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Física quântica ajuda a explicar sobre Experiência Quase Morte

Exclusivamente nesta segunda-feira, o DL publica a segunda parte do Papo de Domingo

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09 OUT 2017Por Vanessa Pimentel10h30
o físico Carlos Mendes fala sobre Experiências Quase Morte (EQM’s) e a física quânticaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Exclusivamente nesta segunda-feira, o DL publica a segunda parte do Papo de Domingo, onde o físico Carlos Mendes fala sobre Experiências Quase Morte (EQM’s) e a física quântica.

DL – Você disse que tem pressa em divulgar informações sobre as EQM’s e a relação com a física quântica. A pressa seria no sentido de que, se quem passou por EQM mudou, quem passasse a ver a vida desse outro modo cuidaria melhor do planeta?
Carlos -
Não é com o planeta, é com elas próprias. De alguma forma eu sou o outro e o outro sou eu. Como é que eu vou fazer mal para o outro se o outro sou eu? O impacto maior dessas informações será humanitário e não no âmbito da ciência. Eu sou otimista porque acredito que temos condições de mudar e acho que tem um recado vindo de algum canto que diz que há uma ligação entre todos nós. Outra informação recorrente nos relatos de EQM é a falta de julgamento sobre o outro. Existe um caso de uma moça que disse que num certo momento viu o filme da vida dela junto a algo que ela chamou de “ser de luz”. Em certa cena, ela fala: “Aqui eu não fui bem né?” E o ser de luz simplesmente responde: “Você estava em treinamento”. Quer dizer, não a julgou. É diferente da forma como reagimos aqui. Neste sentido, tem uma frase que eu repito várias vezes no canal que é assim: “Esta é uma nova fronteira do conhecimento humano. Vamos juntos atravessá-la”?

DL - E você acredita que existe um prazo para isso acontecer?
Carlos -
O prazo? O prazo depende do quanto a gente gritar: Ei, veja isso! Quando se fala em prazo me lembro dos relatos de EQM que dizem que o tempo aqui é diferente do tempo de lá.

DL - Qual a sua opinião sobre os seres de luz descritos nas EQM’s?
Carlos -
O que eu sinto é que qualquer opinião sobre esse assunto será reducionista, irá empobrecer o que é isso. Existe alguma coisa muito grande, muito transformadora.

DL - Como surgiu a ideia de contar sobre casos de EQM no YouTube?
Carlos -
A ideia de tornar público os casos de EQM através do canal é porque sinto que as pessoas precisam saber. É importante dizer que nós não temos bandeira, não sabemos aonde isso vai nos levar. É um canal que pretende ser sereno. A gente entrevista as pessoas, cada uma conta a sua história e constrói a sua verdade, assim como quem vê constrói também.

DL - Você teve a chance de conversar com Amit Goswami. Como foi esse encontro?
Carlos -
Encontrei com Amit em uma de suas visitas ao Brasil e tive a chance de fazer quatro perguntas extremamente densas. Na primeira eu pergunto se já não está na hora de a gente poder dizer que a consciência não é feita pelo cérebro; a segunda eu questiono sobre outras dimensões; na terceira questiono sobre a ligação que existe entre todos nós e por último eu pergunto se já não está na hora da ciência fazer uma nova revolução e achar uma forma de validar as experiências subjetivas porque esse é o grande problema, já que a ciência só sabe lidar com aquilo que ela vê. Já a física quântica subverteu essa ordem. Ela colocou a consciência dentro da ciência e a ciência nunca mais foi a mesma. A consciência passou a fazer parte do jogo, por isso a física quântica tem tanto a ver com as EQM’s, porque ela fala em outra dimensão. A física quântica é a forma que a ciência encontra hoje de olhar para essa outra parte da existência olhando pelo buraco da fechadura. Quem passa por uma EQM conseguiu abrir a porta e entrou num lugar que a gente nunca vai saber exatamente o que é e normalmente eles dizem que não sabem como descrever em palavras o que viram. Uma das pessoas que teve uma EQM é a Erica Guarnieri. Ela cita uma frase que me chama muito a atenção: “A física que funciona aqui não funciona lá”.

DL - Lá onde?
Carlos -
Lá onde ela esteve durante a EQM. Nas muitas coisas que eu li, tem pessoas que dizem que veem um poste lá longe, aí ela tem interesse em saber, por exemplo, o que tem naquele poste e imediatamente aquilo vem para perto dela. A visão também seria em 360° e a física quântica é a única parte da ciência que olha para este tipo de relato. Então, eu afirmo para você que com os dados que nós temos hoje, podemos afirmar com todas as letras que a consciência consegue estar onde o cérebro não está. E agora a humanidade precisa saber a lidar com as consequências de saber disso. Nós temos que aprender a questionar tudo que a gente sabe até hoje sobre o que somos nós. Um caso de EQM onde a pessoa está morta e quando volta conta as coisas que viu e que podem ser provadas é ciência, é um fato e fato não se questiona.

DL - A gente pode afirmar que a consciência não morre?

Carlos - O que a gente pode afirmar incontestavelmente é que existem casos de pessoas sem nenhum sinal vital que voltaram a viver e contaram sobre cenas riquíssimas que foram comprovadas. Eu não sei se podemos dizer que a consciência vive. Eu prefiro deixar que cada um tire a sua conclusão porque, por enquanto, o que é incontestável é que a consciência consegue estar onde o cérebro não está. Isso já é motivo para muitas pesquisas.

DL – Acredita que a ciência clássica demora a validar as EQM’s porque elas são ainda apenas testemunhos?

Carlos - A coisa mais importante na vida é o testemunho. Nos EUA pessoas são mandadas para a cadeira elétrica por testemunhos. Se mata no planeta por testemunhos. Então por que a gente não vai dar importância para os testemunhos das pessoas que passam por aqui? Mas, a grande questão ainda é: como a gente vai validar cientificamente uma experiência subjetiva? Essa foi a quarta pergunta que eu fiz para o Amit e ele falou sobre o conceito da subjetividade fraca que surgiu na física quântica. A subjetividade forte é aquela que nós estamos acostumados na física clássica onde uma experiência pode ser repetida de várias formas que o resultado é o mesmo. A objetividade fraca foi um conceito criado para a física quântica. Por exemplo, uma cena descrita por um paciente que voltou da EQM é considerada objetividade fraca enquanto testemunho, mas a partir do momento que uma pessoa que estava presente fisicamente confirma aquilo que o paciente está dizendo, torna-se objetividade forte, quer dizer que alguma coisa de fato sai do corpo e vai até algum lugar, ponto.

DL – Esses estudos têm te tranquilizado ao pensar na morte?

Carlos - Muito, mas já fico feliz em saber que a gente ainda tem muito a saber sobre a gente mesmo e que quando eu olho só o mundo material acho muito desinteressante pensar que nós somos um simples arranjo de átomos. Os grandes físicos tinham uma visão menos materialista do que se pensa porque sempre existiu certo embevecimento diante do Universo. Quando eles olhavam para as coisas da natureza ficavam encantados e esse encantamento meio que coloca em dúvida o materialismo puro e simples, como aquele pensamento: “É muita sorte?”

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