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'Eu continuo um reformista'

O deputado federal e ex-ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), visitou as novas instalações do DL nesta segunda-feira (22)

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23 JAN 2018Por Carlos Ratton11h02
O deputado federal e ex-ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), visitou as novas instalações do DL nesta segunda-feira (22)Foto: Paulo Villaça/DL

Em visita a região para prestigiar a Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, o deputado federal Roberto Freire (PPS) e ex-ministro da Cultura disse que a reforma trabalhista foi importante para o futuro do País, que a da Previdência é fundamental e que a Justiça não pode interferir na nomeação de Cristiane Brasil para ministra do Trabalho. Confira os principais trechos da entrevista:

Diário do Litoral – Qual o objetivo da sua visita à região?
Roberto Freire –
Ver a encenação. Eu, quando ministro, tinha acertado o que iria ser feito este ano. Sai do ministério, mas quis ver de perto o espetáculo, que fomenta a participação de artistas locais.

Diário – O senhor avalia como sua passagem no Ministério da Cultura?
Roberto Freire –
No começo, houve um contingenciamento de verba muito forte. Mas acho que foi positiva. Peguei um momento difícil em que se questionava muito a Lei Rouanet (de incentivo que viabiliza a cultura em todo o Brasil). Ela é necessária, mas é preciso retirá-la das páginas policiais, quando acusavam que ela estava sendo usada para financiar artistas ligados ao PT. Não era bem isso, mas houve desvios graves e tudo foi apurado. Mas ela tem muito mais aspectos positivos do que negativos. O atual ministro ainda está ajustando e os resultados recentes são bem positivos.

Diário – Qual sua opinião sobre a polêmica exposição do artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM)?
Roberto Freire –
Esse episódio foi muito politizado. Houve interesse de um setor mais conservador de aproveitar um equívoco na liberação da faixa etária. Não se pode impedir a livre expressão. Se houve excesso, que se procure a Justiça.

Diário – Qual a razão de sua saída do Governo Temer?
Roberto Freire –
Política. Minha saída não poderia nos levar para a oposição. Optamos pela independência, mas apoiando a transição e as reformas. O governo cometeu alguns erros, mas no geral não estamos tendo nenhuma restrição às liberdades democráticas. Isso é básico.

Diário – Como o senhor avalia a rejeição do presidente Temer? As pesquisas falam em mais de 90%.
Roberto Freire –
Parece que sim. No ponto de vista de enfrentamento da crise, que seria mais desastrosa se não houvesse o bom encaminhamento que teve, justifica a transição (impeachment). Não saberia te dizer onde iríamos parar se o Governo Dilma (Rousseff) continuasse. Estávamos há três anos em profunda recessão econômica.

Diário - Mas o senhor acha que melhorou como foi prometido?
Roberto Freire –
As instituições brasileiras estão bem mais respeitadas. O Ministério Público (Lava-Jato), o Congresso que votou pelo impeachment.

Diário – Os recentes jantares feitos pelo presidente não servem para a compra de votos e aprovar medidas do Governo?
Roberto Freire –
Não é verdade. As emendas são impositivas. Não cabe mais dar emendas baseadas em critérios exclusivos do Executivo, onde tinha o famoso toma lá dá cá. Agora não é mais assim. O Governo nem está com muito dinheiro para ir distribuindo. Algumas prefeituras, que são de interesse de alguns parlamentares, podem estar recebendo convênios, mas não está existindo, porque o Governo não superou a crise.

Diário – O senhor é a favor da reforma da Previdência?
Roberto Freire –
Sim. É deficitária há muito tempo, principalmente no tocante ao servidor público. Eu já tenho 75 e estou vivendo muito mais do que meus pais. A expectativa de vida é maior. Há um crescente no número de idosos. Outros países estão fazendo, só que começaram pelas forças armadas e não pelos trabalhadores.

Diário – Não seria ­ideal primeiro a reforma ­política?
Roberto Freire –
Não. Esse assunto já foi discutido, mas de forma errada e somente para garantir a estabilidade e o monopólio dos grandes partidos.

Diário – Como o senhor avalia a polêmica pela nomeação da Cristiane ­Brasil?
Roberto Freire –
Se ela tem direito político, e tem, pode ser empossada. Não há na constituição nenhum impedimento. A nomeação é uma atribuição só do presidente da República. Um exemplo: se um cidadão perde a carteira de motorista, não perde os direitos políticos. Queriam nomear o Lula para obstruir a Justiça. O Poder Judiciário não pode impedir a nomeação de uma ministra.

Diário – A reforma trabalhista foi um acerto?
Roberto Freire –
Foi. Nenhum direito foi tirado. A livre negociação entre patrão e empregado já acontecia. A reforma trouxe direitos para quem trabalha em casa, para quem já era pessoa jurídica. A reforma ratificou a nova realidade trabalhista. Ela acabou sindicatos criados para ter benesses. As relações de trabalho mudaram no Mundo e o Brasil não poderia ficar para trás. Tem uma esquerda reacionária que não entendeu que a reforma veio para garantir os direitos dos terceirizados. Em 1962, quando ingressei no Partido Comunista Brasileiro, eu carregava cartazes pelas reformas de base. Eu continuo um reformista e a esquerda hoje é contra as reformas. O Brasil atrasou-se no tempo.

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