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Gás vaza durante remoção de cilindros entre armazéns

Informação foi confirmada pelo secretário estadual de Meio Ambiente. Codesp foi multada em R$ 500 mil

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03 AGO 2017Por Vanessa Pimentel10h30
Cilindro que vazou foi encapsulado novamente, recebeu nova válvula de vedação e está isolado dos demaisFoto: Divulgação

O secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Salles, veio a Santos na manhã de ontem para participar da vistoria conjunta com órgãos ambientais no Armazém 10, no Valongo, onde estão guardados os 115 cilindros que contêm gases tóxicos - sete com substâncias explosivas e 108 com gases inflamáveis. 

A inspeção ocorreu dois dias após o fim da operação realizada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que transferiu os cilindros do armazém 11 para o dez, por recomendação do Corpo de Bombeiros. Durante a remoção um dos cilindros apresentou vazamento de fosfina, controlado rapidamente, segundo a autoridade portuária. O incidente rendeu ao órgão uma multa de R$ 500 mil, aplicada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). 

“A troca de armazéns foi necessária para que os cilindros ficassem totalmente isolados e separados entre si para diminuir os riscos de explosão. Nós pudemos ver que as medidas de segurança foram tomadas. Infelizmente houve um pequeno vazamento anteontem durante o deslocamento dos cilindros e em razão dele, a CETESB aplica hoje (ontem) uma multa na Codesp de R$500 mil pelo risco oferecido à sociedade”, informou Salles. 

A vistoria foi realizada em conjunto com diversos órgãos ambientais da Região, entre eles a Polícia Militar Ambiental, a CETESB, o IBAMA e a Capitania dos Portos.
Cronograma. Até a próxima segunda-feira (7), a autoridade portuária precisa apresentar um estudo com quatro possibilidades de áreas onde a destruição dos cilindros poderia acontecer: Base Aérea de Santos, Ilha de Bagres, uma pedreira ou em alto-mar.

Com o estudo em mãos, os órgãos ambientais mencionados e o Ministério Público terão dois dias para analisar e divulgar a melhor opção. 

“No dia 9 será divulgada qual solução entre as quatro apresentadas foi escolhida. Levaremos em consideração as questões logísticas, técnicas, climáticas e segurança da população”, afirmou o secretário. 

De acordo com ele, a implantação da medida irá ocorrer já no dia seguinte (10), sob pena de multa diária aplicada pela CETESB no valor de R$250 mil à Codesp, caso a remoção não seja feita dentro deste prazo.  

Segurança. As autoridades envolvidas garantiram que todas as medidas de segurança possíveis foram tomadas e que a população de Santos pode ficar tranquila. 
Também informaram que há uma equipe de vigilância em todas as entradas do armazém, além de uma equipe de emergência em prontidão. 

Transparência. O secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, esteve presente durante a inspeção e garantiu que a prefeitura está acompanhando de perto todos os passos da operação e que cobra transparência da Codesp.

A administradora do Porto, até então, não havia informado sobre o vazamento que aconteceu durante a transferência dos cilindros de um armazém para o outro. A informação só veio a publico após a declaração do secretário à imprensa, ontem. 

Segundo Salles, o cilindro que vazou foi encapsulado novamente, recebeu uma nova válvula externa, vedação e está segregado dos demais. 

Codesp. Ivam Doutor, superintendente de Meio Ambiente da Codesp, explicou que o órgão não é especializado em realizar este tipo de operação, por isso contratou uma empresa que fará o serviço.

“O primeiro passo para fazer a remoção dos cilindros será o isolamento da área. A segunda questão é a equipe de emergência com todos os equipamentos e materiais necessários. A Codesp não é especializada em lidar com essa situação, por isso contratou uma empresa especialista neste tipo de problema para coordenar toda a ação de remoção deste material”, explicou. 

Questionado se a autoridade iria recorrer da multa aplicada, Ivam informou que cabe ao jurídico do órgão se posicionar se irá ou não recorrer. 

Cilindros estavam esquecidos em armazém por mais de 20 anos

A Codesp ainda não apresentou o histórico de como os cilindros vieram parar no cais ­santista, mas segundo Salles, a ­autoridade está levantando mais informações. O que se sabe é que os cilindros compostos por gases altamente tóxicos estão guardados no porto há mais de 20 anos. 

O caso só veio à tona quando a Codesp decidiu queimar as substâncias em Guarujá, mas teve a proposta vetada pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente. 

O Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) abriu inquérito para investigar o caso, e pediu um plano de destinação à estatal.
 

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