve mais é vendido para uma empresa de São Paulo que reaproveita metais­.

Futuro museu

O local abriga diversos produtos que, com a rapidez da tecnologia, já podem ser considerados históricos. Têm rádios, telefones, brinquedos eletrônicos antigos que são verdadeiras relíquias, mas de acordo com Francisco, as peças mais interessantes não são vendidas.

“Tem objetos aqui que dinheiro nenhum paga. Quero organizar tudo e transformar uma parte do galpão em museu para que isso não se perca. A evolução dos produtos faz parte da história e não pode desaparecer”, declara ­Francisco.

Reciclagem mantém nove salas de cursos de inclusão digital gratuitos na região

Os computadores que saem praticamente novos do centro de reciclagem mantém os trabalhos nas noves salas espalhadas pela cidade de Santos que oferecem cursos de capacitação na área de informática.

“Os cursos são gratuitos e atendem pessoas de oito a 80 anos. Eles têm duração de três meses e são oferecidos em parceria com o Settaport”, explica Francisco. Mais informações podem ser obtidas no site do sindicato ou pelo telefone (13) 3213 4900.

Entidades sem fins lucrativos também têm direito a receber ­computadores e manutenção definitiva sem nenhum custo. Os aparelhos que sobram são vendidos em um bazar aberto ao público que acontece no próprio galpão, uma vez por mês. O  próximo já tem data marcada para acontecer: 11/08, das 8h30 às 17 horas, na Avenida Conselheiro Nébias, 85, Paquetá.

 

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