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Economia solidária salva famílias em tempos de crise

Mais de 275 mil pessoas já foram beneficiadas pelo modelo de trabalho que estimula o cooperativismo

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10 SET 2017Por Rafaella Martinez10h50
Ateliê Artes nas Cotas promove inclusão social e renda para dezenas de moradores dos bairros-cotaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Há oito anos o sustento de Maria Aparecida vem do serviço que ela realiza na Lavandeira 8 de Março, em Santos.  É no trabalho colaborativo que a senhora de 64 anos encontrou a chance de ser protagonista de sua história e arcar com as despesas da casa onde vive. Fátima Maria, de 61 anos, moradora da Cota 200 em Cubatão, descobriu no Ateliê Arte nas Cotas a possibilidade de mudar de vida e auxiliar com as despesas de casa. Os índios da aldeia Tabaçu Reko Ypy, de Peruíbe, também encontraram no trabalho coletivo de turismo de base comunitária um viés para geração de renda da comunidade e fortalecimento cultural.

Embora envolvam áreas de atuação distintas, as três histórias possuem uma coisa em comum: todos os modelos de trabalho citados são pautados na economia solidária, uma forma de organização do trabalho que surgiu como alternativa de inclusão social e geração de renda principalmente em tempos de desemprego e crise econômica. Os princípios do modelo são autogestão, cooperação, respeito à natureza e inclusão social.

De acordo com os dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) as iniciativas de Economia Solidária já beneficiaram mais de 275 mil pessoas em 10,8 mil empreendimentos econômicos desde 2003.

 Lavanderia 8 de Março: geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade em Santos

Desde o ano passado já foram investidos mais de R$ 53 milhões nessa área pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), em 2.049 empreendimentos econômicos solidários desenvolvidos no Brasil. Somente na Baixada Santista, estimativas apontam que existem mais de 50 grupos do gênero, beneficiando principalmente os segmentos populacionais mais vulneráveis.

Na visão de Newton José Rodrigues da Silva, coordenador da Câmara Temática de Agropecuária, Pesca e Economia Solidária da Agem, os números oficiais ainda estão distantes da realidade. “Não existem dados sólidos sobre esses grupos. Se levarmos em consideração os grupos informais, tais como grupos artísticos e culturais, o número de beneficiários é muito superior. Acredito que só na Baixada passaria de 100”, conta.

Para ele, investir em economia solidária é sinônimo de empoderamento e desenvolvimento das comunidades. 

 Na Cota 200, em Cubatão, cozinha experimental do Nesdel capacita moradores para o desenvolvimento local

“A Cooperativa de Resíduos Sólidos de Bertioga, por exemplo, se transformou em uma referência internacional. É preciso pensar em alternativas do gênero, que abracem a maior quantidade de pessoas e gere renda para famílias da região”, finaliza.

Até novembro, o Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista pretende mapear todos os empreendimentos econômicos solidários da região. Uma vez cadastrados no Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (CADSOL), os grupos podem ter acesso a todas as políticas públicas para a área, desde a formação técnica até o fomento das atividades.

Em nota, o Ministério  do  Trabalho destacou que as iniciativas econômicas solidárias vêm sendo incentivadas pois promovem a coesão social, a preservação da diversidade cultural e do meio ambiente.

 Em Bertioga, Cooperativa de Resíduos Sólidos criada a partir de um TAC é referência internacional

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