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Grupo de mães se reúne para debater sobre amamentação

Pediatra Regina Romiti esclareceu mitos e falou sobre os riscos do desmame precoce para os bebês

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05 AGO 2017Por Vanessa Pimentel09h30
Mães esclareceram questões como a importância do colo, a pega correta e os benefícios da alimentação somente por leite materno até, pelo menos, seis meses de vidaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Um grupo de mães atuantes pelo grupo ‘Apoio a mães que amamentam no Gonzaga’ (AMAGO), realizaram um encontro na tarde de ontem para discutir um assunto muito falado, mas de acordo com elas, sem a profundidade necessária: o aleitamento materno. A reunião aconteceu no salão de um prédio do bairro e contou com cerca de 13 mães que se conheceram depois de passar pelas consultas da pediatra Regina Bornia Romiti.

A maioria chegou até a médica pelo mesmo motivo: a dificuldade em conseguir dar de mamar. “Não é fácil amamentar”, diz a mamãe Jéssica Elise Ferreira Soares, de 26 anos. A afirmativa destoa das propagandas de mães sorrindo e tranquilas amamentando o filho. Questionada sobre a declaração, a resposta estava na ponta da língua.

“Romantizam demais a maternidade, a realidade é bem diferente. O bebê mama o tempo inteiro. Tem bebê que pede de hora em hora, outros de meia em meia hora e no meio disso tem as atividades de casa. É difícil conciliar, dói. A mãe chora porque o bebê está chorando e a gente fica sem saber o que fazer quando ele não pega o peito”, justifica Jéssica.

De acordo com ela, é nesse momento de desespero que começam os palpites e com eles, conselhos que nem sempre deveriam ser levados em conta.

“Após o parto o bebê toma o colostro e no meu caso, o leite mesmo desceu de repente, dois dias depois do nascimento e empedrou. Fiz as massagens que me indicaram, fui ao pronto socorro e lá não consegui as informações necessárias. Doía muito e cheguei a pensar que não conseguiria amamentar. Até que encontrei a doutora Regina”, conta ela.

Sabrina Nieto, mãe da Isadora, de um ano e nove meses, precisou fazer relactação para produzir leite novamente. Ela explica que queria voltar a trabalhar, por isso introduziu a mamadeira e a chupeta. Depois de dois meses, a produção de leite diminuiu e Isadora chorava ao pegar o peito para mamar.

“Foi horrível porque é muita gente falando o que você deve fazer. Enquanto você tenta acolher seu filho que está chorando, tem alguém falando para dar a chupeta porque acalma, outro diz que é melhor entrar com a mamadeira porque só o leite do peito não é suficiente e a bebê chorando sem conseguir mamar”, desabafa Sabrina. O tormento só acabou no consultório, sob os cuidados e ensinamentos da pediatra.

Falta de conhecimento. As duas mães foram unânimes em dizer que o que mais atrapalha na hora de amamentar é a falta de conhecimento, principalmente por parte dos médicos. Elas disseram que ainda no hospital receberam instruções para complementar a alimentação do bebê com mamadeira e a indicação da chupeta como “conforto”.

A pediatra Regina diz que esses hábitos confundem o bebê e são os maiores motivadores do desmame prematuro. “Para amamentar é preciso haver a tríade: promoção, proteção e apoio, sem isso não é possível. O problema é que a cultura do desmame, do anti-aleitamento ainda é muito forte no país”, cita a especialista.

Ela fala que ainda há muita desinformação e despreparo, com isso, técnicas básicas como a ‘pega correta’ não é esclarecida no pós-parto a acaba sendo um fator determinante para o não aleitamento.

“A mãe tem o direito de optar por não amamentar, mas antes de ela tomar essa decisão, é preciso que saiba todos os riscos que a falta do leite materno trazem ao bebê. É importante que o médico verifique porque aquela mãe não está conseguindo dar de mamar, se é um problema físico, psicológico ou até mesmo falta de técnica. Existem pesquisas que comprovam que bebês que mamam no peito têm cinco vezes menos risco de ter um câncer”, explica Regina.

