Falta de consciência da população atrasa São Vicente

Dessa vez a reivindicação veio de quem mora no bairro Vila Cascatinha. Relatos de moradores chamam a atenção

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12 FEV 2018Por Vanessa Pimentel09h00
Segundo a moradora Simone, muitas providências são, de fato, de responsabilidade da prefeitura, mas a área também sofre pela falta de consciência dos próprios moradoresFoto: Paulo Villaça/DL

Mais uma vez moradores de São Vicente entraram em contato com o DL para reclamar da falta de zeladoria em alguns locais da cidade. Dessa vez a reivindicação veio de quem mora no bairro Vila Cascatinha. Calçadas quebradas e cheias de mato; falhas na rede de drenagem; mosquitos e roedores em grande quantidade e falta de segurança foram relatados por pessoas que cobram soluções do poder ­público.

Porém, alguns relatos chamaram a atenção, entre eles o de Simone Ferreira Gomes, residente no bairro há mais de 20 anos. Segundo ela, muitas providências são, de fato, de responsabilidade da prefeitura, mas a área também sofre pela falta de consciência dos próprios moradores.  

“Tem muita gente que despeja lixo no canal (próximo a Avenida Alcides de Araújo) e depois reclama que as ruas enchem. Aqui mesmo onde moro tem muito descarte irregular”, diz ela enquanto aponta para o meio-fio da Rua Estevão de Almeida, que além de muito mato, tem embalagens de cerveja e sacolas plásticas jogadas.

Restos de móveis e entulho também podem ser encontrados aos montes pelas ruas no entorno. Outro fato que incomoda Simone é a baixa adesão dos munícipes à Coleta Seletiva.

“O caminhão passa aqui no bairro, mas quase ninguém separa o lixo. As pessoas jogam tudo de qualquer jeito. Acho que faltam regras. Quem sabe assim as pessoas aprendem a não despejar as coisas em qualquer ­lugar”.

O vizinho tem a mesma opinião. Para ele, a fiscalização é pouca e não age como deveria. “Tá vendo aquela calçada cheia de entulho? Isso não poderia acontecer, mas como ninguém fiscaliza, é comum. As pessoas precisam aprender a fazer sua parte, mas em São Vicente pouca gente tem essa visão”, acredita.

Já para Vânia Oliveira, cenas de entulho pelas ruas são costumeiras porque o serviço Cata-Treco não consegue atender a demanda. “Eu mesma precisei usar e não fui atendida. Liguei mais de uma vez, mas ninguém veio buscar”, afirma.

Capinação

Em relação aos serviços de limpeza urbana, os moradores foram unânimes em dizer que há tempos as ruas por ali não recebem a visita das equipes que realizam a capinação e o desentupimento de bueiros.

O mato alto, além de aumentar a sensação de desmazelo, atrai insetos e ratos. “Por mais que a gente saiba que o orçamento da cidade é pouco, o descuido com os bairros é coisa muito antiga. Já está na hora dos governantes olharem mais por quem mora longe da praia”, diz Vânia.

Segurança

Assaltos constantes próximos ao CAMPSV (Centro de Assistência Social e Mobilização Permanente) e a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), entidades localizadas no bairro, continuam assustando.

De acordo com os entrevistados, na maioria das vezes, os assaltos são realizados por homens de bicicleta que rondam os locais, principalmente, na hora de entrada e saída dos alunos. Por isso, a presença contínua de uma viatura foi a solução pedida por eles, em vão.

Buracos

Na esquina da Rua Feliciano Marcondes da Silva com a Rua Genivaldo José Damasceno, a falta da tampa de uma boca de lobo oferece risco diário de acidente, principalmente porque fica submerso quando alaga. Um pouco mais a frente, outro buraco, dessa vez da rede de saneamento da Sabesp está destampado, segundo moradores, há mais de um mês. Para evitar acidentes, galhos e bambus sinalizam o ­perigo.  

Respostas

Questionada se há previsão de melhorias para a rede de drenagem do local e capinação, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedup) informou que a obra do canal (Alcides de Araújo) será retomada nos próximos 30 dias. “A Terracom é a empresa vencedora da licitação para execução dos serviços. Revestimento, desassoreamento e limpeza do canal fazem parte dessa etapa do serviço como forma de minimizar a questão do alagamento, que é causado em picos de maré, uma vez que a região fica abaixo do nível do mar”, explicou em nota.

Em relação à segurança e serviços de ronda militar, a prefeitura afirmou que a Guarda Municipal mantém o serviço de monitoramento nas ruas de toda a cidade.

Quanto à suprir a demanda de agendamento do Cata-Treco, afirmou que o serviço disponibilizado atende a todos os chamados. “Em dezembro, por exemplo, foram 1.554 chamados atendidos em toda a Cidade, superando a marca de 13 mil atendimentos desde janeiro de 2017. Para os moradores da Área Insular, como os da Vila ­Cascatinha, são dois números à disposição: 3464-7158 e 3462-9740, que atendem das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas. O prazo é de 2 a 5 dias para as retiradas, após o ­agendamento.

Em relação à campanhas que tenham como objetivo aumentar a conscientização dos munícipes sobre a importância do descarte correto, tanto do lixo quanto do ­entulho, explicou que os alertas são constantes na página oficial do Facebook e no portal (www.codesavi.com.br), assim como nas orientações dadas nas visitas aos bairros, dentro da programação do Ação e Cidadania, da Prefeitura. Além disso, está disponível um canal direto (WhatsApp 99785-1596) para receber ­denúncias de descarte ­irregular.

Campanhas em escolas municipais também são realizadas no sentido de educar as crianças, que ainda atuam como multiplicadores de informação nas suas famílias.

Nova postura

Visando novas ações da população vicentina em relação ao despejo do lixo, começou a funcionar em janeiro, o terceiro Ecoponto do município, na Cidade Náutica. As outras duas unidades (Voturuá e Rio Branco) recebem em média 40 toneladas de materiais ­recicláveis e ­reutilizáveis­.

Nas praias, a Campanha Verão Limpo 2018, contou com 36 voluntários, que percorreram a Praia do Itararé. No total, foram coletados 3.689 itens, entre metais, plásticos e fragmentos de diversos materiais, totalizando 4,5 quilos. A equipe ainda abordou centenas de banhistas, distribuindo sacolas biodegradáveis e orientando sobre a necessidade do descartar os resíduos de forma adequada. Participaram da ação integrantes do Grupo Escoteiros do Ar, alunos da Etec Ruth Cardoso, equipe de técnicos da Ecomov entre demais envolvidos. A Campanha foi realizada pelo ­segundo ano.

Quanto a adesão dos munícipes à Coleta Seletiva, a prefeitura considera  os números satisfatórios. O Relatório da Diretoria de Limpeza Urbana apontou que somente em dezembro foram recolhidas 119 toneladas de lixo limpo. Na Vila Cascatinha, o caminhão passa às quartas-feiras.

 

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