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Despejo ameaça cooperativa de material reciclável em Guarujá

Segundo gestor do local, prefeitura não paga aluguel há três anos

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07 JUL 2017Por Vanessa Pimentel10h30
Em 2014, a prefeitura do Guarujá aderiu a um programa de reciclagem onde se comprometeu a manter a infraestrutura da cooperativa, porém não arcou com aluguelFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A Cooperben (Cooperativa de Beneficiamento de Materiais Recicláveis e Educação Ambiental), em Guarujá, está com os dias contados. Isso porque, no dia 28 de junho, Marcelo Silva de Melo, gestor da cooperativa há mais de dez anos, recebeu das mãos de um oficial de justiça um Mandado de Notificação e Despejo. A ação se dá pela falta do pagamento do aluguel desde 2014 que, de acordo com Marcelo, deveria ser pago pela prefeitura.

“Em 26 de março de 2014, a prefeitura do Guarujá assinou um Termo de Adesão ao programa ‘Dê a mão para o Futuro: Reciclagem, Trabalho e Renda’, onde se comprometeu a providenciar e manter a infraestrutura adequada para o funcionamento da cooperativa. Mas, como desde então não arcou com o aluguel do galpão onde estamos instalados, a situação chegou a este ponto”, explica Marcelo.

Ele afirma já ter procurado a Administração e a Secretaria de Meio Ambiente para tentar resolver o problema incontáveis vezes, mas recebe sempre a mesma resposta: “Estamos verificando”.

“Nós não temos para aonde ir e o prazo se encerra na quinta-feira (13/07) sem que a prefeitura nos diga o que pretende fazer. Tem materiais aqui, esteira, prensa. O que vou fazer com esses equipamentos?”, questiona Marcelo.

A Cooperben fica em um galpão no bairro Vila São Miguel e abriga atualmente 16 cooperados que ganham em torno de R$800 com a venda das 60 toneladas/mês de recicláveis para indústrias. Atualmente, o aluguel mensal é de R$5.500.

Marcelo conta também que já conversou com o proprietário do galpão onde a cooperativa está instalada e que o mesmo está disponível para negociar com a prefeitura o valor em aberto, porém, a Administração ainda não fez nenhum tipo de contato para tentar resolver o imbróglio.

“Sempre conversamos com a prefeitura em relação à cessão de uma área para que a cooperativa pudesse trabalhar sem o gasto do aluguel, mas essa situação se arrasta desde 2014. Participamos de várias reuniões, mas nada é feito de fato. A prefeitura também sabia que havia o risco do despejo, mas não propôs nenhuma alternativa”, afirma Marcelo.

Atualmente, a Cooperben recebe material três vezes por semana do caminhão da coleta seletiva realizada pela Terracom e também busca resíduos nas empresas parceiras da reciclagem.

Se a ação de despejo se cumprir, Marcelo não sabe o que fará com os equipamentos – em maioria de grande porte e pesados, nem com o material triado que ainda aguarda para ser vendido. “Fora as pessoas que sobrevivem do trabalho que tem aqui”, declara.

Prefeitura

A Secretaria de Meio Ambiente (Semam) informou por meio de nota que já realizou inúmeras reuniões com o gestor da cooperativa durante este ano, inclusive na última quarta-feira (5), na qual o mesmo não compareceu.

Ainda de acordo com a pasta, disse estar cumprindo uma ordem do Ministério Público que pede a contratação das cooperativas para que elas realizem a coleta seletiva na cidade. Em relação ao atraso do aluguel, informou apenas que a gestão passada deixou inúmeras dívidas que estão sendo estudadas. A Reportagem questionou novamente em relação ao despejo e foi informada que a prefeitura está em vias de ceder um terreno para a cooperativa.

O DL também voltou a questionar o gestor da cooperativa para saber por que ele não compareceu na última reunião agendada com a secretaria e obteve a seguinte resposta: “Essa reunião era para tratar de um evento esportivo que vai acontecer na cidade na semana que vem e no qual eles querem que as cooperativas façam a coleta dos recicláveis. Pois bem, como eles querem que a gente se comprometa a recolher os recicláveis no fim do evento se estamos a menos de dez dias de sermos despejados?”, questiona.

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