O outro lado. Carolina Huerte Teves não conseguiu amamentar. Segundo ela, os problemas com o leite começaram assim que o filho nasceu. Ela não teve colostro e o leite não descia. Os funcionários do hospital indicaram o leite especial para recém-nascido.

“Minha cesária foi eletiva porque tive uma gravidez de risco. Continuei tentando amamentar por 15 dias, mas minha produção de leite era muito baixa. Meu filho começou a perder peso e chorava muito por causa de fome”, explica Caroline.

De acordo com ela, foi difícil entender que não conseguiria amamentar, já que sempre sonhou com o momento. “Acabava até brigando com meu marido e com meus pais porque achava que era minha obrigação amamentar. Olhava para a mamadeira e falava para o meu esposo dar, não me sentia bem naquele ato. Até que minha médica conversou comigo e me fez ver que era algo normal e acontecia com muitas mulheres”, diz.

Caroline explica que o fato de não ter conseguido amamentar já não lhe incomoda tanto e que não se sente menos mãe por esse motivo, porém, ainda vê outras mães agirem de forma incompreensiva com quem não conseguiu dar de mamar.

“O ato é lindo, mas a mulher tem que se sentir bem e ter condições para isso. Mas, ser mãe é um julgamento sem fim. A gente se culpa o tempo todo, afinal não é sempre como a gente idealiza. Já li mensagens em grupos de grávidas na internet que diziam que a mãe que não amamenta não é mãe de verdade. Isso é um absurdo”, declara.

Nathalia Pimentel também teve dificuldade em amamentar os três filhos. Ela explica que chegou a tomar remédio para produzir leite, mas não conseguiu.

“É um sentimento enorme de frustação no começo. Eu admiro muito uma mãe que consegue dar de mamar. Eu não consegui, infelizmente, mas também não me sinto menos mãe por causa disso, levo com naturalidade. É preciso ter consciência e não descriminalizar as mães que não conseguiram, afinal, pouco adianta dar de mamar, mas ensinar o filho desde cedo a ter preconceitos”, declara.

A Hora do Mamaço acontece neste final de semana na região

Com o tema ‘Todos Juntos pela Amamentação’, A Hora do Mamaço acontece neste final de semana pelo sexto ano na Baixada Santista. Mais de 70 cidades espalhadas pelo país já fazem parte deste grande movimento, que integra a programação da Semana Mundial da Amamentação. O principal objetivo é incentivar o aleitamento materno, mostrando os benefícios reais da nutrição natural e desta vez destacando a importância da rede de apoio. “Queremos evidenciar o trabalho de todos os profissionais e familiares envolvidos no processo de amamentação e mostrar a importância desse ato”, conta a enfermeira especialista em Aleitamento Materno Sandra Abreu, uma das organizadoras do ato em Santos.

Neste ano, o encontro em Santos está marcado para acontecer hoje na Praça Mauá, no Centro Histórico, das 9h30 às 11h30. A ação conta com uma programação especial para as mães, pais, crianças e todos que apoiam a causa, iniciando a manhã com alongamento. Depois todos serão convidados para uma vivência de Dança Materna, Musicalização com as crianças, finalizando com a foto oficial dos bebês amamentando. 

Durante as duas horas haverá também um stand com profissionais dando orientações e apoio ao aleitamento materno. O time conta com a enfermeira e especialista em amamentação Sandra Abreu, idealizadora e criadora do Anjos do Leite, Maíra Botta, consultora em amamentação e em desenvolvimento infantil pelo Crescer Criança e Bruna Bovarotti, psicóloga e consultora em desenvolvimento infantil e puerpério também pelo Crescer Criança.

Assim como todas as edições, participam da Hora do Mamaço a obstetra Dra Izilda Pupo, e a pediatra Dra Keiko Teruya, além de outros profissionais que apoiam a causa.
Pela primeira vez a cidade de Praia Grande fará parte do ato. O encontro acontecerá no domingo (6) às 15h na Praça 19 de Janeiro, na Avenida Presidente Costa e Silva.

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